Visão geral
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) é um programa de cooperação do Ministério da Saúde que manda profissionais, equipamentos e hospitais de campanha a estados e municípios quando uma epidemia, um desastre ou a falta de atendimento passam da capacidade de resposta local. Foi instituída pelo Decreto nº 7.616, de 17 de novembro de 2011, o mesmo que criou a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN).
Desde junho de 2026, a FN-SUS deixou de ser centralizada e passou a ter bases regionais permanentes. Em 20 de outubro de 2026 começou a funcionar a base de Manaus, a quarta do país e a primeira na Amazônia, aberta durante a crise de fumaça das queimadas no Amazonas. Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro já tinham as suas.
O que é e como funciona
O decreto de 2011 define a FN-SUS como um "programa de cooperação voltado à execução de medidas de prevenção, assistência e repressão a situações epidemiológicas, de desastres ou de desassistência à população". O Ministério da Saúde é o gestor: define as diretrizes, convoca e coordena as equipes e mantém o cadastro de profissionais e especialistas que podem ser chamados. Segundo o ministério, a FN-SUS nasceu como resposta ao desastre da Região Serrana do Rio de Janeiro, em janeiro de 2011.
Quem faz parte. Pelo artigo 15 do decreto, podem integrar a Força:
- servidores de hospitais federais e de hospitais universitários federais;
- servidores do Ministério da Saúde e de entidades vinculadas;
- profissionais contratados temporariamente por excepcional interesse público;
- servidores estaduais e municipais do SUS, quando o ente aderiu ao programa;
- voluntários da área da saúde.
Os voluntários se cadastram pela plataforma Sou Força, do ministério. Em outubro de 2026, o diretor da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, disse que o banco reúne cerca de 70 mil pessoas que podem ser mobilizadas.
O que a Força faz em campo. Avaliação inicial da situação, apoio técnico e de gestão às secretarias locais, atendimento médico, suporte básico e avançado de vida, remoção de pacientes e operação de hospitais de campanha. Desde 2026 o trabalho começa pelo Diagnóstico Situacional Vivo, um levantamento que junta dados de vigilância e assistência, informações dos gestores e observação em campo para definir o tamanho da resposta: da orientação técnica ao envio de equipes e hospitais de campanha.
Como a Força Nacional do SUS é acionada
A Portaria GM/MS nº 2.952, de 14 de dezembro de 2011, que regulamenta o decreto, prevê quatro formas de convocação, todas por ato do ministro da Saúde:
- depois da declaração de uma ESPIN;
- a pedido do Comitê Gestor da FN-SUS, em outras emergências de saúde pública;
- a pedido de estados, municípios ou do Distrito Federal, quando a capacidade de resposta local se esgota;
- para ações humanitárias e respostas internacionais coordenadas.
O que é uma ESPIN. A Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional é declarada pelo ministro em três tipos de situação: epidemiológicas (surtos ou epidemias com risco de disseminação nacional, agente inesperado, doença reintroduzida, gravidade elevada ou que superem a capacidade do estado), desastres reconhecidos pelo governo federal como situação de emergência ou calamidade pública, e desassistência à população, quando um estado ou município decreta emergência porque não consegue atender a demanda.
Cada convocação tem um ato do ministro com os limites e o prazo da atuação. Os servidores mobilizados ficam sob coordenação do Ministério da Saúde só enquanto durar a designação e mantêm salário e vínculo com o órgão de origem.
Missões
O Ministério da Saúde descreve missões em desastres naturais, acidentes de grande porte, emergências sanitárias e eventos de massa. Entre as que o próprio ministério documentou:
Terra Indígena Yanomami (2023). Em janeiro de 2023, com a declaração de emergência em saúde pública no território yanomami, a FN-SUS foi convocada e abriu chamada para novos voluntários. Enfermeiros, médicos e fisioterapeutas passaram a atender na Casa de Saúde Indígena (Casai) Yanomami e no hospital de campanha do Exército.
Enchentes no Rio Grande do Sul (2024). A partir de 5 de maio de 2024, a FN-SUS montou quatro hospitais de campanha, em Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo e Novo Hamburgo, além de equipes volantes, atendimento a indígenas, apoio psicossocial e remoções aéreas. Em meados de junho, 120 integrantes trabalhavam nos hospitais de campanha. Em dois meses, a Força passou de 20 mil atendimentos; só o hospital de Canoas atendeu mais de 5,6 mil pessoas.
Queimadas no Amazonas (2026). Em 11 de outubro de 2026, um dia depois de o governo federal reconhecer a situação de emergência decretada pelo Amazonas em 36 municípios, o ministério enviou uma equipe da FN-SUS ao estado para fazer o diagnóstico da rede de saúde diante da fumaça, inclusive nas áreas indígenas, com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).
Bases regionais e a base de Manaus
Em 2026, o Ministério da Saúde começou a regionalizar a FN-SUS, até então centralizada. Cada base tem equipe permanente, veículos, posto médico avançado, comunicação via satélite e drones. A meta é chegar ao local da emergência em até 12 horas e mobilizar profissionais e equipamentos adicionais em até 72 horas. As bases fazem parte do AdaptaSUS, plano do ministério para preparar a rede pública para os efeitos das mudanças climáticas.
| Base | Início | Área de referência |
|---|---|---|
| Porto Alegre (RS) | 26 de junho de 2026 | Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná |
| Salvador (BA) | antes de 9 de setembro de 2026 | não divulgada |
| Rio de Janeiro (RJ) | 9 de setembro de 2026 | Região Sudeste |
| Manaus (AM) | 20 de outubro de 2026 | Amazonas e Roraima |
A base de Porto Alegre, a primeira, foi inaugurada pelo ministro Alexandre Padilha com equipe permanente de 44 profissionais. A do Rio funciona na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar, na Glória. Segundo o ministério, Porto Velho (RO) recebe a próxima base ainda na semana de 20 de outubro de 2026, e estão previstas unidades em Fortaleza, Recife, Campo Grande e Belém.
A base de Manaus e a fumaça de 2026. A Base Regional Norte começou a operar em 20 de outubro de 2026 na sede da Superintendência do Ministério da Saúde no Amazonas, na Avenida Djalma Batista, e atende também Roraima. Foi anunciada em 18 de outubro, quando ministros do governo federal estiveram em Manaus e apresentaram um pacote contra os incêndios florestais, com um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas na cidade e 16 aeronaves à disposição. A fumaça tinha piorado a qualidade do ar em várias regiões do estado.
A equipe de Manaus reúne profissionais de gestão, saúde, logística, comunicação de risco e engajamento comunitário com experiência em áreas remotas da Amazônia. No primeiro momento, concentra-se nos efeitos das queimadas. Com a superintendência e as secretarias estadual e municipais, a FN-SUS montou um painel que mostra os estoques de insumos médicos de cada município e calcula rotas e prazos de entrega por barco ou avião, inclusive na seca dos rios; até 20 de outubro, 43 municípios tinham preenchido os dados. "A Força Nacional do SUS está ao lado da população e dos gestores locais nos momentos em que a rede de saúde é mais pressionada", disse Rodrigo Stabeli na abertura.
Linha do tempo
- Janeiro de 2011: chuvas e deslizamentos na Região Serrana do Rio de Janeiro; segundo o ministério, o desastre motiva a criação da Força.
- 17 de novembro de 2011: o Decreto nº 7.616 institui a FN-SUS e a declaração de ESPIN.
- 14 de dezembro de 2011: a Portaria GM/MS nº 2.952 regulamenta o decreto.
- Janeiro de 2023: a FN-SUS é convocada para a emergência de saúde na Terra Indígena Yanomami.
- 5 de maio de 2024: começa a operar o primeiro hospital de campanha da Força nas enchentes do Rio Grande do Sul, em Canoas.
- Julho de 2024: a atuação no Rio Grande do Sul passa de 20 mil atendimentos.
- 26 de junho de 2026: inaugurada em Porto Alegre a primeira base regional.
- 9 de setembro de 2026: começa a funcionar a base do Rio de Janeiro, a terceira.
- 11 de outubro de 2026: equipe da FN-SUS chega ao Amazonas para avaliar a rede de saúde diante das queimadas.
- 20 de outubro de 2026: a base de Manaus, a quarta do país, começa a operar.
Perguntas frequentes
O que é a Força Nacional do SUS? Um programa do Ministério da Saúde, criado em 2011, que mobiliza profissionais e estruturas para apoiar estados e municípios em epidemias, desastres e situações em que a rede local não dá conta do atendimento.
Quem pode acionar a Força Nacional do SUS? A convocação é sempre do ministro da Saúde, mas o pedido pode partir de estados, municípios e do Distrito Federal, do Comitê Gestor da FN-SUS ou decorrer da declaração de uma ESPIN.
Como ser voluntário da Força Nacional do SUS? Profissionais de saúde se cadastram na plataforma Sou Força, do Ministério da Saúde. O cadastro é permanente e serve para futuras missões.
Onde ficam as bases da Força Nacional do SUS? Em outubro de 2026, em Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro e Manaus. Porto Velho, Fortaleza, Recife, Campo Grande e Belém estão previstas.
Quanto tempo a Força leva para chegar? A meta das bases regionais é deslocar a primeira equipe em até 12 horas e mobilizar o reforço necessário em até 72 horas.
Qual a diferença entre a Força Nacional do SUS e a Força Nacional de Segurança Pública? São programas diferentes. A Força Nacional do SUS é do Ministério da Saúde e atua em emergências de saúde; a Força Nacional de Segurança Pública é do Ministério da Justiça e atua em segurança.
A Força Nacional do SUS faz parte do SUS? Sim. É um programa do Sistema Único de Saúde, criado com base na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que organiza o sistema.
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