O SUS foi instituído com o objetivo de superar a fragmentação e a iniquidade do sistema de saúde anterior no Brasil, que era predominantemente focado na assistência médica curativa e com acesso restrito. A Constituição de 1988 estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado, consolidando os princípios da universalidade, integralidade e equidade. Ao longo dos anos, o SUS tem passado por diversas iniciativas para aprimorar seus serviços, como a Rede Cegonha (2011), que visava melhorar a assistência materno-infantil, e sua reestruturação na Rede Alyne (2024), que busca reduzir a mortalidade materna e infantil, especialmente entre mulheres negras.
Em novembro de 2025, o Ministério da Saúde iniciou um curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica pela Rede Alyne, com investimento de R$ 17 milhões, para formar 760 novos profissionais. Esta iniciativa visa fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS, dada a insuficiência de enfermeiros obstétricos no país (apenas 13 mil registrados, com 46% atuando em estabelecimentos de saúde). A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo). A medida busca alinhar o Brasil a modelos de atenção baseados na enfermagem obstétrica, comuns em países desenvolvidos, onde há maior densidade desses profissionais, promovendo partos mais humanizados e com menor intervenção.