O que é a Qualcomm
A Qualcomm Incorporated é uma multinacional de tecnologia dos Estados Unidos, com sede em San Diego, na Califórnia. A empresa desenvolve tecnologias de comunicação e computação, entre elas redes móveis, dispositivos inteligentes e semicondutores, como processadores para celulares e chips de inteligência artificial.
A Qualcomm detém patentes essenciais para padrões mundiais de comunicação móvel, como 5G, 4G, CDMA2000, TD-SCDMA e WCDMA. Opera majoritariamente no modelo fabless: projeta os chips e terceiriza a fabricação. Desde janeiro de 2021, o CEO é Cristiano Amon, que antes presidia a empresa e chefiava a divisão de chips.
Snapdragon
Snapdragon é a linha de processadores da Qualcomm usada em smartphones e outros dispositivos de vários fabricantes. Em outubro de 2023, a empresa apresentou a série Snapdragon X, plataforma para PCs com Windows que combina uma CPU Arm própria (Oryon, herdada da compra da Nuvia), GPU e uma unidade de processamento neural dedicada.
Em 22 de setembro de 2026, no Snapdragon Summit anual, a Qualcomm anunciou dois processadores topo de linha para celulares: o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6. Segundo a empresa, a versão Extreme executa localmente um modelo de mistura de especialistas (MoE) com 30 bilhões de parâmetros e grava vídeo em 8K a 60 quadros por segundo. Os dois chips têm um novo sensing hub capaz de rodar modelos pequenos, de até 200 milhões de parâmetros. No mesmo evento, a Motorola anunciou o Signature 27, equipado com o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6.
Além dos celulares, a empresa atua em IA embarcada, aplicações automotivas, internet das coisas, realidade aumentada e virtual, e mantém a linha Dragonwing, voltada a soluções industriais e corporativas.
História e origem
A Qualcomm foi fundada em 1º de julho de 1985 por sete ex-funcionários da Linkabit liderados por Irwin Jacobs; entre os cofundadores estava Andrew Viterbi. O nome vem de "Quality Communications". A empresa começou como centro de pesquisa sob contrato, em grande parte para projetos governamentais e de defesa.
A receita do Omnitracs, sistema de comunicação por satélite para transportadoras, financiou a pesquisa em CDMA (acesso múltiplo por divisão de código) para redes celulares. Em 1993, a associação americana do setor, a CTIA, adotou o CDMA da Qualcomm como o padrão IS-95A (cdmaOne) de segunda geração. Redes CDMA foram lançadas também no Brasil, na Argentina, no México, na Índia e na Venezuela.
A abertura de capital veio em setembro de 1991. Em 1998, a empresa se desfez das fábricas de estações rádio-base e de aparelhos para se concentrar em patentes e chipsets.
Aquisições
- NXP Semiconductors (2016–2018): a Qualcomm anunciou a compra por US$ 47 bilhões em 2016, mas desistiu em julho de 2018 sem a aprovação da China, em meio à guerra comercial com os EUA.
- Nuvia (2021): startup de CPUs para servidores fundada por ex-arquitetos da Apple e do Google, comprada por cerca de US$ 1,4 bilhão.
- Autotalks (2025): empresa israelense de comunicação veicular (V2X), adquirida em junho de 2025.
- Alphawave IP Group (2025): acordo de US$ 2,4 bilhões anunciado em junho de 2025, para entrar nos mercados de data center e infraestrutura de IA.
- Arduino (2025): a fabricante italiana de placas de microcontroladores foi comprada em outubro de 2025.
- Ventana Micro Systems (2025): empresa de CPUs baseadas na arquitetura aberta RISC-V, adquirida em dezembro de 2025.
Tentativa de compra pela Broadcom
Enquanto a compra da NXP estava em andamento, a Broadcom ofereceu US$ 103 bilhões pela Qualcomm, que recusou. A Broadcom partiu para uma aquisição hostil e elevou a oferta para US$ 121 bilhões. A operação foi bloqueada por ordem executiva do presidente Donald Trump, por motivos de segurança nacional.
Disputas judiciais e antitruste
Apple. Em 2017, a Apple processou a Qualcomm nos EUA pedindo US$ 1 bilhão, alegando cobrança excessiva por semicondutores e descontos não pagos, e abriu ações também na China e no Reino Unido. A Qualcomm respondeu com processos por violação de patentes, e tribunais da China e da Alemanha chegaram a proibir a venda de alguns iPhones em dezembro de 2018. Em abril de 2019, as duas empresas encerraram todos os litígios com um acordo de licenciamento de seis anos e um pagamento único da Apple estimado entre US$ 4,5 bilhões e US$ 4,7 bilhões.
FTC. A Comissão Federal de Comércio dos EUA processou a Qualcomm em 2017, acusando a prática de "sem licença, sem chips". A juíza Lucy Koh decidiu contra a empresa em maio de 2019, mas o Tribunal de Apelações do Nono Circuito reverteu a decisão em agosto de 2020.
União Europeia e Coreia do Sul. Em janeiro de 2018, a Comissão Europeia multou a Qualcomm em US$ 1,2 bilhão pelo acordo de exclusividade com a Apple; a empresa venceu a apelação em junho de 2022. Na Coreia do Sul, a multa de US$ 854 milhões aplicada em 2016 foi mantida pela Suprema Corte em 2023.
Arm. Em 2022, a Arm processou a Qualcomm e a Nuvia alegando que os projetos licenciados pela Nuvia não poderiam ser transferidos sem permissão. Em dezembro de 2024, um júri federal decidiu parcialmente a favor da Qualcomm, e em fevereiro de 2025 a Arm desistiu de cancelar a licença da empresa.
