Pará tem maior área de exploração madeireira em cinco anos
O Pará, no Brasil, teve a maior exploração madeireira em cinco anos entre agosto de 2024 e julho de 2025, com 32% da área explorada sem autorização, segundo a Rede Simex.
Pontos principais
- A área explorada somou 60.664 hectares, cerca de 40% acima dos 43.052 hectares do ciclo anterior.
- Do total, 41.538 hectares foram autorizados e 19.126 hectares foram explorados sem autorização.
- Os pesquisadores cruzam imagens de satélite com as autorizações registradas no Simlam-PA, na Semas-PA, no Ideflor-Bio e no Serviço Florestal Brasileiro.
- Ipixuna do Pará (2.380 ha), Rondon do Pará (2.371 ha) e Moju (2.304 ha) concentram quase 37% da área sem autorização.
- Paragominas reduziu a exploração ilegal em quase 70%, de 3.823 para 1.170 hectares.
- No cenário conservador de duas a três árvores por hectare, entre 38 mil e 57 mil árvores entraram no comércio sem manejo ou rastreabilidade, estima o Imazon.
- Terras indígenas somaram 424 hectares de exploração ilegal, 2% do total, o segundo menor valor da série do Simex.
O Pará, no Brasil, registrou entre agosto de 2024 e julho de 2025 a maior exploração madeireira dos últimos cinco anos, segundo a Rede Simex, formada por Imazon, ICV e Imaflora. Enquanto a atividade autorizada avançou mais de 83%, a ilegal recuou cerca de 6%.
Toda a exploração ilegal em terras indígenas se concentrou na Terra Indígena Amanayé, citada pela quinta vez nos boletins da rede. Para a pesquisadora Camila Damasceno, do Imazon, a redução não significa que o problema esteja resolvido e a ocorrência em área protegida exige atenção urgente. Ela afirma que a exploração viola direitos dos povos originários e expõe as comunidades a conflitos, ameaças e restrições à livre circulação em seu território, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais.
Para o Imazon, comemorar apenas a queda percentual seria ignorar o impacto da madeira retirada sem controle, que chega ao mercado sem garantia de origem e prejudica quem opera de forma regularizada. A área ilegal ainda equivale a mais de 19 mil campos de futebol de floresta, e a pesquisadora defende mais fiscalização, responsabilização de infratores e incentivo ao manejo florestal comunitário.
Fonte primária
Cobertura da mídia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
