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Motiva

A Motiva (MOTV3) é a antiga CCR, empresa brasileira de concessões de rodovias, como AutoBAn e Via Dutra, e de trilhos, como as linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô de São Paulo. Trocou de nome em 2025 e concluiu em 1º de setembro de 2026 a venda de seus 20 aeroportos ao grupo mexicano Asur, por R$ 12,2 bilhões. No 3º trimestre de 2026 teve lucro ajustado de R$ 750 milhões, alta de 9,8% em um ano.

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Foto: Peter Louiz / domínio público

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O que é a Motiva

A Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A. é a antiga CCR, empresa brasileira de concessões de rodovias e de transporte sobre trilhos, com sede em São Paulo e ações negociadas na B3 com o código MOTV3. Em resumo:

  • Nome: passou a se chamar Motiva em 2025; as ações trocaram o código CCRO3 por MOTV3 em 2 de maio de 2025.
  • Negócios: rodovias (como AutoBAn, RioSP, SPVias e RodoAnel Oeste) e trilhos (linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô de São Paulo, linhas 8 e 9 de trens metropolitanos, VLT Carioca e Metrô Bahia).
  • Aeroportos: vendeu a plataforma de aeroportos ao grupo mexicano Asur; a operação foi concluída em 1º de setembro de 2026.
  • Presidente: Miguel Setas, diretor-presidente desde 2023.
  • Resultado mais recente: lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 9,8% em um ano.

A Motiva é a antiga CCR

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A CCR foi constituída em 23 de janeiro de 1999, reunindo participações de grupos empresariais em concessões como a Ponte Rio-Niterói, a NovaDutra, a ViaLagos, a RodoNorte e a AutoBAn. O nome vem da sigla de Companhia de Concessões Rodoviárias. A empresa obteve registro de companhia aberta em 2000, entrou no Novo Mercado da B3 em 2001 e fez a oferta inicial de ações em 2002.

A troca de nome foi aprovada em assembleia em abril de 2025 e passou a valer na B3 em 2 de maio de 2025, quando as ações deixaram o código CCRO3 e passaram a MOTV3. Segundo a empresa, a marca CCR estava muito associada a rodovias e não refletia a atuação em trilhos e aeroportos; o nome Motiva vem do latim e remete a "aquilo que move". A substituição da marca nas concessionárias está prevista para terminar em 2026.

Rodovias

A plataforma de rodovias reúne concessões estaduais e federais, entre elas AutoBAn (sistema Anhanguera-Bandeirantes), Pantanal, Paraná, ViaSul, ViaCosteira, MinasSP, RioSP (Via Dutra), ViaRio, SPVias, ViaLagos, Sorocabana, RodoAnel Oeste e Renovias. Em 2 de abril de 2026, a Motiva assinou a compra da Autopista Fernão Dias (BR-381, entre São Paulo e Belo Horizonte), da Arteris, por R$ 381,4 milhões.

Em 23 de julho de 2026, a Motiva perdeu o leilão da rodovia Régis Bittencourt (BR-116, entre São Paulo e Curitiba) para a EPR, que ofereceu desconto de 22,53% na tarifa de pedágio, ante 12,10% da Motiva.

Trilhos e mobilidade urbana

Foto: LuanCampSouza93 / CC0

A Motiva entrou na mobilidade urbana em 2006, com a concessão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, operada pela ViaQuatro. Hoje opera também as linhas 5-Lilás e 17-Ouro (ViaMobilidade), as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda de trens metropolitanos em São Paulo, o VLT Carioca, no Rio, e o Metrô Bahia, em Salvador.

Em 2025, a empresa deixou de operar as barcas do Rio de Janeiro, assumidas pelo consórcio Barcas Rio.

Aeroportos

A CCR entrou no setor em 2012, com participações em aeroportos do Equador, da Costa Rica e de Curaçao, e em 2014 passou a integrar a BH Airport, concessionária do aeroporto de Confins. Em 2021 venceu os blocos Sul e Central da sexta rodada federal de concessões, com 15 aeroportos, e o leilão do Aeroporto da Pampulha.

Em 18 de novembro de 2025, a Motiva anunciou a venda da plataforma de aeroportos à Aeropuerto de Cancún, subsidiária do grupo mexicano Asur (Grupo Aeroportuario del Sureste). A venda, de 20 aeroportos, 17 deles no Brasil, foi concluída em 1º de setembro de 2026, por R$ 12,2 bilhões de valor da empresa, dos quais cerca de R$ 5,2 bilhões em ações (equity). Com o dinheiro, a Motiva resgatou antecipadamente cerca de R$ 1,8 bilhão em debêntures e reduziu em 65% a dívida líquida da holding.

Quem são os donos da Motiva

A Motiva não tem um controlador único. Em março de 2026, segundo a área de relações com investidores, 49,66% das ações estavam em circulação no mercado; o Grupo Mover (antiga Camargo Corrêa) tinha 14,86%, o Grupo Soares Penido 14,37%, a Itaúsa 10,33% e a Votorantim 10,33%. Os quatro grupos têm um acordo de acionistas.

Em 28 de julho de 2026, a Motiva informou a assinatura dos documentos para a transferência da fatia de 14,86% do Grupo Mover ao Bradesco BBI, em dação em pagamento de dívidas da Mover, que está em recuperação judicial. A operação recebeu aval da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Resultados do 3º trimestre de 2026

A Motiva divulgou o resultado do terceiro trimestre de 2026 em 28 de outubro:

Indicador3º tri 2026Variação em 1 ano
Lucro líquido ajustadoR$ 750 milhões+9,8%
Lucro líquido consolidadoR$ 3,4 bilhões+177,9%
Ebitda ajustadoR$ 2,521 bilhões+13,4%
Dívida líquida / Ebitda ajustado3,2 vezes3,6 vezes no 3º tri 2025

O lucro consolidado inclui o ganho com a venda dos aeroportos, tratado como não recorrente e excluído do lucro ajustado. A receita de pedágio subiu 17%, com tráfego de veículos leves 4,9% maior e de pesados 0,6% menor. No trimestre, a empresa pagou cerca de R$ 1,5 bilhão em juros sobre capital próprio.

Em 29 de outubro de 2026, o Citi elevou a recomendação da ação para compra e reduziu o preço-alvo de R$ 20,40 para R$ 17,40. Segundo o banco, a queda de quase 30% das ações desde 26 de outubro, dia seguinte ao segundo turno da eleição presidencial, ficou desproporcional aos fundamentos da empresa.

Energia solar

Em 27 de outubro de 2026, a Motiva anunciou contrato de 15 anos de autoprodução de energia com a EDP, por arrendamento de uma usina solar do complexo Novo Oriente, em Ilha Solteira (SP). O acordo prevê o fornecimento de 9,3 megawatts médios a partir do primeiro trimestre de 2027, cerca de 15% da demanda de energia da Motiva, para 13 concessionárias de rodovias e trilhos. Com ele, a autoprodução passa de 60% para 85% do consumo da empresa. O contrato depende de condições como a aprovação do Cade.

Linha do tempo

  • 23 de janeiro de 1999: constituição da CCR.
  • 2002: oferta inicial de ações na bolsa.
  • 2006: entrada na mobilidade urbana com a Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo.
  • 2021: CCR vence os blocos Sul e Central de aeroportos federais e o Aeroporto da Pampulha.
  • 2 de maio de 2025: ações passam a ser negociadas como MOTV3, com o novo nome Motiva.
  • 18 de novembro de 2025: anúncio da venda dos aeroportos à Asur.
  • 2 de abril de 2026: Motiva assina a compra da Autopista Fernão Dias, da Arteris.
  • 23 de julho de 2026: Motiva perde o leilão da Régis Bittencourt para a EPR.
  • 28 de julho de 2026: assinatura da transferência da fatia do Grupo Mover ao Bradesco BBI.
  • 1º de setembro de 2026: conclusão da venda dos aeroportos, por R$ 12,2 bilhões.
  • 27 de outubro de 2026: contrato de 15 anos de energia solar com a EDP.
  • 28 de outubro de 2026: lucro ajustado de R$ 750 milhões no 3º trimestre.

Perguntas frequentes

MOTV3 era qual empresa?

MOTV3 é o código da Motiva, que até 2025 se chamava CCR e negociava as ações como CCRO3. A troca de código valeu a partir de 2 de maio de 2025.

O que a Motiva faz?

Opera concessões de rodovias, como AutoBAn e Via Dutra, e de transporte sobre trilhos, como as linhas 4-Amarela e 5-Lilás do metrô de São Paulo, o VLT Carioca e o Metrô Bahia.

A Motiva ainda tem aeroportos?

Não. A venda da plataforma de 20 aeroportos ao grupo mexicano Asur foi concluída em 1º de setembro de 2026.

Quanto a Motiva lucrou no 3º trimestre de 2026?

R$ 750 milhões de lucro líquido ajustado, alta de 9,8% em um ano. O lucro consolidado, com o ganho da venda dos aeroportos, foi de R$ 3,4 bilhões.

A Motiva paga dividendos?

Sim, principalmente na forma de juros sobre capital próprio. No terceiro trimestre de 2026, pagou cerca de R$ 1,5 bilhão.

Quem é o presidente da Motiva?

Miguel Setas, diretor-presidente da empresa desde 2023.

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