Daily Journal
Daily Journal

Eleições na África do Sul 2026

As eleições municipais da África do Sul aconteceram em 4 de novembro de 2026 para escolher 257 câmaras, com 29,2 milhões de eleitores registrados. São um teste para o ANC do presidente Cyril Ramaphosa, que perdeu a maioria nacional em 2024. Com 46% dos distritos apurados na tarde de 5 de novembro, o ANC tinha 32,1% e o DA, 27,0%; o DA liderava em Joanesburgo. A comissão eleitoral tem até 11 de novembro para declarar as câmaras metropolitanas e locais.

Daily Journal
Foto: Husskeyy / CC BY-SA 4.0

Atualizado em

|||4 revisões

O que são as eleições na África do Sul em 2026

As eleições municipais da África do Sul aconteceram em 4 de novembro de 2026 e escolhem as câmaras das 257 municipalidades do país. O voto é visto como um teste para o Congresso Nacional Africano (ANC), partido do presidente Cyril Ramaphosa, que perdeu a maioria nacional em 2024. As pesquisas previam queda do ANC e governos de coalizão nas maiores cidades.

  • Eleitores registrados: 29,2 milhões, recorde.
  • Vagas: 10.526 cadeiras, disputadas por mais de 136 mil candidatos.
  • Partidos: mais de 500; o Daily Maverick contou 546.
  • Locais de votação: 23.696, abertos das 7h às 21h, horário local.
  • Organização: Comissão Eleitoral da África do Sul (IEC), órgão independente.

Quem ganhou: como está a apuração

Ainda não há resultado. Às 16h33 de 5 de novembro em Joanesburgo (11h33 em Brasília), 46% dos 23.696 distritos de votação estavam apurados. No voto em lista, o ANC tinha 32,1%, o DA, 27,0%, o MK, 7,2%, o EFF, 5,8%, e o ActionSA, 4,0%, segundo o painel do The Outlier, que usa os dados da IEC. Não existe um vencedor nacional: cada câmara é decidida separadamente.

A parcial não indica o resultado final. A diferença entre ANC e DA cresceu desde a madrugada, e a liderança mudou em Tshwane e Mangaung. Em Joanesburgo, 24% dos votos estavam contados, e em eThekwini (Durban), 4%.

CidadeQuem lideraVotos contados
JoanesburgoDA, 38,1%24%
Cidade do CaboDA, 61,1%34%
eThekwini (Durban)MK, 38,3%4%
Tshwane (Pretória)DA, 33,1%33%
EkurhuleniDA, 36,5%33%
Nelson Mandela BayDA, 40,5%44%
Buffalo CityANC, 39,3%66%
MangaungANC, 34,2%33%

Das 205 câmaras locais, 67 tinham cadeiras declaradas: o ANC venceu em 12, o DA em 4, o MK em 2 e outro partido em 1. Outras 48 ficaram sem maioria.

A IEC tem até sete dias para declarar os resultados das câmaras metropolitanas e locais, ou seja, até 11 de novembro. A Reuters e a AFP esperam o resultado final até domingo, 8 de novembro. Os resultados das câmaras distritais podem levar até 14 dias.

Até as 17h do dia da votação, 12 milhões de pessoas, mais de 40% dos registrados, tinham votado, segundo dados preliminares da IEC. Nos distritos já contados, a IEC publica comparecimento de 50,92%, número que ainda não vale para o país. Na eleição municipal de 2021, o comparecimento final foi de 45,86%.

Por que a eleição importa

As municipalidades cuidam de serviços como água, luz, coleta de lixo e estradas locais. A falta de água e os cortes de energia dominaram a campanha. Apenas 39 das 257 municipalidades receberam parecer sem ressalvas da auditoria-geral em 2024-25, e nenhuma das três grandes cidades da província de Gauteng estava entre elas.

O resultado também pesa na política nacional. Ele antecipa a eleição geral de 2029 e pode influenciar a sucessão no ANC, já que o mandato de Ramaphosa como líder do partido termina em 2027. Nacionalmente, ANC e DA governam juntos desde 2024, mas nas cidades são adversários.

ANC, DA, MK e EFF: os principais partidos

  • ANC (Congresso Nacional Africano): partido de Nelson Mandela, governa o país desde 1994. Teve 45,6% na eleição municipal de 2021 e 40,2% na nacional de 2024.
  • DA (Aliança Democrática): segunda maior força, liderada por Geordin Hill-Lewis, prefeito da Cidade do Cabo. Teve 21,6% em 2021 e 21,8% em 2024.
  • MK (uMkhonto weSizwe): partido do ex-presidente Jacob Zuma, disputa sua primeira eleição municipal. Teve 14,6% em 2024. Zuma ficou longe da campanha a partir do início de outubro, período em que foi internado.
  • EFF (Combatentes pela Liberdade Econômica): esquerda radical, liderada por Julius Malema. Teve 10,3% em 2021.
  • Outros: o IFP é forte em KwaZulu-Natal; ActionSA, de Herman Mashaba, e a Patriotic Alliance fizeram da imigração tema de campanha.

O que diziam as pesquisas

Na pesquisa Ipsos feita de 12 de setembro a 13 de outubro de 2026, com 2.533 eleitores registrados, o ANC tinha 30%, o DA, 28%, o MK, 12%, o EFF, 10%, e ActionSA e IFP, 4% cada. É o menor número do ANC nessa série. A Ipsos alertou que a pesquisa não é previsão e que o ANC costuma crescer no fim da campanha. A Social Research Foundation deu 32% ao ANC e 26% ao DA em setembro e outubro.

A disputa nas grandes cidades

Oito centros urbanos concentram a disputa. Só três deles são governados hoje por um único partido.

  • Joanesburgo: Helen Zille, de 75 anos, ex-prefeita da Cidade do Cabo, concorre pelo DA. A cidade teve seis ou sete prefeitos desde 2021, conforme a contagem. O DA liderava com 30% contra 27% do ANC na Ipsos, e 36% contra 22% na Social Research Foundation. O governo exige 136 votos em 270. Zille descarta aliança com EFF e MK.
  • Durban (eThekwini): o MK liderava com 47% na Ipsos, seguido do DA com 21%; o ANC tinha 10%. É a maior mudança prevista: em 2021, o ANC teve 42% ali.
  • Tshwane (Pretória): DA com 34% e ANC com 31% na Ipsos. A prefeita atual é Nasiphi Moya, da ActionSA.
  • Ekurhuleni e Nelson Mandela Bay: disputas apertadas entre DA e ANC, dentro da margem de erro nas pesquisas da MarkData.
  • Cidade do Cabo: o DA é favorito a manter a maioria, com 51% na Ipsos.

Como funciona o voto

YouTube

Understanding the Voting Process | 2026 LGE: 4 November 2026

O eleitor não escolhe o prefeito. Ele vota em vereadores e partidos, e a câmara elege o prefeito depois. Metade das cadeiras vai para os vencedores de cada distrito (ward), e a outra metade é distribuída para que o total de cada partido reflita sua votação. Quem mora em grandes cidades recebe duas cédulas; nas demais municipalidades, são três, com uma para a câmara distrital.

Se nenhum partido passa de metade das cadeiras, é preciso negociar uma coalizão. Por isso, chegar em primeiro não garante o governo. Em Joanesburgo, as coalizões formadas depois de 2021 caíram várias vezes, e analistas ouvidos pelo Guardian apontam essa instabilidade como causa importante da piora dos serviços.

Imigração e violência na campanha

Grupos como Operation Dudula e March and March fizeram protestos contra imigrantes em 2026, e vários partidos adotaram o tema. Mais de 178 mil migrantes africanos deixaram o país até agosto, em meio a ataques e operações do governo, segundo a Anadolu. Ramaphosa mandou centenas de soldados para KwaZulu-Natal no período eleitoral.

A campanha também teve mortes. Em outubro de 2026, seis integrantes do ANC foram mortos a tiros em dois ataques, um deles durante campanha porta a porta perto de Durban. A entidade Global Initiative contou ao menos 43 mortes em ataques de suspeita motivação política até setembro, mais do que em todo o ano de 2021 ou de 2024.

No dia da votação, a IEC relatou poucos incidentes, entre eles o furto de cédulas não usadas em eThekwini. Observadores registraram filas de duas horas ou mais em alguns locais.

O que vem depois da eleição

Depois da declaração dos resultados, as novas câmaras se reúnem e elegem os prefeitos. Onde não houver maioria, as negociações podem pesar tanto quanto o voto. O Parlamento analisa um projeto de lei para regular coalizões municipais, apresentado em 18 de agosto de 2026. A próxima eleição geral, que define Parlamento e presidente, está prevista para 2029.

Linha do tempo

  • 1994: primeira eleição aberta a todas as raças; Nelson Mandela chega à Presidência.
  • 2021: o ANC fica abaixo de 50% em eleição municipal pela primeira vez, com 45,6%.
  • 29 de maio de 2024: o ANC perde a maioria nacional, com 40,18%.
  • 14 de junho de 2024: ANC e DA formam governo de unidade nacional, e Ramaphosa é reeleito.
  • Outubro de 2026: seis integrantes do ANC são mortos a tiros durante a campanha.
  • 2 e 3 de novembro de 2026: voto antecipado especial.
  • 4 de novembro de 2026: votação em todo o país. As urnas fecham às 21h, horário local, e a contagem começa.

Perguntas frequentes

Quando foram as eleições na África do Sul em 2026?

Em 4 de novembro de 2026. O voto antecipado especial aconteceu em 2 e 3 de novembro, com cerca de 1,4 milhão de votantes.

Quem ganhou as eleições na África do Sul?

O resultado ainda não saiu. Com cerca de 21% dos distritos apurados às 8h43 de 5 de novembro em Joanesburgo, o ANC tinha 31,6% e o DA, 30,5%. A IEC tem até 11 de novembro para declarar as câmaras metropolitanas e locais.

Quais são as próximas eleições na África do Sul?

A eleição geral, prevista para 2029.

A África do Sul elege o presidente pelo voto direto?

Não. O eleitor escolhe o Parlamento, e a Assembleia Nacional elege o presidente. Ramaphosa foi reeleito assim em 14 de junho de 2024, com 283 votos.

Quem ganhou as eleições de 2024 na África do Sul?

O ANC ficou em primeiro com 40,18%, mas perdeu a maioria pela primeira vez desde 1994. O DA teve 21,81% e o MK, 14,58%. O ANC formou então um governo de unidade nacional com o DA e outros partidos.

Como foram as primeiras eleições na África do Sul, em 1994?

Foram as primeiras abertas a todas as raças e encerraram o apartheid. O ANC venceu, e Nelson Mandela se tornou o primeiro presidente negro do país.

Notícias relacionadas

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.