Trio é acusado de aplicar golpe de R$ 708 milhões com uso de IA
Três estrangeiros foram acusados nos EUA de usar “superinteligência” para se passar por executivos e advogados e desviar mais de US$ 129 milhões de empresas em vários países.
Pontos principais
- Segundo a procuradoria, as perdas superam US$ 129 milhões, o equivalente a cerca de R$ 708,4 milhões.
- A procuradoria lista como vítimas um sistema hospitalar do Missouri (US$ 4.829.580), um banco de Rhode Island (US$ 2.684.580) e uma fintech britânica (US$ 11.578.474).
- Também constam da acusação um sistema hospitalar da Califórnia (US$ 2.968.497), uma gestora de fundos de Massachusetts (US$ 4.639.918) e um fabricante de ração da Flórida (US$ 5.242.747).
- Segundo a procuradoria, os valores foram enviados a contas nos EUA, Espanha, Portugal, Grécia, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Áustria, Eslováquia e China, e convertidos em criptomoedas.
- Soall foi preso na Espanha em 17 de junho de 2026, Hazan também na Espanha em 5 de agosto, e Sheetrit no Reino Unido em 7 de setembro; os pedidos de extradição estão pendentes.
- A procuradoria aponta conspiração para fraude eletrônica, fraude eletrônica, roubo de identidade agravado e lavagem de dinheiro, com penas máximas de 20 anos nas principais imputações e 2 anos no roubo de identidade.
Em 5 de novembro, o procurador dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, Jamie McDonald, e o FBI de Nova York anunciaram a divulgação de uma acusação formal contra Jacob Soall, Sharon Hazan e Guy Sheetrit. Segundo a procuradoria, entre 2024 e 2026 o grupo usou superinteligência (super intelligence, ou SI) para imitar a voz e a imagem de executivos e levar funcionários a crer que participavam de uma transação confidencial. Depois, os criminosos se passavam por advogados de grandes escritórios internacionais para reforçar a farsa, até que um integrante orientava a transferência do dinheiro para contas controladas pela quadrilha.
Soall, de 41 anos e com residência em Marbella, na Espanha, se passava sobretudo por advogado britânico e usava um roteiro manuscrito intitulado “Lawyer Call” para convencer as vítimas a não comentar os contatos com colegas. Hazan, de 54 anos, e Sheetrit, de 42, são acusados de lavar parte dos recursos; Hazan, de Israel, foi condenado em 2008 em Nova York por conspiração para fraude bancária.
Segundo a procuradoria, o que consta da acusação são apenas alegações, e os réus são presumidos inocentes até que se prove o contrário. As penas máximas citadas são apenas informativas, já que a sentença caberá ao juiz.
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