O governo brasileiro elevou o imposto de importação para mais de mil produtos, como celulares e bens de capital, visando reequilibrar contas externas e fortalecer a indústria nacional, com previsão de arrecadar R$ 14 bilhões em 2026 e impacto limitado nos preços ao consumidor.
O governo brasileiro implementou um aumento no imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo celulares, televisores, equipamentos de data centers e máquinas industriais. A medida, adotada em novembro, visa fortalecer a indústria nacional, reequilibrar as contas públicas e melhorar as contas externas do país, que registraram queda no superávit comercial e aumento do déficit em transações correntes. O Ministério da Fazenda prevê arrecadar R$ 14 bilhões adicionais em 2026 com essa elevação, que busca estimular a substituição por produtos nacionais e diminuir a vulnerabilidade externa. Embora a elevação possa chegar a 7,2 pontos percentuais em alguns casos, o impacto nos preços dos smartphones no mercado brasileiro deve ser limitado, já que as principais marcas possuem produção local, abrangendo cerca de 95% dos aparelhos vendidos no país em 2025. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que não haverá impactos relevantes nos preços ao consumidor, preservando cadeias produtivas dependentes de insumos importados. A Fazenda avalia que o impacto na inflação será indireto e limitado, pois a maioria dos itens são bens de produção. As importações desses segmentos cresceram 33,4% desde 2022, com EUA e China sendo os principais exportadores para o Brasil.
A elevação das alíquotas não foi linear, atingindo apenas bens com produção nacional para corrigir desvantagem competitiva, enquanto a tarifa de importação permanece zero para produtos sem produção nacional e insumos, peças e componentes da indústria nacional continuam com regimes especiais. Para data centers, o programa Redata prevê incentivos fiscais e importação com tarifa zero por cinco anos para garantir previsibilidade de investimentos. Importadores criticam a decisão, alertando para o risco de aumento de preços, encarecimento de investimentos e problemas no abastecimento de insumos. Contudo, o governo defende o reequilíbrio de preços relativos em favor do produto nacional e a mitigação da concorrência assimétrica, destacando que a medida não afeta a maioria dos smartphones produzidos no Brasil. Empresas têm até 31 de março para solicitar redução temporária da alíquota para zero em produtos já beneficiados.
G1 - Economia • 25 fev, 13:43
InfoMoney • 25 fev, 09:49
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G1 Política • 24 fev, 00:00