Visão geral
A Alphabet Inc., empresa controladora do Google, é um conglomerado multinacional de tecnologia com foco em serviços e produtos relacionados à internet, inteligência artificial (IA) e outras tecnologias. Recentemente, a empresa tem expandido significativamente seus investimentos no setor de energia limpa, impulsionada pela crescente demanda por capacidade computacional e energética para o desenvolvimento da IA. Em 12 de janeiro de 2026, a Alphabet atingiu pela primeira vez a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado, juntando-se a um seleto grupo de empresas com valorização similar.
O que é a Alphabet e o que ela controla
A Alphabet foi criada em 2015 como uma holding descrita pelos próprios fundadores como "principalmente uma coleção de empresas", na qual o Google é a maior delas. A reorganização separou o Google — busca, publicidade, YouTube, Android, Chrome, Google Cloud — das demais apostas do grupo, cada uma com seu próprio comando: entre elas a Calico (pesquisa sobre longevidade), a divisão de ciências da vida e o laboratório X, incubadora de projetos como o serviço de entrega por drones Wing.
Sundar Pichai foi nomeado CEO do Google na mesma reorganização de 2015 e acumula desde 2019 o comando da Alphabet. As ações da holding são negociadas na Nasdaq em duas classes: GOOGL (classe A, com direito a voto) e GOOG (classe C, sem voto). Em 2026 o valor de mercado da companhia se manteve acima de US$ 4 trilhões.
Contexto e histórico
A Alphabet, por meio de sua subsidiária Google, tem sido uma das principais impulsionadoras da inovação tecnológica global. Com o avanço rápido da inteligência artificial, a demanda por energia para alimentar data centers e infraestruturas de computação tem crescido exponencialmente. Este cenário levou a Alphabet a buscar soluções estratégicas para garantir um fornecimento de energia sustentável e robusto, especialmente através de fontes limpas, para apoiar suas operações e o desenvolvimento contínuo de IA. O crescimento e a força da companhia no mercado global foram evidenciados em janeiro de 2026, quando seu valor de mercado alcançou a marca de US$ 4 trilhões.
Resultados financeiros e ações
No segundo trimestre de 2026, divulgado em 22 de julho de 2026, a Alphabet registrou receita de US$ 119,8 bilhões, alta de 24% sobre os US$ 96,4 bilhões do mesmo período do ano anterior. O lucro operacional somou US$ 40,8 bilhões, avanço de 30%, com margem operacional de 34%. O lucro líquido de US$ 112,1 bilhões foi inflado por um ganho contábil de cerca de US$ 98 bilhões com participações acionárias não realizadas — um efeito não recorrente que distorce a comparação com trimestres anteriores.
O destaque operacional foi o Google Cloud, com receita de US$ 24,77 bilhões e crescimento de 82%, puxado pela demanda por infraestrutura e soluções de IA, e lucro operacional de US$ 8,8 bilhões. Apesar dos números acima do esperado, a ação caiu cerca de 5% após o anúncio, reação à projeção de investimento em capital (capex) de US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões para 2026.
Publicidade: a receita por linha de negócio
A publicidade continua sendo o negócio que sustenta a Alphabet. No formulário 10-Q referente ao trimestre encerrado em 30 de junho de 2026, a receita publicitária do Google somou US$ 81,63 bilhões, ou cerca de 68% dos US$ 119,80 bilhões de receita total da companhia. A linha se divide em três: Google Busca e outros, com US$ 63,27 bilhões; anúncios no YouTube, com US$ 11,06 bilhões; e a Google Network — os anúncios que o Google vende em sites e aplicativos de terceiros —, com US$ 7,30 bilhões.
O restante da receita vem de assinaturas, plataformas e dispositivos (US$ 12,91 bilhões), que somados à publicidade formam o segmento Google Services, de US$ 94,54 bilhões; do Google Cloud (US$ 24,77 bilhões); e das Other Bets (US$ 382 milhões), a rubrica das apostas de longo prazo. Ganhos com operações de hedge acrescentaram US$ 106 milhões.
No próprio 10-Q a companhia atribui o crescimento da receita de busca a fatores interligados: aumento no número de consultas, puxado pela adoção e pelo uso em dispositivos móveis, alta nos gastos dos anunciantes e melhorias nos formatos e na entrega dos anúncios. Os anúncios do YouTube cresceram US$ 1,3 bilhão em relação ao mesmo trimestre de 2025, com impulso primeiro dos formatos de resposta direta e depois dos de marca, ambos beneficiados pelo aumento de investimento dos anunciantes.
A operação é montada sobre uma pilha própria de tecnologia de anúncios: o Google Ads, do lado de quem compra; o AdX, a bolsa de anúncios; e o DoubleClick for Publishers (DFP), o servidor usado pelos editores, os dois últimos empacotados no Google Ad Manager. É exatamente essa integração vertical que está no centro das ações de concorrência nos Estados Unidos e na Europa — a Comissão Europeia concluiu, ao multar a empresa em € 2,95 bilhões em 5 de setembro de 2025, que o DFP informava ao AdX antecipadamente o valor do melhor lance das bolsas concorrentes e que o Google Ads contornava bolsas rivais para concentrar lances no AdX. O detalhamento dessas disputas está na seção sobre disputas regulatórias e judiciais.
Carteira de participações e base acionária
O ganho contábil não realizado que inflou o lucro do segundo trimestre de 2026 vem da carteira de participações da Alphabet em outras empresas, cujo item mais visível é a SpaceX. O Google investiu US$ 900 milhões na companhia de Elon Musk em 2015; com a abertura de capital da SpaceX em 12 de junho de 2026, a US$ 135 por ação e US$ 86 bilhões captados, a posição passou a ser pública nos formulários 13F. Ao fim do segundo trimestre a Alphabet detinha 551,2 milhões de ações, avaliadas em cerca de US$ 94,2 bilhões pelo preço de 30 de junho (US$ 170,86) — mais de 100 vezes o valor investido.
Isso faz da Alphabet a maior acionista institucional individual da SpaceX por margem larga: os detentores seguintes são a Gigafund Management (171,8 milhões de ações), a Baillie Gifford (51,4 milhões), a BlackRock (51 milhões) e o Ontario Teachers' Pension Plan (50,7 milhões). Os formulários 13F não informam as condições de bloqueio (lock-up) de cada investidor, de modo que a parcela da posição que a Alphabet já poderia vender não é pública.
Do outro lado do balanço, a própria Alphabet virou uma das maiores posições da Berkshire Hathaway. No 13F do segundo trimestre, divulgado em 14 de agosto de 2026, o conglomerado informou a compra de 24.541.369 ações classe A (GOOGL) e 23.603.218 ações classe C (GOOG) — cerca de 48,1 milhões no total, incluindo uma colocação privada de US$ 10 bilhões anunciada em 1º de junho. A posição, avaliada em US$ 37,8 bilhões ao fim de junho segundo a Bloomberg, passou Bank of America e Coca-Cola e se tornou a terceira maior da carteira. Foi o segundo trimestre completo de Greg Abel como CEO à frente da alocação de capital da Berkshire, que comprou mais de US$ 23 bilhões em ações no período e também ampliou em 17,5 milhões de ações sua posição na Delta Air Lines.
Gemini e a estratégia de inteligência artificial
O Gemini é a família de modelos de IA do Google e o eixo central da estratégia atual da companhia, tanto no aplicativo voltado ao consumidor quanto na oferta corporativa via Google Cloud. Nos resultados do segundo trimestre de 2026, a empresa informou que o aplicativo Gemini alcançou 950 milhões de usuários ativos mensais e que seus modelos processam 22 bilhões de tokens por minuto via API. Cerca de 90% das empresas da Fortune 100 usariam o Gemini Enterprise, e a ferramenta de programação Antigravity chegou a 2,4 milhões de usuários ativos semanais.
Em 11 de agosto de 2026, o Google anunciou que o aplicativo Gemini ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais — cerca de 50 milhões a mais do que os 950 milhões reportados no balanço do segundo trimestre, três semanas antes. Segundo a companhia, 63% dos usuários falam diretamente com o Gemini, uma em cada cinco interações com o Gemini Live vai além da voz (câmera ao vivo ou compartilhamento de tela), o aplicativo gera mais de 150 milhões de imagens por dia, automatiza ações em mais de 40 aplicativos e tem mais de 100 milhões de usuários ativos no iOS.
Gemini 3.7 Flash
Em 13 de agosto de 2026, o Google lançou o Gemini 3.7 Flash, apresentado pela empresa como seu modelo "workhorse" mais inteligente para programação e agentes — três semanas depois do Gemini 3.6 Flash, cadência que marca o ritmo acelerado de atualização da linha Flash. Os ganhos declarados se concentram em código e automação: o DeepSWE v1.1 sobe de 49,0% para 65,3%, o FrontierCode 1.1 Main de 34,4% para 43,6%, o AutomationBench de 17,0% para 30,4% e o Elo no WebDev Arena passa de 1.538 para 1.588.
Até o fim de 2026, o modelo é cobrado a US$ 0,75 por milhão de tokens de entrada e US$ 3,75 por milhão de tokens de saída — metade do preço de lançamento da geração anterior. No aplicativo Gemini, chega pelo Spark, restrito a assinantes AI Pro e Ultra; para desenvolvedores e empresas, está disponível no Antigravity, no AI Studio, no Android Studio, na Gemini Enterprise Agent Platform e no aplicativo Gemini Enterprise.
A estratégia se estende ao fornecimento de infraestrutura para concorrentes diretos. Em maio de 2026, a Anthropic — desenvolvedora do Claude e rival do Gemini — assumiu um compromisso de gastar US$ 200 bilhões com o Google Cloud e com chips do Google ao longo de cinco anos, segundo apuração do The Information. Em agosto de 2026, o Financial Times revelou que o Google montou um programa de financiamento de cerca de US$ 200 bilhões para a Anthropic, com mais de US$ 150 bilhões atrelados às TPUs (os chips de IA desenvolvidos pelo próprio Google) e participação de Broadcom, Blackstone e Apollo. No mesmo período, o Google ofereceu garantias financeiras substanciais para a construção de um campus de data centers da Anthropic no Texas, projeto avaliado em cerca de US$ 15 bilhões.
Assinaturas de IA: Google AI Plus, AI Pro e a oferta para estudantes
O acesso pago ao Gemini é vendido em planos de assinatura. O Google AI Plus dá acesso ao Gemini Omni, limites de uso duas vezes maiores no aplicativo Gemini e 400 GB de armazenamento. O Google AI Pro, cobrado nos Estados Unidos a US$ 19,99 por mês, amplia os limites em quatro vezes e acrescenta o Gemini Spark, o Gemini dentro do Gmail e do Google Docs, 5 TB de armazenamento e o Google Health Premium.
Em 19 de agosto de 2026 a empresa abriu esses planos a universitários matriculados por um ano sem custo. Nos Estados Unidos a oferta é do Google AI Pro; nos demais mercados — mais de 140 países, o Brasil entre eles — o plano gratuito é o Google AI Plus. O resgate vai até 31 de dezembro de 2026 e a matrícula é verificada no cadastro pelo serviço SheerID. Há também um pacote de Google AI Pro com YouTube Premium, com desconto de até 70% para estudantes.
Junto com a oferta veio um espaço dedicado a estudantes dentro do aplicativo Gemini. Ele reúne cadernos de estudo, que dividem um tema em lições curtas com gráficos e imagens e agendam as sessões no Google Calendar, além de flashcards, questionários de treino, visualizações 3D interativas — o pedido "mostre como o DNA funciona em 3D" devolve uma estrutura que o usuário gira e amplia — e o Deep Research dentro do Gemini Live. No Brasil, o Google já havia anunciado no evento Google for Brasil, em 10 de junho de 2026, testes práticos gratuitos e sob demanda para o ENEM no aplicativo Gemini e no Modo IA da Busca.
Vídeo e imagem: Veo, Flow e Nano Banana
Além do Gemini, o Google mantém uma linha de modelos geradores de mídia e uma ferramenta própria para operá-los. O Veo é o modelo de geração de vídeo da companhia, e o Flow é o ambiente de criação construído sob medida para ele, anunciado em 20 de maio de 2025 e desenvolvido em conjunto pelo Google DeepMind, pelo Google Creative Lab e pelo Google Labs, com retorno inicial de cineastas como Dave Clark, Henry Daubrez e Junie Lau. O Flow integra os modelos Gemini, usados para interpretar as instruções em linguagem natural, e o Imagen, para gerar imagens a partir de texto.
Os recursos batizados no lançamento foram os controles de câmera, o Scenebuilder — para editar e estender planos já gerados —, o gerenciamento de ativos e o Flow TV, uma vitrine de clipes feitos por usuários que exibe também as instruções usadas para criá-los. O acesso saiu primeiro nos Estados Unidos, pelas assinaturas Google AI Pro, com 100 gerações por mês, e Google AI Ultra.
Em 25 de fevereiro de 2026 o Google reuniu no Flow duas ferramentas de imagem que rodavam separadas no Google Labs, o Whisk e o ImageFX, transformando-o em um espaço único de criação. O modelo de imagem Nano Banana passou a fazer parte do núcleo do produto, permitindo gerar imagens de alta fidelidade e usá-las na sequência como ingredientes e quadros das gerações de vídeo do Veo sem sair do Flow; a geração de imagens ficou gratuita dentro da ferramenta. A mesma atualização trouxe uma interface redesenhada, gerenciamento de ativos com coleções e filtros e ferramentas de edição pontual, entre elas seleção por laço e desenho livre. A partir de março de 2026, quem usava o Whisk e o ImageFX pôde optar por transferir projetos e ativos para a biblioteca do Flow, que fica em flow.google.
Reestruturação da liderança de IA em agosto de 2026
Em 5 de agosto de 2026, Sundar Pichai anunciou em memorando publicado no blog do Google uma reorganização no topo da área de inteligência artificial da companhia. Demis Hassabis deixou o cargo de CEO do Google DeepMind para assumir a presidência do conselho (Chair) da unidade e, simultaneamente, o posto de cientista-chefe (Chief Scientist) da Alphabet, mantendo o comando da Isomorphic Labs. Em nota interna, Hassabis afirmou que passava as responsabilidades operacionais do dia a dia para ter "tempo e espaço" de se concentrar no quadro geral, e que trabalharia com Pichai em temas "estratégicos e globais" de IA.
Koray Kavukcuoglu, até então diretor de tecnologia do Google DeepMind, foi promovido a vice-presidente sênior da unidade, com reporte direto a Pichai. Cabe a ele conduzir o desenvolvimento do Gemini 4, próximo grande modelo da empresa.
No mesmo anúncio, Jeff Dean — cientista-chefe do Google, funcionário número 30 e responsável por parte das principais conquistas técnicas da companhia — deixou a empresa após 27 anos para fundar a Discovery Loop, organizada como public benefit corporation e voltada a IA aplicada à ciência e à engenharia. Saíram com ele o senior fellow Sanjay Ghemawat, o vice-presidente do DeepMind Oriol Vinyals e Quoc Le, cofundador do Google Brain. Segundo o Google, a saída é amigável e a empresa investirá na nova startup. As ações da Alphabet caíram cerca de 4% no dia, com mínima intradiária de queda de 5,4%.
Londres x Mountain View e o peso de Sergey Brin
O memorando de Pichai não menciona Sergey Brin. A leitura de que a reorganização desloca o centro de decisão para o cofundador vem da apuração de imprensa: o Financial Times informou, em 6 de agosto de 2026, que a mudança vinha sendo preparada havia meses, "consolida a influência de Sergey Brin" e ocorreu depois de executivos manifestarem frustração com a gestão de Demis Hassabis. Reportagem de Richard Nieva na Forbes, publicada no mesmo dia, descreve o mesmo movimento por outro ângulo: o de uma disputa entre o escritório de Londres, onde a DeepMind foi fundada, e o de Mountain View, na Califórnia. Segundo a Forbes, "o centro de gravidade se moveu para Mountain View", com lideranças transferidas de Londres para a sede, e Kavukcuoglu é apontado como a pessoa a quem Brin recorre quando precisa que algo seja feito dentro do Google DeepMind. Um ex-funcionário ouvido pela revista chama o processo de "americanização da DeepMind" e o descreve como o desfecho da fusão entre DeepMind e Google Brain.
Brin deixou a presidência da Alphabet em 2019 e voltou ao trabalho diário na empresa a partir de 2023, quando a fusão dos laboratórios de pesquisa foi decidida e centenas de engenheiros do Brain e da DeepMind foram realocados para o esforço que resultaria no Gemini. Ele não ocupa cargo executivo — permanece cofundador e membro do conselho da Alphabet, sem função formal na estrutura de IA. Em entrevistas, disse estar no Google "praticamente todos os dias" para ajudar no treinamento dos modelos, e Hassabis afirmou publicamente que "Sergey está na lida, programando".
A chegada de Barret Zoph
Em 27 de agosto de 2026, o Wall Street Journal informou que Barret Zoph, cofundador do Thinking Machines Lab, voltava ao Google como vice-presidente de pesquisa. No mesmo dia, Zoph confirmou a mudança em publicação no X: junta-se ao Google DeepMind para trabalhar com aprendizado por reforço (RL) e pós-treinamento, e lembrou ter começado a carreira em IA na turma do Google Brain Residency. "O Google tem todos os ingredientes para continuar tendo muito sucesso no espaço de IA", escreveu.
O trajeto recente passou por duas saídas em sequência: Zoph deixou o Thinking Machines Lab, startup que cofundou com Mira Murati, em janeiro de 2026, e saiu da OpenAI em junho do mesmo ano. A contratação chega no mês em que o Google perdeu Jeff Dean, Sanjay Ghemawat, Oriol Vinyals e Quoc Le para a Discovery Loop.
A equipe de responsabilidade em IA sai do DeepMind
Em 26 de agosto de 2026, o Wall Street Journal, em reportagem de Erin Woo baseada em e-mail interno, revelou que o Google retirou do Google DeepMind a equipe de responsabilidade em IA e a transferiu para a divisão de assuntos globais (global affairs) da companhia. O grupo reúne cerca de 90 pessoas e se dedica a examinar riscos e impactos sociais da tecnologia de IA. É o segundo remanejamento de peso na unidade em menos de um mês, depois da reorganização anunciada em 5 de agosto.
Produtos e serviços
Além da busca e da publicidade, o Google opera um conjunto de produtos de uso massivo: Android (sistema operacional móvel), Chrome (navegador), YouTube (vídeo), Gmail, Google Maps, Google Fotos, Google Tradutor, Google Meet, Google Earth, Google Acadêmico e Google Flights. O Google Cloud, comandado por Thomas Kurian, concentra a oferta corporativa de infraestrutura e serviços de IA.
Desde 2026, a integração do Gemini a esses produtos é a principal frente de desenvolvimento. No Google Maps, o recurso Ask Maps — anunciado como "a maior transformação do Maps em mais de uma década" pela vice-presidente e gerente-geral do produto, Miriam Daniel — substitui a busca tradicional por uma conversa em linguagem natural. Lançado nos Estados Unidos em março de 2026, foi expandido em 6 de agosto para Austrália, Brasil, Canadá, Indonésia, Japão e México, além de mais de 150 países e territórios em inglês.
A mesma atualização acrescentou capacidades agênticas — o assistente executa tarefas de várias etapas, como localizar restaurantes abertos na rota do usuário e montar o pedido no carrinho, com os parceiros Square e Toast — informações de transporte público em tempo real e a camada Personal Intelligence, que conecta o Ask Maps ao Gmail para considerar voos e reservas já agendados. Os recursos agênticos de pedido de comida, descoberta de hotéis e eventos estavam restritos aos Estados Unidos no lançamento; transporte em tempo real, Personal Intelligence e memória de conversa valem em todos os países onde o Ask Maps está disponível. No evento Google for Brazil, em junho de 2026, a empresa já havia anunciado a chegada do Ask Maps ao Brasil em português, a expansão do Gemini no Chrome para o país e mais de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) via Google.org para ampliar o programa Experience AI.
Busca: fontes preferenciais e o tráfego dos editores
Em Top Stories, o leitor pode marcar veículos como fontes preferidas (Preferred Sources) para vê-los com mais frequência nos resultados. O recurso deixou de ser restrito e passou a valer em todos os idiomas suportados em 30 de abril de 2026, na Busca, no Discover e no Google Notícias. Àquela altura os usuários já haviam escolhido mais de 200 mil sites, de blogs locais a grandes redações, e o Google informou que um leitor tem o dobro de probabilidade de clicar em um site depois de marcá-lo como fonte preferida.
Em 20 de agosto de 2026 a empresa levou o mecanismo para fora do próprio buscador: os editores passaram a poder embutir nas suas páginas um botão de fonte preferida, cujo código está na documentação do Google Search Central, e o site marcado por ali ganha destaque em Top Stories, nos AI Overviews e no Modo IA. O total de fontes únicas escolhidas por usuários passou de 600 mil. O mesmo anúncio trouxe a possibilidade de escrever, no menu de um card do Discover, quais assuntos ou links se quer ver mais (ou menos), e briefings diários em áudio sobre tópicos escolhidos no aplicativo do Google Notícias para Android, com atribuição de fonte e link para a matéria completa. A TechCrunch descreveu o botão como uma nova via oferecida pelo Google aos editores para reagir às perdas de tráfego causadas pela busca com IA.
Viagens: AI Mode, Google Flights e reserva de hotéis
Em 27 de agosto de 2026, o Google levou ao AI Mode — a interface conversacional da Busca — um conjunto de recursos que move a ferramenta de responder sobre viagens para executar etapas do planejamento. O usuário descreve quando e para onde quer voar e recebe as opções com preços de mais de 300 companhias aéreas e sites de viagem; ao pedir o acompanhamento daquela rota e daquelas datas, passa a receber e-mail quando o preço muda. O rastreamento de preços de passagens foi liberado em mais de 180 países.
A reserva de hotéis dentro da própria conversa começou a ser liberada nos Estados Unidos, em inglês, com Booking.com, Choice Hotels International, Expedia, Hilton, Hotels.com, IHG Hotels & Resorts, Marriott International, Priceline, Trip.com e Wyndham Hotels & Resorts. O fluxo cobre comparar quartos, escolher, ler as condições de cancelamento e pagar, sem sair da interface. Também de alcance global é a exibição de preços em milhas aéreas e em pontos de programas de fidelidade.
O movimento coloca a Busca no mesmo terreno das agências de viagem online e dos metabuscadores, que hoje dependem em boa medida do tráfego que o Google encaminha — a mesma tensão que aparece na relação com os editores de notícias.
Raspagem de resultados e o redirecionamento google.com/goto
Desde meados de 2026 o clique em um resultado de busca deixou de levar direto ao site listado. O link passa antes por um endereço intermediário no formato google.com/goto?url=[destino codificado], que só então redireciona para a página. O padrão foi notado por Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, em 8 de julho de 2026, depois de cerca de dois meses de testes.
Em agosto de 2026 a empresa confirmou a implantação ao Search Engine Land. A declaração de um porta-voz não menciona raspagem: "temos um longo histórico de aplicar medidas técnicas contra formas em evolução de abuso, e regularmente tomamos providências para proteger nossos serviços e usuários". O efeito prático é dificultar a coleta automatizada: as URLs de goto não podem ser decodificadas, de modo que quem raspa os resultados precisa seguir cada redirecionamento, o que encarece e desacelera a extração em escala feita por ferramentas de terceiros e por empresas de IA. Derek Perkins, da Nozzle, descreveu um alcance de "quase 100%" do rollout em diversos provedores de IP residencial.
Para o leitor, a mudança tira do navegador a possibilidade de ver a URL de destino completa antes de clicar, embora o Google siga exibindo o endereço abaixo do snippet. Os dados do Google Search Console não são afetados.
Android: verificação de desenvolvedor e sideloading
O Android é o sistema operacional móvel do Google e a base de um ecossistema em que aplicativos podem ser instalados tanto pelas lojas oficiais quanto por fora delas — prática conhecida como sideloading. Em 2026 a empresa passou a restringir esse caminho, com um programa de verificação de desenvolvedor que o Brasil integra desde o primeiro lote.
Pelas regras anunciadas no blog oficial para desenvolvedores, a exigência de registro de aplicativos nas lojas participantes entra em vigor em 30 de setembro de 2026 em quatro países: Brasil, Indonésia, Singapura e Tailândia. A expansão global está prevista para 2027. Sete lojas participam da primeira fase: Google Play, HONOR App Market, OPPO App Market, Galaxy Store, Palm Store, V-Appstore e GetApps. A justificativa declarada pelo Google é impedir que "agentes maliciosos se escondam atrás do anonimato para publicar aplicativos nocivos".
Para quem quiser continuar instalando aplicativos de desenvolvedores não verificados, o Google lançou em agosto de 2026 o chamado fluxo avançado (advanced flow), liberado de forma gradual por meio do aplicativo Android Developer Verifier. O caminho passa pelas opções de desenvolvedor, exige ativar a permissão para desenvolvedores não verificados e impõe um período único e obrigatório de espera de 24 horas antes que a instalação possa ser concluída. Segundo a empresa, o atrito é deliberado: a demora existe para quebrar golpes de engenharia social que dependem de pressão e urgência sobre a vítima. Concluída uma vez, a etapa não se repete — o usuário pode manter a permissão ligada por sete dias ou por tempo indeterminado.
Duas válvulas de escape permanecem abertas. Instalações via ADB (Android Debug Bridge), a ferramenta de linha de comando usada por desenvolvedores, seguem funcionando mesmo depois de setembro de 2026. E o Google criou contas gratuitas de distribuição limitada, que permitem a estudantes e desenvolvedores amadores distribuir aplicativos para até 20 dispositivos sem apresentar documento oficial de identidade nem pagar taxa de registro.
Hardware: a linha Pixel
O Pixel é a linha própria de aparelhos do Google — celulares, relógios e fones — usada como vitrine da integração entre o Android, os chips Tensor projetados pela própria empresa e os recursos de IA do Gemini. O lançamento anual acontece no evento Made by Google.
Na edição de 12 de agosto de 2026, o Google apresentou a linha Pixel 11 em quatro modelos: Pixel 11 (US$ 899), Pixel 11 Pro de 6,3 polegadas (US$ 1.099), Pixel 11 Pro XL de 6,8 polegadas (US$ 1.299) e o dobrável Pixel 11 Pro Fold (US$ 1.899), todos com 256 GB de armazenamento na configuração de entrada e preços acima dos da geração anterior. Todos usam o processador Tensor G6, primeiro chip de smartphone fabricado no nó de 2 nanômetros da TSMC, e saem de fábrica com o Android 17 e a promessa de até sete atualizações principais do sistema. O modelo básico tem tela OLED de 6,3 polegadas, bateria de 4.985 mAh, câmera principal de 48 MP e teleobjetiva de 10,8 MP com zoom óptico de 5x, em quatro cores (Frost, Obsidian, Pistachio e Hibiscus). As encomendas antecipadas abriram no dia do anúncio e a venda aberta está marcada para 20 de agosto de 2026.
O mesmo evento trouxe o Pixel Watch 5, a partir de US$ 399 na caixa de 41 mm e US$ 429 na de 45 mm (mais US$ 100 na versão com conexão celular), com chip Snapdragon W5 Gen 2 Accelerated e resumos mensais de tendências de pressão arterial e de resistência à insulina. O Google também anunciou o Pixel Tag, seu primeiro rastreador de objetos, por US$ 29 a unidade — concorrente direto do AirTag da Apple, mas apoiado na rede Find Hub do Android, com localização pelo aplicativo Find Hub ou pelo Pixel Watch e comando por voz via Gemini. O Pixel Tag só chega às lojas em 11 de novembro de 2026.
Entre os recursos de software apresentados estão a tradução de língua de sinais americana pelo Live Transcribe usando a câmera, o modo de ditado "Rambler" — que reorganiza frases longas e remove vícios de linguagem na transcrição de voz — e o acesso ao Circle to Search direto pela câmera.
Infraestrutura de rede e cabos submarinos
Além dos data centers, o Google opera uma rede própria de cabos submarinos que sustenta a busca, o YouTube e o Google Cloud. Em 11 de agosto de 2026, a empresa anunciou o Americas Connect, conjunto de investimentos em conectividade nas Américas que inclui três novos sistemas de cabos submarinos: o Alisios, ligando República Dominicana, Panamá e Chile; o Canoa, entre República Dominicana e Bermudas; e o OlaLuz, entre República Dominicana e a Flórida.
O anúncio inclui ainda uma nova ramificação do cabo Firmina, originalmente construído para conectar a América do Norte à América do Sul, com aterrissagem direta na República Dominicana. Somados aos cabos Curie, Nuvem e Sol, já em operação, os novos sistemas formam o Americas Connect, que segundo o Google amplia o alcance, a confiabilidade e a resiliência da conectividade entre regiões de nuvem geograficamente separadas, com rotas redundantes para a América do Sul e o Caribe.
Data centers e presença territorial
A expansão da capacidade computacional para IA se traduz em obras físicas, e parte delas avança sob nomes de projeto que só depois são atribuídos publicamente à empresa. Foi o caso do Project Clydesdale, campus de data centers de 506 acres em área não incorporada do condado de Tulsa, a oeste de Owasso (Oklahoma), ao lado do Cherokee Industrial Park. A Beale Infrastructure conduziu a obra desde o início — aprovada pelo conselho de comissários do condado em setembro de 2025 e com lançamento da pedra fundamental em outubro de 2025 —, mas o cliente final permaneceu confidencial até 19 de agosto de 2026, quando o Google confirmou que o campus passará a integrar sua rede global de data centers.
Segundo o Google, a empresa investiu mais de US$ 15 bilhões em Oklahoma desde 2011, e seus aportes e tecnologia sustentaram US$ 2,6 bilhões em atividade econômica no estado em 2025. A projeção para o Clydesdale é de cerca de US$ 3 bilhões em atividade econômica, com construção prevista em quatro fases ao longo de sete anos. O projeto banca aproximadamente 1,5 milha de novas adutoras e melhorias de infraestrutura para o distrito rural de água nº 3 do condado de Washington, além de uma subestação no terreno, financiada pela Beale. Na frente de mão de obra, o Google diz ter destinado mais de US$ 2 milhões a iniciativas regionais de formação e mira mais de 160 vagas de aprendizes em Oklahoma até 2030, em parceria com a electrical training ALLIANCE. Trystine Payfer, gerente de relações públicas da companhia, descreveu o campus como "muito mais do que um investimento em infraestrutura: é um compromisso de longo prazo com o futuro do condado de Tulsa".
A chegada não é consensual. Moradores organizados no grupo Stop Data Colonialism manifestaram preocupação com consumo de água, demanda de energia e ruído, e alegam que houve escuta insuficiente da comunidade antes da aprovação do projeto — uma objeção que se repete em torno de campi de data centers de hiperescala em várias regiões.
Finlândia: € 13 bilhões e o acordo nuclear com a Fortum
Em 9 de setembro de 2026 o Google anunciou o maior investimento que já fez na Europa: € 13 bilhões (cerca de US$ 15,1 bilhões) em infraestrutura digital na Finlândia ao longo de dois anos. O plano cobre quatro localidades — Hamina, onde a empresa opera desde que chegou ao país, há 15 anos, mais os novos sítios de Kajaani, Muhos e Vaala — e é apresentado como a base física para sustentar Gemini, Busca, Maps e YouTube.
Junto veio o primeiro contrato de compra de energia (PPA) nuclear do Google fora dos Estados Unidos, firmado com a estatal finlandesa Fortum. O acordo tem 22 anos e cobre a usina de Loviisa, que opera desde 1970 com dois reatores de água pressurizada VVER-440, de projeto soviético, com 507 MW cada. O PPA entra em vigor em 2028, com volume menor, e a partir de 2030 o Google passa a comprar 50% da capacidade da usina, até 2049.
O contrato tem função de financiamento tanto quanto de suprimento. A Fortum conduz um programa de investimento de cerca de € 1 bilhão para estender a vida útil de Loviisa até 2050, e 80% desse capital ainda dependia de decisões de investimento. Segundo a companhia, o PPA do Google dá a previsibilidade de receita necessária para levar adiante a extensão integral e viabiliza um aumento de 10 MW na capacidade, somado a um reforço de 38 MW já previsto para 2028. "Nossa colaboração com o Google dá uma base sólida para o desenvolvimento contínuo e a operação confiável da nossa usina de Loviisa por décadas", afirmou Markus Rauramo, presidente e CEO da Fortum. As duas empresas assinaram ainda um memorando de entendimento para ampliar a oferta de energia no país e para cooperação em pesquisa e formação de engenheiros.
O pacote finlandês não se limita ao nuclear. O Google informou ter contratado 629 MW de eólica onshore, incluindo dois novos projetos da Valorem e da Suomen Hyötytuuli, e um sistema de baterias de 94 MW ao lado do futuro data center de Kajaani, previsto para o fim de 2027 e cuja operação será otimizada em parceria com a Fortum. "Ao apoiar a extensão da vida útil da usina de Loviisa, que fica perto do nosso data center em Hamina, (...) é fundamental que trabalhemos com parceiros locais de energia para entender o que a rede precisa e investir em soluções que entreguem resiliência e preços acessíveis de longo prazo para todos os consumidores de eletricidade", disse Aris Karcanias, diretor de Energia para EMEA do Google.
Project Braid: atrasos na parceria com a Blackstone
Nem toda a expansão avança no ritmo planejado. Em 8 de setembro de 2026, a Bloomberg informou que a joint venture de nuvem entre a Alphabet e a Blackstone — conhecida internamente como Project Braid — acumula atrasos em sítios de data center que deveriam abrigar as TPUs do Google. A Blackstone aportou US$ 5 bilhões de capital próprio na empresa, que pretende vender capacidade computacional acoplada aos chips do Google em regime de compute-as-a-service, com meta de entregar 500 MW até 2027.
Os obstáculos são físicos e regulatórios: falta de equipamento — um dos sítios ficou sem transformadores elétricos, item cujo prazo de entrega beira um ano —, demora em licenciamento e a suspensão de novos projetos de data center decretada pelo governador do Texas, Greg Abbott, enquanto o estado estuda como repartir o custo da eletricidade. Em Cheyenne, no Wyoming, o Google retirou um projeto das mãos da desenvolvedora Crusoe e assumiu o licenciamento. Segundo a Bloomberg, executivos da empresa estimam hoje 50% de chance de cumprir os prazos de entrega, contra 90% três anos atrás, e a equipe mapeou 29 sítios possíveis em busca de alternativas.
Energia: o acelerador AI for Energy
A demanda elétrica dos data centers de IA levou o Google a atuar também do lado da oferta, e uma das frentes é um programa de aceleração de startups do setor de energia. O Google for Startups Accelerator: AI for Energy teve a primeira turma anunciada em 3 de setembro de 2025, com 29 startups — 15 da América do Norte e 14 da Europa — em um ciclo de 10 a 12 semanas, com mentoria de especialistas do Google em IA e energia, suporte técnico e acesso a ferramentas de IA e ao Google Cloud.
A segunda edição foi lançada em maio de 2026 e teve as selecionadas divulgadas em 27 de agosto de 2026: 28 startups, sendo 12 dos Estados Unidos e 16 da Europa. O programa é livre de participação acionária (equity-free), corre de setembro a novembro de 2026 e é apoiado por mais de 20 parceiros entre concessionárias de energia, operadores de rede e fundos de venture capital da Europa e da América do Norte. O perfil buscado vai de pré-seed a pós-Série A, com tração comercial inicial e tecnologia compatível com o Google Cloud.
Parte da turma trata diretamente do gargalo que o próprio Google enfrenta para energizar data centers. Na América do Norte estão a Camus Energy, cujo software ajuda concessionárias a conectar data centers a fontes locais de energia, a Nyquis, voltada a reduzir o tempo até a energização de data centers e outras cargas novas de grande porte, a Cosmic Robotics, de equipamentos autônomos de construção para usinas solares e data centers, e a Dig Energy, de perfuração modular para geotermia. Na Europa aparecem a britânica Zendo Energy, que otimiza o consumo de energia de data centers, a sueca Deepgrid, usina virtual automatizada para equilibrar a rede nórdica, a dinamarquesa Reblade, de drones que reparam pás de turbinas eólicas, e a espanhola Mitiga Solutions, de análise de risco climático para operadores de rede.
Cadeia de suprimentos: chips e fabricação
A infraestrutura que sustenta os produtos do Google depende de duas cadeias distintas: a dos aceleradores de IA usados nos data centers e a da montagem dos aparelhos Pixel. Em agosto de 2026, ambas apareceram em movimento.
TPU v10 e a parceria com a AMD
Segundo apuração da casa de análise de semicondutores SemiAnalysis, divulgada em 17 de agosto de 2026, o Google estaria trabalhando com a AMD em um projeto da décima geração de sua TPU. Nem o Google nem a AMD confirmaram publicamente a colaboração, e o escopo exato da participação da AMD não é conhecido. Nas nove primeiras gerações de TPU, o parceiro de projeto do chip foi a Broadcom.
O que se atribui à AMD é o fornecimento de núcleos de CPU integrados ao próprio pacote do acelerador. Os atrativos apontados são seu portfólio de propriedade intelectual em x86, a capacidade de empacotamento avançado e a tecnologia 3D SoIC, além da experiência com arquiteturas híbridas de CPU e acelerador — caso do Instinct MI300A. A motivação técnica está no aprendizado por reforço: enquanto o treinamento convencional de modelos de linguagem é dominado pelo acelerador, o treino de modelos de raciocínio e agentes exige bem mais computação de propósito geral ao redor das operações do acelerador. Seria o primeiro envolvimento relevante da AMD em um projeto de ASIC de IA sob encomenda.
Acordo com a Marvell
Em 19 de agosto de 2026, um registro da Marvell Technology na SEC tornou pública a expansão de sua parceria de silício customizado com o Google. O acordo comercial, assinado em 29 de julho de 2026, cobre uma família de chips acoplados ao ecossistema das TPUs: aceleradores de inferência de IA, controladores de armazenamento, controladores de interface de rede, controladores de interface de memória e computação próxima à memória (near-memory compute).
O instrumento que dá escala ao acordo é um bônus de subscrição (warrant) que dá ao Google o direito de comprar até 58.970.907 ações da Marvell a US$ 206,58 cada — cerca de US$ 12,2 bilhões se exercido por inteiro, o que faria da companhia a quinta maior acionista da fabricante. O direito não é gratuito: cerca de 1,36 milhão de ações passam a valer em parcelas trimestrais no primeiro ano, e o restante se distribui em até 240 lotes, um a cada US$ 500 milhões em receita qualificada de produtos customizados comprados pelo Google. Levada ao limite, a estrutura corresponde a cerca de US$ 120 bilhões em compras acumuladas até o exercício fiscal de 2033. A ação da Marvell subiu 8,75% no dia do anúncio, fechando a US$ 234,73 na Nasdaq.
O desenho amarra fornecedor e cliente pelo bolso e diversifica a base de parceiros de silício do Google, que nas nove primeiras gerações de TPU dependeu da Broadcom.
Saída da produção do Pixel da China
Em 18 de agosto de 2026, o Nikkei Asia informou que o Google comunicou a seus fornecedores que vai retirar da China, a partir de 2027, a produção de todos os aparelhos Pixel — celulares, relógios e fones. Os destinos são Vietnã e Índia, onde a companhia vinha ampliando capacidade, e a decisão segue o desenvolvimento e a fabricação bem-sucedidos dos modelos de topo de linha no Vietnã neste ano. Hoje a maior parte da montagem ainda ocorre em território chinês.
Se concluída, a mudança faria do Google a segunda grande marca global de smartphones, depois da Samsung, a tirar integralmente da China a produção de celulares. Segundo fonte ouvida pelo Nikkei, a transição tende a ser mais simples para o Google do que para a Apple, porque a empresa não vende o Pixel oficialmente na China e tem base de usuários menor — e porque pode se apoiar no ecossistema de fornecimento que a Samsung já montou no Vietnã. O Google espera elevar em 8% a 10% as remessas de celulares Pixel neste ano em relação aos 12 milhões de unidades de 2025.
Disputas regulatórias e judiciais
O Google responde simultaneamente a processos de concorrência nos Estados Unidos, na Europa e no Reino Unido, em três frentes: a busca, a publicidade digital e as regras da loja de aplicativos.
Acordo de £260 milhões no Reino Unido
Em 27 de agosto de 2026, a Alphabet aceitou pagar £260 milhões (cerca de US$ 353 milhões) para encerrar uma ação coletiva movida no Reino Unido em nome de desenvolvedores de aplicativos. A ação, conduzida pelo acadêmico Barry Rodger no regime de opt-out, sustentava que a companhia abusou de posição dominante ao impedir a distribuição de aplicativos por vias alternativas e ao cobrar comissão de até 30% nas vendas feitas pela Google Play. O pedido original era de pouco mais de £1 bilhão.
O valor se divide em £160 milhões para os desenvolvedores elegíveis — quem vendeu conteúdo digital por aplicativos distribuídos na Play Store entre agosto de 2018 e julho de 2026 — e £100 milhões para custos e honorários. O acordo depende de homologação pelo Competition Appeal Tribunal, em Londres, e foi firmado às vésperas do julgamento. O Google não admitiu irregularidade e afirmou ter defesas sólidas. É o maior acordo já fechado no regime britânico de ações coletivas de concorrência, criado em 2015.
Busca e publicidade nos Estados Unidos
Na ação do Departamento de Justiça sobre busca, o juiz Amit Mehta concluiu em 2024 que o Google mantinha monopólio ilegal em busca geral. Em 2 de setembro de 2025 ele definiu as medidas corretivas e recusou as estruturais pedidas pelo governo — a venda do Chrome e do Android. No lugar, impôs remédios de conduta: limite de um ano nos contratos de distribuição, restrições a amarrar posições padrão, obrigação de licenciar a rivais parte do índice de busca e de dados de interação de usuários, e um comitê técnico de supervisão. O Google apelou em 16 de janeiro de 2026, contestando a partilha de dados e a supervisão do comitê; o governo e um grupo de estados apresentaram recurso próprio contra a rejeição dos remédios mais duros.
Em abril de 2025, em processo separado, a juíza Leonie Brinkema decidiu que o Google monopolizou ilegalmente dois mercados da publicidade digital — servidores de anúncios para editores e trocas de anúncios (ad exchanges). Em 2 de setembro de 2026 ela definiu as medidas corretivas e rejeitou todas as estruturais pedidas pelo Departamento de Justiça: a venda do AdX, a abertura do código da lógica final de leilão do DFP e a venda condicionada do restante do DFP. Na prática, o Google Ad Manager segue como produto integrado, com AdX e DFP sob o mesmo dono.
No lugar da separação, a juíza acolheu — com modificações do próprio tribunal — a maior parte dos remédios de conduta propostos pelas partes. Entre os pontos noticiados estão a obrigação de disponibilizar a servidores de anúncios rivais os valores dos lances em tempo real para display na web aberta, o fim das Unified Pricing Rules, a permissão para que editores fixem pisos de preço distintos por comprador e a proibição das vantagens de first look e last look, que deixavam o Google ajustar seus lances depois de ver os dos concorrentes. A memória de decisão saiu sob sigilo, e o detalhamento das obrigações depende do texto final: as partes têm 14 dias para pedir tarjas e 30 dias — até 2 de outubro de 2026 — para apresentar em conjunto a sentença final. Ao longo do julgamento, o Departamento de Justiça sustentou que a cisão seria a solução "mais limpa e menos arriscada" e que o Google não era confiável para cumprir remédios de conduta; a defesa respondeu que a desconfiança "não é uma alavanca para contornar princípios antitruste consolidados".
União Europeia: o DMA e a reformulação da busca
Em 8 de setembro de 2026 o Google passou a exibir resultados de busca diferentes na União Europeia para se adequar ao Digital Markets Act (DMA), e classificou a mudança como a maior redução de qualidade do serviço nos 29 anos de história da Busca. No novo desenho, um site especializado de comparação aparece no topo, seguido de outros dois com menos detalhes, e os carrosséis de hotéis, voos e restaurantes descem na página e perdem recursos como preços em tempo real; a ordem passa a ser definida por algoritmo.
A empresa atribui a mudança à pressão do regulador: a Comissão Europeia deu 60 dias para o cumprimento das exigências, sob risco de multas periódicas que, segundo as reportagens, podem chegar a 5% do faturamento mundial da companhia. Em julho de 2026 o bloco já havia multado o Google em € 460 milhões por favorecer os próprios serviços, e o total de multas antitruste aplicadas pela UE à empresa em cerca de duas décadas soma € 10,38 bilhões.
Nick Fox, vice-presidente sênior de conhecimento e informação do Google, afirmou que "essas mudanças prejudicam a experiência dos europeus — favorecem intermediários on-line em vez de negócios locais e removem recursos úteis dos quais as pessoas dependem diariamente". A companhia diz que rodadas anteriores de adequação ao DMA já reduziram em 30% o tráfego direto e gratuito de reservas para negócios europeus, e que seus testes indicam insatisfação alta, com usuários reformulando a mesma busca várias vezes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu ameaçando abrir uma investigação sobre o que chamou de "roubo" da UE contra empresas americanas.
Linha do tempo
- 2015: Reorganização cria a Alphabet como holding do Google e das demais apostas do grupo; Sundar Pichai assume como CEO do Google.
- 2023: Google funde os laboratórios DeepMind e Google Brain no Google DeepMind, sob comando de Demis Hassabis; o cofundador Sergey Brin, afastado da operação desde 2019, volta ao trabalho diário na empresa para atuar no desenvolvimento do Gemini.
- Dezembro de 2024: Google, em parceria com a TPG Rise Climate, apoia a Intersect em uma rodada de financiamento de mais de US$ 800 milhões.
- Dezembro de 2025: Alphabet anuncia a aquisição da desenvolvedora de energia limpa Intersect por US$ 4,75 bilhões, assumindo também suas dívidas.
- Abril de 2025: Juíza Leonie Brinkema decide que o Google monopolizou ilegalmente os mercados de servidores de anúncios para editores e de trocas de anúncios.
- 2 de setembro de 2025: Juiz Amit Mehta define as medidas corretivas do caso da busca: recusa a venda de Chrome e Android e impõe remédios de conduta, incluindo licenciamento de parte do índice de busca a rivais.
- 12 de janeiro de 2026: Alphabet atinge pela primeira vez US$ 4 trilhões em valor de mercado.
- 30 de abril de 2026: Preferred Sources, recurso que deixa o usuário priorizar veículos nos resultados, passa a valer em todos os idiomas suportados na Busca, no Discover e no Google Notícias.
- 16 de janeiro de 2026: Google apela da decisão de remédios no caso da busca, contestando a partilha de dados e o comitê de supervisão.
- Maio de 2026: Anthropic assume compromisso de gastar US$ 200 bilhões em nuvem e chips do Google ao longo de cinco anos.
- 12 de junho de 2026: SpaceX abre capital a US$ 135 por ação; a participação que a Alphabet comprou por US$ 900 milhões em 2015 torna-se pública e vale cerca de US$ 94,2 bilhões ao fim do trimestre.
- 22 de julho de 2026: Alphabet divulga receita recorde de US$ 119,8 bilhões no segundo trimestre, com Google Cloud crescendo 82%.
- Agosto de 2026: Financial Times revela programa de financiamento de cerca de US$ 200 bilhões estruturado pelo Google para a Anthropic, com mais de US$ 150 bilhões ligados a TPUs.
- 5 de agosto de 2026: Google reorganiza a liderança de IA — Hassabis vira Chair do DeepMind e cientista-chefe da Alphabet, Kavukcuoglu assume como SVP da unidade e Jeff Dean deixa a empresa após 27 anos para fundar a Discovery Loop.
- 6 de agosto de 2026: Ask Maps, camada conversacional do Google Maps movida a Gemini, chega ao Brasil e ganha capacidades agênticas. No mesmo dia, Financial Times e Forbes descrevem a reorganização como um deslocamento do poder de decisão em IA de Londres para Mountain View, com influência crescente de Sergey Brin.
- 11 de agosto de 2026: Aplicativo Gemini ultrapassa 1 bilhão de usuários ativos mensais. No mesmo dia, o Google anuncia o Americas Connect, com três novos cabos submarinos (Alisios, Canoa e OlaLuz) nas Américas.
- 12 de agosto de 2026: No evento Made by Google, a empresa lança a linha Pixel 11 com o chip Tensor G6 de 2 nm e Android 17, o Pixel Watch 5 e o Pixel Tag, primeiro rastreador de objetos do Google.
- 13 de agosto de 2026: Google lança o Gemini 3.7 Flash, voltado a programação e agentes, com preço de API pela metade do cobrado na geração anterior até o fim de 2026.
- 14 de agosto de 2026: Berkshire Hathaway informa no 13F do segundo trimestre ter ampliado a posição em Alphabet em cerca de 48,1 milhões de ações, tornando a companhia sua terceira maior participação.
- 17 de agosto de 2026: SemiAnalysis aponta que o Google estaria desenvolvendo com a AMD um projeto da TPU v10, com núcleos de CPU no pacote do acelerador; nenhuma das duas empresas confirmou.
- 18 de agosto de 2026: Nikkei Asia informa que o Google avisou fornecedores que retirará da China, a partir de 2027, toda a produção de celulares, relógios e fones Pixel, com destino a Vietnã e Índia.
- 19 de agosto de 2026: Registro da Marvell na SEC revela warrant que dá ao Google o direito de comprar até 58,97 milhões de ações da fabricante (cerca de US$ 12,2 bilhões), atrelado a compras de silício customizado para o ecossistema das TPUs. No mesmo dia, o Google confirma ser o cliente final do Project Clydesdale, campus de data centers de 506 acres no condado de Tulsa, Oklahoma.
- 19 de agosto de 2026: Google anuncia um ano gratuito de Google AI Plus para universitários em mais de 140 mercados, incluindo o Brasil — nos Estados Unidos o plano oferecido é o Google AI Pro —, com resgate até 31 de dezembro de 2026.
- 20 de agosto de 2026: Google libera aos editores um botão de fonte preferida para embutir no próprio site e amplia a personalização do Discover e do Google Notícias; mais de 600 mil fontes únicas já haviam sido escolhidas por usuários.
- 30 de setembro de 2026: Data marcada para o início da exigência de verificação de desenvolvedor no Android em Brasil, Indonésia, Singapura e Tailândia; o fluxo avançado de sideloading, com espera obrigatória de 24 horas, começou a ser liberado em agosto.
- 26 de agosto de 2026: Wall Street Journal revela que o Google tirou do DeepMind a equipe de responsabilidade em IA, de cerca de 90 pessoas, e a transferiu para a divisão de assuntos globais. No mesmo mês, a empresa confirma ao Search Engine Land o redirecionamento
google.com/gotonos links dos resultados de busca, que dificulta a raspagem por ferramentas de terceiros e empresas de IA. - 27 de agosto de 2026: Barret Zoph, cofundador do Thinking Machines Lab, anuncia que se junta ao Google DeepMind como vice-presidente de pesquisa, para trabalhar com aprendizado por reforço e pós-treinamento. No mesmo dia, o Google divulga as 28 startups da segunda turma do acelerador AI for Energy — 12 dos Estados Unidos e 16 da Europa.
- 27 de agosto de 2026: AI Mode passa a rastrear preços de passagens em mais de 180 países e a reservar hotéis dentro da conversa nos Estados Unidos, com dez parceiros de hospedagem. No mesmo dia, a Alphabet fecha acordo de £260 milhões para encerrar a ação coletiva de desenvolvedores no Reino Unido, à espera de homologação do Competition Appeal Tribunal.
- 2 de setembro de 2026: Juíza Leonie Brinkema rejeita todos os remédios estruturais no caso da publicidade digital — venda do AdX, abertura do código de leilão do DFP e venda condicionada do DFP restante — e acolhe remédios de conduta; a sentença final deve ser apresentada até 2 de outubro de 2026.
- 8 de setembro de 2026: Google altera os resultados de busca na União Europeia para cumprir o DMA e diz ser a maior redução de qualidade do serviço em 29 anos. No mesmo dia, a Bloomberg revela atrasos nos data centers do Project Braid, a joint venture da Alphabet com a Blackstone.
- 9 de setembro de 2026: Google anuncia € 13 bilhões em infraestrutura de IA na Finlândia — seu maior investimento na Europa — e assina com a Fortum um PPA nuclear de 22 anos na usina de Loviisa, o primeiro fora dos Estados Unidos.
Principais atores
- Alphabet Inc.: Empresa controladora do Google, com foco em tecnologia e investimentos estratégicos em energia limpa.
- Google: Subsidiária da Alphabet, principal usuária e impulsionadora da demanda por energia para IA e data centers.
- Sundar Pichai: CEO do Google desde 2015 e da Alphabet desde 2019.
- Sergey Brin: Cofundador do Google e membro do conselho da Alphabet; deixou a presidência da holding em 2019 e voltou ao trabalho diário na empresa em 2023 para atuar no desenvolvimento do Gemini, sem cargo executivo formal.
- Demis Hassabis: Cofundador do DeepMind, laboratório comprado pelo Google em 2014; desde agosto de 2026 é Chair do Google DeepMind e cientista-chefe da Alphabet, além de liderar a Isomorphic Labs.
- Koray Kavukcuoglu: Ex-diretor de tecnologia do Google DeepMind, promovido em agosto de 2026 a vice-presidente sênior da unidade, com reporte a Pichai e responsabilidade pelo Gemini 4.
- Jeff Dean: Cientista-chefe do Google por parte de seus 27 anos de casa; deixou a empresa em agosto de 2026 para fundar a Discovery Loop.
- Barret Zoph: Cofundador do Thinking Machines Lab e ex-OpenAI; anunciado em 27 de agosto de 2026 como vice-presidente de pesquisa do Google DeepMind, com foco em aprendizado por reforço e pós-treinamento.
- Thomas Kurian: CEO do Google Cloud, divisão que cresceu 82% no segundo trimestre de 2026.
- Anthropic: Desenvolvedora do Claude, ao mesmo tempo concorrente do Gemini e maior cliente de infraestrutura de IA do Google Cloud.
- SpaceX: Empresa aeroespacial de Elon Musk que abriu capital em junho de 2026; a Alphabet é sua maior acionista institucional individual, com 551,2 milhões de ações.
- Berkshire Hathaway: Conglomerado que, sob Greg Abel, elevou a Alphabet à sua terceira maior participação em ações no segundo trimestre de 2026.
- Marvell Technology: Fabricante de semicondutores que em agosto de 2026 ampliou com o Google um acordo de silício customizado para o ecossistema das TPUs, remunerado com um warrant de até US$ 12,2 bilhões em ações próprias.
- Beale Infrastructure: Desenvolvedora responsável pela construção do Project Clydesdale, campus de data centers em Oklahoma cujo cliente final é o Google.
- Intersect: Desenvolvedora de energia limpa adquirida pela Alphabet, com projetos de energia e data centers em desenvolvimento ou construção.
- TPG Rise Climate: Parceira do Google em rodadas de financiamento para a Intersect.
- NextEra: Companhia de serviços públicos que expandiu sua parceria com o Google Cloud para desenvolver novas fontes de energia.
- Fortum: Estatal finlandesa de energia, operadora da usina nuclear de Loviisa e contraparte do primeiro PPA nuclear do Google fora dos Estados Unidos.
- Blackstone: Gestora de ativos que aportou US$ 5 bilhões na joint venture de nuvem com a Alphabet, apelidada internamente de Project Braid.
- Comissão Europeia: Autoridade que aplica o Digital Markets Act e cujas exigências levaram o Google a reformular os resultados de busca no bloco em setembro de 2026.
Termos importantes
- Inteligência Artificial (IA): Campo da ciência da computação que se dedica ao desenvolvimento de sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana.
- Gemini: Família de modelos de IA do Google, oferecida em aplicativo para consumidores, em produtos corporativos e via API.
- TPU (Tensor Processing Unit): Chip desenvolvido pelo Google especificamente para treinar e executar modelos de inteligência artificial.
- Data Center: Instalação física que abriga sistemas de computação e equipamentos de rede, como servidores e dispositivos de armazenamento de dados.
- Capex: Investimento em bens de capital — no caso da Alphabet, sobretudo data centers, chips e infraestrutura de energia.
- Energia Limpa: Energia gerada a partir de fontes que não liberam poluentes na atmosfera, como solar, eólica e hidrelétrica.
- Gigawatt (GW): Unidade de medida de potência equivalente a um bilhão de watts, frequentemente usada para quantificar a capacidade de grandes usinas de energia.
- Raspagem (scraping): Extração automatizada e em larga escala de conteúdo de páginas web por programas, sem passar pela interface prevista para o usuário.
- Pós-treinamento (post-training): Etapa que ajusta um modelo já pré-treinado — por aprendizado por reforço, entre outras técnicas — para melhorar seguimento de instruções, raciocínio e comportamento.
- AI Mode: Modo conversacional da Busca do Google, movido a Gemini, que responde em linguagem natural e executa tarefas como acompanhar preços de passagens e reservar hotéis.
- Ação coletiva de opt-out: No regime britânico de concorrência, ação em que todos os integrantes da classe são representados automaticamente, salvo se pedirem exclusão.
- Medidas corretivas (remedies): Obrigações impostas pelo tribunal a uma empresa condenada por abuso de posição dominante; podem ser estruturais (venda de ativos) ou de conduta.
- Pixel: Linha de hardware própria do Google — celulares, relógios, fones e rastreadores —, apresentada anualmente no evento Made by Google.
- DMA (Digital Markets Act): Lei de mercados digitais da União Europeia, que impõe obrigações de concorrência às maiores plataformas do bloco.
- PPA (Power Purchase Agreement): Contrato de compra de energia de longo prazo entre um gerador e um consumidor, usado por operadores de data center para garantir suprimento e viabilizar novos projetos.
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