O que é o caso Erin Patterson
O caso Erin Patterson é o processo criminal contra a australiana Erin Trudi Patterson, condenada por matar três parentes do marido com um almoço de carne ao estilo Wellington preparado com cogumelos venenosos (Amanita phalloides, o chapéu-da-morte), servido em 29 de julho de 2023 na casa dela em Leongatha, no estado de Victoria, na Austrália.
- Vítimas: Don Patterson, de 70 anos, e Gail Patterson, de 70, pais de Simon Patterson, marido de quem Erin estava separada, e Heather Wilkinson, de 66, irmã de Gail, morreram. O marido de Heather, o pastor batista Ian Wilkinson, então com 69 anos, sobreviveu depois de mais de sete semanas no hospital.
- Condenação: em 7 de julho de 2025, um júri da Suprema Corte de Victoria a declarou culpada de três homicídios e uma tentativa de homicídio.
- Pena hoje: em 30 de outubro de 2026, a Corte de Apelação de Victoria rejeitou o recurso dela e, a pedido da promotoria, aumentou a pena para prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.
Decisão da Corte de Apelação (30 de outubro de 2026)
A Corte de Apelação de Victoria, tribunal mais alto do estado, julgou dois recursos ao mesmo tempo: o de Patterson contra a condenação e o da promotoria contra a pena. Os juízes Stephen McLeish, Lesley Taylor e Peter Kidd anunciaram a decisão às 10h de 30 de outubro de 2026 (horário de Melbourne). Patterson acompanhou por vídeo do presídio feminino Dame Phyllis Frost Centre.
O recurso contra a condenação
A defesa apresentou sete argumentos de erro judiciário. O tribunal aceitou examinar só dois e rejeitou os dois no mérito:
- Hospedagem dos jurados: os jurados, isolados durante o julgamento, ficaram no mesmo hotel que o detetive principal do caso e membros da acusação. Para a corte, não havia possibilidade de isso ter levado o júri a um veredito errado.
- Dados do celular: a defesa contestava o uso de dados do telefone de Patterson como prova; o tribunal considerou a prova admissível.
Os outros cinco argumentos, entre eles uma queixa sobre o interrogatório feito pela promotora principal, foram rejeitados de saída.
O aumento da pena
Em setembro de 2025, o juiz Christopher Beale havia condenado Patterson a três prisões perpétuas pelos homicídios e a 25 anos pela tentativa de homicídio, com um período mínimo de 33 anos antes de poder pedir condicional. Ela poderia sair em 2056, aos 82 anos. O diretor da promotoria de Victoria, Brendan Kissane, recorreu dizendo que a pena era "manifestamente inadequada".
A Corte de Apelação concordou e retirou o período mínimo. "Este crime foi extraordinariamente frio e calculado e deve ser denunciado nos termos mais fortes", disse McLeish em nome dos três juízes. Ele citou a falsa alegação de câncer, a destruição de provas, o planejamento do almoço e a "cruel quebra de confiança" com os parentes.
Segundo a agência Associated Press, Patterson é a segunda mulher na Austrália condenada à prisão perpétua sem possibilidade de condicional. A primeira foi Katherine Knight, sentenciada em Nova Gales do Sul em 2001.
O que aconteceu no almoço
Patterson convidou os sogros e os tios do marido para almoçar com o pretexto de que tinha recebido um diagnóstico de câncer, o que era mentira. Serviu porções individuais de carne Wellington (filé envolto em massa folhada). Simon Patterson foi convidado e não foi. No dia seguinte, os quatro convidados deram entrada em hospitais com sintomas que pareciam gastroenterite e evoluíram para falência do fígado.
Gail Patterson e Heather Wilkinson morreram em 4 de agosto de 2023. Don Patterson morreu em 5 de agosto, mesmo depois de receber um transplante de fígado. Ian Wilkinson teve alta em 23 de setembro.
Investigação e julgamento
Em depoimento à polícia, Patterson disse ter comprado cogumelos secos num mercado asiático de Melbourne meses antes. A polícia achou num depósito de lixo de Koonwarra o desidratador de alimentos que ela tinha jogado fora; o aparelho tinha as impressões digitais dela e vestígios da toxina do chapéu-da-morte. Ela foi presa em 2 de novembro de 2023.
O julgamento começou em 29 de abril de 2025 em Morwell, a pedido da ré. A acusação mostrou que ela mentiu sobre o câncer, sobre ter um desidratador e sobre a origem dos cogumelos, e que reiniciou o celular várias vezes depois do almoço. A defesa admitiu as mentiras, mas sustentou que os cogumelos colhidos na natureza foram parar na comida por engano e que as mortes foram "um terrível acidente". O júri a condenou por todas as acusações em 7 de julho de 2025. A audiência de fixação da pena foi a primeira transmitida ao vivo na história de Victoria.
Motivo
A promotoria não precisou provar um motivo e disse no julgamento que não tentaria fazê-lo. No julgamento, testemunhas e mensagens descreveram um afastamento entre Patterson e a família do marido nos dois anos anteriores, com uma disputa sobre pensão dos filhos e mensagens em que ela criticava Simon e os pais dele. Patterson afirmou que o almoço era uma tentativa de reaproximação.
O que acontece agora
O único caminho que resta à defesa é a Alta Corte da Austrália, que escolhe poucos casos e só aceita reexaminar uma decisão quando há erro claro na aplicação da lei. Uma segunda apelação em Victoria só é possível, desde 2019, diante de prova nova e convincente. Em 2020, a Alta Corte anulou a condenação do cardeal George Pell depois que a Corte de Apelação de Victoria a havia mantido, caso citado pelo pesquisador Christopher Corns à ABC como exemplo raro de sucesso nessa via.
Livros, documentários e séries
- Revealed: Death Cap Murders: série documental em três partes da plataforma australiana Stan, dirigida por Gil Marsden, estreou em setembro de 2025.
- The Mushroom Tapes: livro de Helen Garner, Chloe Hooper e Sarah Krasnostein (2025), premiado como livro de não ficção do ano no ABIA 2026.
- Mushroom Murders: minissérie de seis episódios encomendada pelo Paramount+ em outubro de 2026, com Melanie Lynskey no papel de Erin Patterson; cobre os 97 dias entre o almoço e a prisão.
- Toxic: série dramática da emissora pública ABC anunciada em julho de 2025.
- A ABC também produziu o podcast diário Mushroom Case Daily durante o julgamento.
Linha do tempo
- 29 de julho de 2023: Patterson serve o almoço com cogumelos venenosos em Leongatha.
- 4 e 5 de agosto de 2023: morrem Gail Patterson, Heather Wilkinson e Don Patterson.
- 2 de novembro de 2023: Patterson é presa e acusada.
- 29 de abril de 2025: começa o julgamento em Morwell.
- 7 de julho de 2025: o júri a condena por três homicídios e uma tentativa de homicídio.
- 8 de setembro de 2025: o juiz Christopher Beale fixa prisão perpétua com mínimo de 33 anos.
- 19 e 20 de agosto de 2026: a Corte de Apelação ouve o recurso da defesa e o da promotoria.
- 30 de outubro de 2026: a Corte de Apelação mantém a condenação e impõe prisão perpétua sem condicional.
Perguntas frequentes
Erin Patterson ganhou o recurso?
Não. Em 30 de outubro de 2026, a Corte de Apelação de Victoria rejeitou o recurso contra a condenação e aceitou o da promotoria, impondo prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.
Qual a pena de Erin Patterson?
Prisão perpétua sem possibilidade de condicional, desde 30 de outubro de 2026. Antes, a pena era perpétua com mínimo de 33 anos, o que permitiria pedir liberdade em 2056.
Quem morreu no caso dos cogumelos?
Don e Gail Patterson, sogros de Erin, e Heather Wilkinson, irmã de Gail. Ian Wilkinson, marido de Heather, sobreviveu.
Qual foi o motivo do crime?
Nenhum motivo foi provado no julgamento, e a promotoria não precisou prová-lo. Patterson estava afastada da família do marido e sustentou que o envenenamento foi acidental, versão que o júri rejeitou.
Erin Patterson ainda pode recorrer?
Pode pedir à Alta Corte da Austrália para examinar o caso, mas a corte aceita poucos pedidos e exige um erro claro na aplicação da lei.
Tem documentário sobre Erin Patterson?
Sim. A série documental Revealed: Death Cap Murders, da plataforma australiana Stan, estreou em setembro de 2025, e o Paramount+ prepara a minissérie dramática Mushroom Murders, com Melanie Lynskey.
