Disputa acirrada pelo Senado no Mississippi mobiliza advogados
Nos Estados Unidos, com Colom à frente por menos de 2.000 votos, a apuração do Senado no Mississippi virou disputa jurídica: os advogados das duas campanhas trocaram cartas aos 82 condados sobre as cédulas com affidavit.
Pontos principais
- Scott Colom lidera a disputa pelo Senado no Mississippi com uma margem inferior a 2.000 votos.
- A senadora republicana Cindy Hyde-Smith enfrenta risco de derrota em um reduto tradicionalmente conservador.
- O DSCC e o Elias Law Group enviaram advogados e voluntários aos 82 condados do Mississippi para acompanhar a fase final da contagem.
- O uso de affidavit ballots por eleitores listados como inativos tem atrasado a contagem e gerado questionamentos sobre registros eleitorais.
- Em carta de 5 de novembro, os advogados de Hyde-Smith pediram aos 82 condados que separem todas as cédulas com affidavit, inclusive as já aceitas, até o fim da certificação.
- Jacquelyn Lopez, conselheira jurídica de Colom, respondeu que a lei do Mississippi não prevê essa separação nem contestação eleitoral para o Senado federal.
A disputa pelo Senado no Mississippi, nos Estados Unidos, entrou em uma fase de alta tensão com a continuidade da contagem de votos, que apresenta uma margem de menos de 2.000 votos em favor de Scott Colom. A senadora republicana Cindy Hyde-Smith enfrenta uma ameaça inesperada em um estado historicamente alinhado ao seu partido, tornando o resultado incerto até a apuração final das cédulas restantes.
O processo enfrenta escrutínio devido a problemas com registros eleitorais, que obrigaram milhares de eleitores inativos a utilizarem affidavit ballots, exigindo verificação posterior. Os advogados de Hyde-Smith sustentam que a separação permite verificar a elegibilidade de cada cédula e que as medidas não devem atrasar a contagem nem comprometer o sigilo do voto. Lopez responde que separar cédulas aceitas ameaçaria justamente esse sigilo, e que mudar o procedimento no meio da contagem violaria a cláusula de igual proteção, já que muitos condados já concluíram sem fazê-lo.
Fontes primárias
Carta de advogados de Cindy Hyde-Smith aos condados do Mississippi (Demand to Separate and Preserve Affidavit Ballots)
Carta de 5 de novembro de 2026, assinada por Jessica Furst Johnson, Eric Wang e Nadin Linthorst (Lex Politica), advogados da campanha de Cindy Hyde-Smith, enviada aos 82 condados do Mississippi e com cópia ao secretário de Estado Michael Watson. Exige que as cédulas com affidavit da eleição de 3 de novembro sejam separadas, mantidas sob custódia segura e preservadas até o fim da apuração, certificação e de qualquer exame de urnas, contestação eleitoral ou atividade pós-eleitoral. Pede três medidas: (1) manter as cédulas com affidavit, aceitas, rejeitadas, pendentes ou com correção, apartadas das demais cédulas; (2) documentar a destinação de cada uma, com data e hora de cada documento de correção de identidade recebido no prazo de cinco dias úteis; (3) preservar envelopes, livros de recibo, registros e logs do sistema estadual de eleições, fitas de apuração, vídeos da área de armazenamento e demais registros, sem sobrescrever dados eletrônicos. Justifica o pedido com o Código do Mississippi § 23-15-573 e com a possibilidade de exame de urnas (§ 23-15-911) e de processo no Senado dos EUA. Pede confirmação até as 17h CT de 5/11/2026 e afirma que as medidas não devem atrasar a contagem nem comprometer o sigilo do voto.
Carta de advogados de Scott Colom aos condados: "Ataque Ilegal à Privacidade do Voto" de Hyde-Smith
Carta de 5 de novembro de 2026 de Jacquelyn Lopez, conselheira de Scott Colom para o Senado, enviada aos 82 condados, com cópia a Marc E. Elias, David R. Fox e ao secretário Michael Watson. Responde à carta da campanha de Hyde-Smith e afirma que as exigências são 'ilegais e extraordinárias', não têm base na lei do Mississippi e violariam o sigilo do voto. Diz que o Código § 23-15-573 e o manual eleitoral de 2026 não autorizam manter em separado as cédulas com affidavit aceitas, citando a jurisprudência do Mississippi (Clark v. Rankin, 1975; O'Neal v. Simpson, 1977) sobre o sigilo do voto. Sustenta que mudar procedimentos no meio da contagem violaria a cláusula de igual proteção, já que muitos condados já concluíram sem segregar as cédulas. Afirma que o Mississippi não prevê contestação eleitoral para cargos federais, incluindo o Senado (§ 23-15-951), e que o exame de urnas do § 23-15-911 serve apenas a contestações para a legislatura estadual. Conclui que os condados devem seguir o procedimento ordinário e não segregar as cédulas com affidavit aceitas.
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