Visão geral
A Serra Verde Mineradora é a única empresa no Brasil a produzir terras raras, minerais estratégicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e baixo carbono, como motores elétricos, turbinas eólicas, drones e armamentos. A empresa, com sede em Goiás, opera uma mina e uma planta de processamento integradas no município de Minaçu. A Serra Verde é um dos maiores depósitos de argila iônica fora da Ásia, com vantagens competitivas e ambientais devido à natureza do depósito, impactos ambientais relativamente baixos e sua localização em uma área de mineração estabelecida, próxima à infraestrutura de energia renovável. A produção comercial da Fase I do depósito de Pela Ema foi iniciada em 2024, e a empresa espera produzir pelo menos 5.000 toneladas por ano de óxido de terras raras uma vez que atinja a capacidade total. Em fevereiro de 2026, a Serra Verde assinou um empréstimo de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), agência de fomento americana, que inclui a opção de a DFC adquirir uma participação acionária minoritária na mineradora. Este acordo reforça a posição da Serra Verde no cenário global de terras raras, especialmente fora da Ásia, região que domina a cadeia produtiva desses elementos.
A missão da Serra Verde é desenvolver e sustentar uma fonte responsável e lucrativa de Terras Raras para apoiar a transição energética global. Sua visão é desempenhar um papel estratégico no desenvolvimento da cadeia de suprimentos global de Terras Raras e ser reconhecida como uma produtora responsável, confiável e competitiva no Hemisfério Ocidental. Os valores da empresa incluem a criação e compartilhamento de valor sustentável, otimismo e paixão, responsabilidade pessoal, coragem, empreendedorismo e agilidade, integridade, confiança e transparência, e valorização da excelência.
Contexto histórico e desenvolvimento
A importância geopolítica das terras raras cresceu significativamente, especialmente com a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que domina a produção global. Em resposta a essa dependência, o governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, anunciou um pacote de US$ 12 bilhões, denominado Project Vault, para impulsionar a produção e o refino de minerais estratégicos. Nesse contexto, o Brasil emerge como um ator chave, possuindo a segunda maior reserva potencial de óxidos de terras raras (TREO) do mundo, atrás apenas da China, com 21 milhões de toneladas. A Serra Verde Mineradora, com sua mina no norte de Goiás, é pioneira na produção desses elementos no país. Em 2026, a empresa formalizou um empréstimo com a DFC, cujo valor foi ajustado para US$ 565 milhões, 22% acima do inicialmente aprovado. Este financiamento visa apoiar o desenvolvimento da produção de terras raras e posicionar a Serra Verde como uma fornecedora estratégica fora do continente asiático. A empresa é controlada por duas companhias de participações americanas (Denham Capital e EMG) e uma britânica (Vision Blue). Os recursos do financiamento da DFC serão destinados a melhorias e à ampliação da produção na mina Pela Ema, além de cobrir despesas operacionais, contas de reserva, custos de transação e o refinanciamento da dívida atual dos acionistas. A mina Pela Ema, com vida útil estimada em 25 anos, é considerada estratégica por reunir terras raras leves e pesadas, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, usados em ímãs permanentes para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. A Serra Verde utiliza argila iônica e é a única produtora fora da Ásia capaz de entregar em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais. Os óxidos são exportados para processamento no exterior, e o plano é elevar a produção anual para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas até o início de 2027. A empresa também está avaliando o potencial para uma expansão da Fase II, que poderia dobrar a produção antes de 2030.
Linha do tempo
- 2024: Início da produção de terras raras pela Serra Verde Mineradora. A empresa se tornou a primeira produtora brasileira de terras raras em larga escala, com a entrada em operação comercial da mina e de sua planta de processamento.
- 12 de janeiro de 2024: Serra Verde inicia a produção comercial de concentrado misto de terras raras (MREC) da Fase I de seu depósito Pela Ema em Minaçu, Goiás.
- 23 de janeiro de 2025: Serra Verde promove um curso sobre preparação de substrato e dormência de sementes para produção de mudas nativas do Cerrado.
- 03 de fevereiro de 2025: Serra Verde se junta ao Conselho Setorial de Mineração (CASMIN) da FIEG.
- 2025: Notícia de que a Serra Verde tomaria um empréstimo de US$ 465 milhões com a DFC.
- 12 de novembro de 2025: Serra Verde obtém aporte de US$ 465 milhões dos EUA para expandir mina, com recursos da DFC.
- Fim de 2025: O GLOBO revela que o Brasil possui oito projetos de terras raras mais adiantados, incluindo a mina da Serra Verde.
- Fevereiro de 2026: Anúncio do pacote de US$ 12 bilhões (Project Vault) pelo governo dos EUA para impulsionar a produção de minerais estratégicos.
- 05 de fevereiro de 2026: Serra Verde Mineradora assina empréstimo de US$ 565 milhões com a DFC em Washington, com opção de participação acionária da agência americana.
Principais atores
- Serra Verde Mineradora: Única empresa produtora de terras raras no Brasil, controlada por Denham Capital, EMG e Vision Blue. É a única empresa fora da Ásia a produzir em escala os quatro elementos críticos de terras raras usados na produção de ímãs permanentes.
- Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC): Agência de fomento americana que concedeu o empréstimo de US$ 565 milhões à Serra Verde.
- Governo dos Estados Unidos: Iniciador do Project Vault, um pacote de US$ 12 bilhões para impulsionar a produção de minerais estratégicos.
- Ricardo Grossi: Presidente da Serra Verde Mineradora.
- Thras Moraitis: CEO da Serra Verde, que destacou a importância da produção da empresa para a transição energética global.
- Denham Capital: Empresa de participações americana, controladora da Serra Verde.
- EMG: Empresa de participações americana, controladora da Serra Verde.
- Vision Blue: Empresa de participações britânica, controladora da Serra Verde.
- BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social): Selecionou a Serra Verde para a iniciativa Transformação de Minerais Estratégicos, focada em investimentos para aumentar a produção, pesquisa, desenvolvimento e inovação.
- Finep (Financiadora de Estudos e Projetos): Agência de inovação do Brasil, parceira do BNDES na iniciativa Transformação de Minerais Estratégicos.
- Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração): Entidade da indústria nacional de mineração que mapeia investimentos em terras raras no Brasil.
- Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais): Instituição que, em conjunto com o Ibram, elaborou um relatório sobre os projetos de terras raras no Brasil.
Termos importantes
- Terras Raras: Grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e baixo carbono, como eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa.
- DFC (Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional): Agência de desenvolvimento financeiro do governo dos EUA que investe em projetos de desenvolvimento no exterior.
- Project Vault: Iniciativa do governo dos EUA para impulsionar a produção e o refino de minerais estratégicos, incluindo terras raras, com um pacote de US$ 12 bilhões.
- TREO (Total Rare Earth Oxides): Sigla em inglês para Óxidos Totais de Terras Raras, uma medida da quantidade total de óxidos de terras raras presentes em uma reserva ou produção.
- MREC (Mixed Rare Earth Concentrate): Concentrado Misto de Terras Raras, o produto comercial inicial da Serra Verde Mineradora.
