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FMC

A FMC Corporation é uma fabricante americana de defensivos agrícolas com sede na Filadélfia, que tem no Brasil seu maior mercado histórico. Em 29 de outubro de 2026, informou prejuízo de US$ 2,07 bilhões no terceiro trimestre, causado por baixas contábeis, cortes de preço a distribuidores no Brasil, nos EUA, no Canadá e na Argentina e vendas menores. A revisão que incluía vender a empresa terminou em junho de 2026 com a entrada do grupo belga Tessenderlo.

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Foto: MainlyTwelve / CC BY-SA 4.0

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O que é a FMC

A FMC Corporation é uma fabricante americana de defensivos agrícolas, com sede na Filadélfia e ações na Bolsa de Nova York (código FMC), que teve prejuízo de US$ 2,07 bilhões no terceiro trimestre de 2026.

  • Vende herbicidas, inseticidas, fungicidas e biológicos.
  • Seu principal produto é o inseticida Rynaxypyr, que perdeu a proteção de patente.
  • Aposta em quatro novos ingredientes ativos: Isoflex, fluindapyr, Dodhylex e rimisoxafen.

FMC no Brasil

Foto: FMC/Reprodução
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Conversa de CEO: FMC Brasil e Falconi analisam como o agro brasileiro supera os desafios do setor

O Brasil é historicamente o maior mercado da FMC, com mais de 20% das vendas, segundo o The AgriBiz. A empresa tem fábrica em Uberaba (MG).

  • Na América Latina, a receita caiu de US$ 463 milhões no terceiro trimestre de 2025 para US$ 264 milhões no mesmo período de 2026.
  • O Brasil é um dos quatro países, com Estados Unidos, Canadá e Argentina, onde a FMC reduziu o preço de produtos que já estavam no estoque dos distribuidores.
  • Renato Guimarães, vice-presidente global e CEO da FMC para a América Latina e o Brasil desde março de 2024, anunciou em 16 de setembro de 2026 que deixa a empresa em novembro. A FMC não indicou substituto na época.

O prejuízo de US$ 2 bilhões no 3º trimestre de 2026

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O tombo anunciado da FMC

Em 29 de outubro de 2026, a FMC informou prejuízo líquido de US$ 2,07 bilhões (US$ 15,54 por ação) no trimestre de julho a setembro, contra prejuízo de US$ 569 milhões um ano antes. A receita caiu 80%, de US$ 542 milhões para US$ 106 milhões. O Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 559 milhões.

O prejuízo tem três origens, segundo o comunicado à SEC:

  • Baixas contábeis sem efeito no caixa: US$ 808,8 milhões em provisões sobre créditos fiscais diferidos, principalmente na Suíça e nos Estados Unidos, e US$ 287,5 milhões de perda no valor de ativos intangíveis.
  • Ações comerciais: cerca de US$ 639 milhões a menos na receita e US$ 672 milhões no Ebitda. Cerca de US$ 500 milhões vêm da troca do modelo de preços na América do Norte, que abandona o preço de tabela alto compensado por descontos (rebates) altos. Os outros US$ 175 milhões vêm da redução de preço de produtos caros já em poder de distribuidores no Brasil, nos Estados Unidos, no Canadá e na Argentina. Só esta parte reduz o caixa futuro.
  • Demanda fraca: sem a Índia e as ações comerciais, a receita caiu 22%, com volume 21% menor. Distribuidores cortaram pedidos nas últimas semanas do trimestre.

A FMC atribui o problema à queda de preços puxada por genéricos e a distribuidores que operam com estoque mínimo por causa do custo do crédito.

Revisão estratégica e venda

Em 4 de fevereiro de 2026, o conselho autorizou estudar opções estratégicas, incluindo a venda da empresa.

A revisão terminou em 30 de junho de 2026 sem venda. O grupo belga Tessenderlo concordou em comprar cerca de 20% das ações a US$ 13,30 cada. O negócio, de US$ 403 milhões, foi concluído em 23 de setembro de 2026, e o CEO da Tessenderlo, Luc Tack, entrou no conselho da FMC em 21 de outubro.

Para cortar cerca de US$ 1 bilhão em dívida, a FMC também:

  • acertou a venda da operação comercial na Índia à Crystal Crop Protection por US$ 252 milhões, com conclusão prevista para 2026;
  • licenciou uma tecnologia à Corteva, com pagamento antecipado de US$ 200 milhões;
  • emitiu US$ 1,2 bilhão em títulos de dívida com garantia.

Ações da FMC

Em 15 de outubro de 2026, quando antecipou o resultado e anunciou as ações comerciais, as ações caíram mais de 30% na Bolsa de Nova York, ao menor nível desde 2003, segundo a Bloomberg citada pelo The AgriBiz. A FMC disse que cumpriria os limites de endividamento acertados com bancos em 30 de setembro, mas que vai negociar mais folga.

História

A empresa nasceu em 1883 como Bean Spray Pump Company, em Los Gatos, na Califórnia, fabricante de bombas para pulverizar inseticida em pomares. Em 1928 virou Food Machinery Corporation, daí a sigla FMC, e em 1961 passou a se chamar FMC Corporation. Ao longo do século 20 fabricou máquinas, guindastes e veículos militares, como o blindado M113.

A partir dos anos 1980, separou ou vendeu essas áreas. Em 2001, o negócio de energia virou a FMC Technologies. Em 2017, a FMC ficou com parte do portfólio de defensivos que a DuPont teve de vender na fusão com a Dow. Em 2019, separou a Livent, de lítio, e ficou só com o negócio agrícola.

Quem comanda

Pierre Brondeau é presidente do conselho, CEO e presidente da FMC. Ele foi CEO de 2010 a junho de 2020 e voltou ao cargo em 11 de junho de 2024, no lugar de Mark Douglas.

O que acontece agora

  • A FMC prevê receita de US$ 1,04 bilhão a US$ 1,14 bilhão no quarto trimestre de 2026, sem a Índia, e lucro ajustado de US$ 0,56 a US$ 0,70 por ação.
  • Para 2026 inteiro, prevê prejuízo ajustado de US$ 3,50 a US$ 3,66 por ação.
  • A transição do novo modelo de preços deve levar três trimestres.
  • Brondeau diz que as medidas preparam a empresa para resultado melhor em 2027 e mais crescimento em 2028.

Linha do tempo

  • 1883: John Bean funda a Bean Spray Pump Company na Califórnia.
  • 11 de junho de 2024: Pierre Brondeau volta a ser CEO.
  • 4 de fevereiro de 2026: conselho autoriza estudar a venda da empresa.
  • 30 de junho de 2026: acordo com a Tessenderlo encerra a revisão estratégica.
  • 15 de outubro de 2026: FMC anuncia corte de preços e novo modelo de vendas; ações caem mais de 30%.
  • 29 de outubro de 2026: FMC divulga prejuízo de US$ 2,07 bilhões no terceiro trimestre.

Perguntas frequentes

Por que a FMC teve prejuízo de US$ 2 bilhões?

Por baixas contábeis de créditos fiscais e intangíveis, pelo corte de preços a distribuidores e pela troca do modelo de descontos nos EUA, além de vendas 21% menores.

A FMC vai ser vendida?

Não por ora. A revisão estratégica que incluía a venda terminou em 30 de junho de 2026 com a entrada da Tessenderlo, dona de cerca de 20% das ações.

A FMC Technologies é a mesma empresa?

Não. A FMC Technologies foi separada da FMC em 2001 e hoje faz parte da TechnipFMC, do setor de petróleo.

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