O que é a AGC
A AGC Inc. é uma fabricante japonesa de vidro, produtos químicos e materiais de alta tecnologia com sede em Marunouchi, Tóquio. Foi fundada em 8 de setembro de 1907 em Amagasaki, na província de Hyogo, por Toshiya Iwasaki, da família que controlava o grupo Mitsubishi, com o nome de Asahi Glass Co., Ltd. Foi a primeira fabricante de vidro plano do Japão. Unificou a marca do grupo como AGC em 2007 e passou a se chamar oficialmente AGC Inc. em 1º de julho de 2018. O presidente-executivo é Yoshinori Hirai, no cargo desde 2021.
A empresa é listada na Bolsa de Tóquio desde 1937 (código 5201) e integra o índice Nikkei 225. Em 2025, registrou vendas de ¥ 2,0588 trilhões (queda de 0,4%), lucro operacional de ¥ 127,5 bilhões (alta de 1,3%) e lucro líquido atribuível aos acionistas de ¥ 69,2 bilhões, depois do prejuízo de 2024. Os negócios vão de vidro arquitetônico e automotivo a vidro para telas, soda cáustica, PVC, fluoroquímicos, materiais eletrônicos e biofármacos (AGC Biologics).
AGC na cadeia dos semicondutores
O papel mais estratégico da AGC na cadeia dos chips é o fornecimento de blanks de máscara para litografia EUV. Um blank é uma placa de vidro de baixíssima dilatação térmica coberta por dezenas de camadas de filmes ópticos. Sobre ele se grava o desenho do circuito, formando a fotomáscara que a máquina de litografia de ultravioleta extremo usa para projetar o padrão no wafer de silício. Cada defeito do blank pode ser copiado em todos os chips expostos por aquela máscara, por isso a exigência é de defeitos próximos de zero e planicidade extrema.
- Integração vertical. A AGC se descreve como a única fabricante de blanks EUV que faz todas as etapas, do vidro ao revestimento. Começou a produzi-los em 2017, na fábrica de Motomiya (Fukushima) da subsidiária AGC Electronics.
- Clientes. Segundo a empresa, seus blanks foram adotados por várias fabricantes de chips lógicos e de memória. As fotomáscaras EUV são usadas pelas fabricantes de chips mais avançados, como TSMC, Samsung e Intel.
- Concorrência. O mercado é praticamente um duopólio entre a AGC e a também japonesa Hoya. Segundo a consultoria QYResearch, as duas maiores somam cerca de 93% do mercado e a AGC lidera com mais de 59%.
- Expansão. Em abril de 2023, a AGC anunciou um aumento de cerca de 30% na capacidade de blanks EUV até 2025, com apoio do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI), e a meta de vender mais de ¥ 40 bilhões desses produtos em 2025. No balanço de 2025, porém, a empresa citou queda nos embarques de blanks EUV entre os fatores que reduziram o resultado da área de eletrônicos.
A AGC também afirma ter participação alta em outros insumos do processo inicial de fabricação de chips (front-end), como as pastas de polimento CMP, usadas para aplainar as camadas do wafer.
AGC no Brasil
A AGC opera no Brasil como AGC Vidros do Brasil. O complexo de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba (SP), começou a produzir vidro float em 2013, depois de um investimento de cerca de € 300 milhões; foi a entrada do grupo no mercado brasileiro de vidro plano. Uma segunda linha float, de 850 toneladas por dia, entrou em operação em 2019, elevando a capacidade da unidade para 1.450 toneladas diárias. O grupo também tem fábricas de vidro automotivo em Betim (MG) e Piracicaba (SP).
Dragontrail, o vidro de celular da AGC
O Dragontrail é o vidro de cobertura reforçado da AGC para celulares e tablets, vendido mundialmente desde 2011. Concorre com o Gorilla Glass, da americana Corning, no mercado de vidros de proteção para telas.
AGC Glass Europe (ex-Glaverbel)
Em 1981, a AGC comprou a belga Glaverbel e a holandesa MaasGlas, entrando de vez no mercado europeu de vidro plano. Passou a controlar a Glaverbel integralmente em 2002. A operação foi rebatizada de AGC Flat Glass Europe em 2007 e de AGC Glass Europe em 2010.
AGC Chemicals e o caso PFAS no Reino Unido
A AGC Chemicals Europe tem uma fábrica de fluoroquímicos em Thornton-Cleveleys, no condado de Lancashire (Inglaterra). Segundo as investigações, a unidade emitiu 49 toneladas de PFOA entre os anos 1950 e 2012, quando eliminou a substância. Em julho de 2026, a empresa abriu uma consulta de pelo menos 45 dias com funcionários e sindicatos para fechar a unidade, alegando que ela opera com prejuízo há quatro anos. Cerca de 190 empregos estão em risco.
O anúncio veio dias depois de se saber que mais de 90 moradores tinham aderido a uma possível ação judicial, conduzida pelo escritório Leigh Day, por contaminação da região com PFAS, os chamados "químicos eternos". A Agência Ambiental britânica classificou hortas comunitárias perto da fábrica como terreno contaminado, e um estudo encomendado pelo governo apontou taxas de câncer de rim acima do esperado nos arredores. A AGC afirma que o eventual fechamento não afeta as investigações ambientais e que cumprirá todas as obrigações regulatórias.
História
A Asahi Glass começou a produzir vidro plano em 1909, pelo método belga de cilindros soprados, e passou a fabricar barrilha, matéria-prima do vidro, em 1916. Mudou a sede para Tóquio em 1917 e abriu a primeira operação fora do Japão em 1925, na China. Iniciou a produção de vidro float em 1966, de substratos de vidro para telas de cristal líquido (TFT-LCD) em 1995 e de blanks de máscara EUV em 2017. Em 2018 trocou o nome para AGC Inc.
