Brasil projeta cerca de 866 mil casos de dengue para 2027
O consórcio Infodengue-Mosqlimate estima 866 mil casos prováveis de dengue no Brasil na temporada 2026-27, acima dos 556 mil de 2025-26, com pico em abril de 2027.
Pontos principais
- Projeção de 865.925 casos prováveis de dengue na temporada 2026-27, com intervalo de 80% entre 569 mil e 1,6 milhão.
- Pico nacional em abril de 2027, de até 40 mil casos em uma semana (intervalo de 80%: 25 mil a 90 mil).
- Goiás tem a maior incidência prevista do país (1.463 casos por 100 mil habitantes), seguido de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
- Incidência acumulada por 100 mil habitantes sobe em relação a 2025-26 no Acre (de 299 para 660), Minas Gerais (de 380 para 603), Mato Grosso do Sul (de 168 para 420), Rio de Janeiro (de 55 para 131) e Paraná (de 156 para 242).
- Chikungunya: 93.959 casos prováveis (intervalo de 80%: 64.205 a 153.568), contra 76.229 em 2025-26; o consórcio espera início mais lento.
- No chikungunya, Ceará e Rio Grande do Norte passam de 7 e 40 para 51 e 88 casos por 100 mil habitantes.
- O consórcio cita três fatores que podem inflar a dengue notificada ou reduzir a chikungunya: a expansão do sorotipo DENV-3, Oropouche notificado como dengue e falha no diagnóstico diferencial entre as duas doenças.
- Modelos que incluem variáveis climáticas divergem: o Purdue projeta duas a três vezes mais casos que o ensemble em PR, SP, MG, Centro-Oeste e BA; o BSC projeta menos no DF e na BA.
- Mais de 130 pesquisadores de oito países elaboraram a projeção para o Ministério da Saúde.
A terceira edição do Infodengue-Mosqlimate Dengue Challenge (IMDC) produz projeções para o Brasil a partir de modelos de grupos nacionais e internacionais. Em cada estado, o ensemble combina os 10 melhores dos 21 modelos submetidos. Na temporada 2025-26, segundo o consórcio, os valores observados ficaram dentro do intervalo de incerteza na maior parte dos estados, mas o modelo superestimou SP, MG, RS e SC; no Nordeste, a incidência chegou mais tarde do que o previsto, em CE, AL, PB, PE e RN.
O consórcio descreve a temporada 2026-27 como inferior aos grandes surtos recentes, mas ainda elevada em várias regiões. A previsão oficial não incorpora o super El Niño esperado para 2027, que é tratado como gatilho de contingência, e não como base quantitativa. As projeções assumem a continuidade do comportamento histórico, premissa que, segundo o próprio consórcio, pode falhar com mudanças climáticas, novas variantes ou mudanças nas estratégias de controle.
Fonte primária
Cobertura da mídia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
