Quem é Josimar Maranhãozinho
Josimar Maranhãozinho é o nome político de Josimar Cunha Rodrigues, deputado federal pelo Maranhão eleito pelo Partido Liberal (PL). Ex-prefeito do município de Maranhãozinho, de onde tirou o sobrenome político, foi o deputado federal mais votado da história do estado em 2018 e preside o diretório do PL maranhense. Em março de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou por corrupção passiva a 6 anos e 5 meses de prisão em regime inicial semiaberto, na Ação Penal 2670, que apurou a cobrança de propina em troca da liberação de emendas parlamentares.
Josimar Cunha Rodrigues nasceu em 13 de novembro de 1976 em Várzea Alegre, no Ceará, e construiu a carreira política no interior do Maranhão. Adotou como nome de urna o do município de Maranhãozinho, na região do Alto Turi, onde foi eleito prefeito pela primeira vez. Tem formação de nível superior e é filiado ao Partido Liberal, legenda da qual é presidente estadual no Maranhão.
Sua base eleitoral está concentrada nos municípios do interior maranhense, sobretudo ao longo da BR-316. Nos registros da Câmara dos Deputados, consta como titular pelo Maranhão na 57ª legislatura, com gabinete no anexo IV.
Trajetória política
- 2004 — Eleito prefeito de Maranhãozinho pelo PL.
- 2008 — Reeleito prefeito, com ampla margem sobre os adversários. Cumpriu os dois mandatos entre 2005 e 2012.
- 2014 — Eleito deputado estadual do Maranhão com 99.252 votos. Exerceu o mandato na Assembleia Legislativa entre 2015 e 2019.
- 2018 — Eleito deputado federal com 195.768 votos, o maior número já obtido por um candidato a deputado federal no Maranhão.
- 2022 — Reeleito deputado federal com 158.360 votos.
A condenação no STF
Em 17 de março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou Josimar Maranhãozinho por corrupção passiva na Ação Penal 2670. A pena fixada foi de 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, mais 300 dias-multa no valor de três salários mínimos cada. A decisão foi unânime. O relator foi o ministro Cristiano Zanin, que sustentou que as provas mostravam o uso de emendas parlamentares como "moeda de troca".
No mesmo julgamento foram condenados o deputado federal Gildenemyr de Lima Sousa, conhecido como Pastor Gil (PL-MA), a 5 anos e 6 meses, e o ex-deputado federal João Bosco Costa (Bosco Costa), a 5 anos, ambos com 100 dias-multa. Outros quatro réus — João Batista de Magalhães, Antônio José da Silva Rocha, Abraão Nunes Martins Neto e Adones Gomes Martins — receberam penas de 5 anos e 30 dias-multa cada. A Turma fixou ainda indenização por dano moral coletivo de R$ 1.667.730.
Todos os réus foram absolvidos da acusação de organização criminosa, por insuficiência de provas.
O esquema das emendas em São José de Ribamar
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deu origem à ação penal, descreve a cobrança de propina equivalente a 25% do valor das emendas parlamentares destinadas a prefeituras. Segundo a acusação, entre janeiro e agosto de 2020 o grupo exigiu R$ 1,6 milhão do então prefeito de São José de Ribamar (MA) para viabilizar a liberação de cerca de R$ 6,6 milhões em emendas ao município.
Para o relator, as abordagens sucessivas de emissários do grupo ao prefeito caracterizaram intimidação, e não negociação política ordinária. O caso veio a público em fevereiro de 2025, a partir de reportagens sobre diálogos que indicavam a venda de emendas; em 11 de março de 2025, a Primeira Turma tornou os três parlamentares réus.
Patrimônio declarado
A evolução patrimonial de Josimar Maranhãozinho é um dos pontos recorrentes nas reportagens sobre o deputado, com base nas declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral:
- 2004 — Ao se eleger prefeito pela primeira vez, declarou não possuir bens em seu nome.
- 2008 — Declarou R$ 463,9 mil.
- 2018 — Declarou R$ 14,5 milhões ao concorrer à Câmara dos Deputados.
- 2022 — Declarou R$ 25,4 milhões, alta de 71,4% em relação a 2018.
A declaração de 2022 listava nove casas, um apartamento e R$ 920 mil em espécie. Em 14 anos, o patrimônio declarado cresceu cerca de 55 vezes.
Operações da Polícia Federal e outras investigações
Operação Descalabro (dezembro de 2020). Deflagrada em 9 de dezembro de 2020, apurou o desvio de emendas parlamentares destinadas à saúde em municípios do Maranhão, com prejuízo estimado em R$ 15 milhões. Segundo a Polícia Federal, os fundos municipais de saúde recebiam os recursos e firmavam contratos com empresas de fachada ligadas ao deputado por meio de laranjas; o dinheiro era sacado em espécie e entregue no escritório parlamentar em São Luís. Cerca de R$ 2 milhões em espécie foram encontrados durante a operação, e o ministro Ricardo Lewandowski determinou o bloqueio de mais de R$ 6 milhões em bens do parlamentar. A defesa atribuiu os valores a atividades de pecuária e negócios próprios.
Operação Maranhão Nostrum (outubro de 2021). Investigação do Ministério Público estadual sobre fraudes em licitações envolvendo a distribuidora Águia Farma em municípios maranhenses, com contratos firmados entre 2014 e 2018.
Operação Afluente (junho de 2026). Deflagrada em 25 de junho de 2026 e autorizada pelo ministro Flávio Dino, apura desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de emendas operacionalizadas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), com repasses a empresas ligadas ao grupo investigado. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e no Maranhão, com apreensão de cerca de R$ 133 mil em espécie, 22 veículos e um helicóptero.
Há ainda uma denúncia do Ministério Público Federal apresentada em 2012, sobre a suposta cobrança de pedágio na extração ilegal de madeira na Terra Indígena Alto Turiaçu. O deputado nega as acusações nos processos que responde.
Mandato e elegibilidade
A condenação criminal em instância colegiada torna Josimar Maranhãozinho inelegível pela Lei da Ficha Limpa. A perda do mandato de deputado federal, porém, não foi decretada pelo STF: a Primeira Turma decidiu, por unanimidade, que a decisão sobre a cassação cabe à Câmara dos Deputados. Em março de 2026, o PSOL protocolou pedido de cassação dos deputados condenados. Nos registros da Câmara dos Deputados, ele segue como deputado titular pelo PL do Maranhão, e sua atividade parlamentar continuou em 2026 — em 28 de agosto de 2026 apresentou a PEC 16/2026, que trata da ratificação de registros de imóveis rurais em faixa de fronteira.
Família na política
Josimar Maranhãozinho é casado com Maria Deusdete Lima Cunha Rodrigues, conhecida como Detinha, deputada federal pelo PL do Maranhão desde 2023. Detinha foi prefeita de Centro do Guilherme entre 2009 e 2017 e deputada estadual de 2019 a 2023, além de presidente estadual do PL Mulher.
Outros parentes ocupam cargos eletivos no Maranhão, entre eles a deputada estadual Fabiana Vilar e o vereador de São Luís Aldir Júnior, ambos sobrinhos do deputado.
No Congresso
ver perfil completo na Câmara →Votos, projetos e discursos de Josimar Maranhãozinho (PL-MA) na Câmara dos Deputados, com fonte primária em cada item. Selecionados por relevância, não tudo o que aconteceu.
Acrescenta os art. 68-A no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias para ratificar os registros de imóveis rurais em faixa de fronteira concedidos pelos estados antes da promulgação desta Constituição Federal e dá outras providências.
O Superior Tribunal de Justiça passará a filtrar quais processos merecem ser julgados com base na relevância social, econômica ou jurídica. Hoje, o tribunal é obrigado a analisar quase todos os recursos que chegam à corte, independentemente do impacto do tema. Ganham os ministros, que terão menos processos para julgar, e perdem os cidadãos, que terão mais dificuldade para levar suas causas ao tribunal.
Pequenos produtores rurais que cultivam para o próprio sustento terão regras mais leves ao serem punidos por danos ambientais. Atualmente, esses produtores respondem pelas infrações seguindo as mesmas normas rigorosas aplicadas a grandes empresas e latifundiários. O projeto beneficia quem vive da agricultura familiar, enquanto órgãos de fiscalização passam a ter a obrigação de aplicar sanções diferenciadas.
