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Gestores ajustam carteiras por incerteza fiscal no governo Lula

Mercado financeiro adota postura defensiva diante da expectativa de falta de ajustes fiscais e possíveis medidas heterodoxas do governo federal.

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Foto: Folha de São Paulo - Política
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05/11 às 14:45, atualizado 18:45

Pontos principais

  • Gestores de recursos não esperam um ajuste fiscal capaz de estabilizar a dívida pública e temem medidas heterodoxas se a economia perder ritmo.
  • O economista-chefe da Vinland, Aurélio Bicalho, diz que "não é razoável esperar um ajuste relevante" e que estímulos fiscais e de crédito tendem a gerar mais inflação e pouco crescimento.
  • Um gestor não identificado prevê que o "choque de desânimo" empresarial atinja o PIB brasileiro a partir de 2027.
  • A Vinland tem o fundo macro comprado em dólar e investido em juros da Colômbia, país que, segundo a gestora, pode iniciar um ciclo de afrouxamento monetário em 2027.

Gestores de recursos estão reajustando suas carteiras diante de um cenário em que o governo Lula não fará o ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida pública, com risco de medidas heterodoxas se a economia perder ritmo. Para o economista-chefe da Vinland, Aurélio Bicalho, "não é razoável esperar um ajuste relevante": o histórico dos mandatos de Lula aponta para estímulos fiscais e de crédito, que hoje tendem a gerar mais inflação e pouco crescimento, porque a economia tem pouca capacidade ociosa. Bicalho também vê potencial de crescimento baixo e sem sinais de aumento. Faltam evidências para projetar o médio prazo, já que o País ainda não conhece a nova equipe econômica.

A composição da equipe econômica é, nos bastidores, a área que mais preocupa aliados e assessores do governo. Um gestor não identificado prevê que o "choque de desânimo" empresarial atinja o PIB a partir de 2027 e diz que "o perigo é o governo fazer bobagens ainda maiores". Para ele, usar bancos públicos para socorrer setores pressionados pelos juros seria um erro, assim como, para Bicalho, elevar a meta de inflação. Ele espera que o novo ministro da Fazenda "não piore as coisas".

Como outras gestoras, a Vinland está mais defensiva. "Não temos urgência em montar posições", afirma José Monforte, um dos portfolio managers da casa. Em ações, Rodrigo Andrade aumentou posições em exportadoras como Embraer, Suzano e WEG, além de Itaú, Eneva, Copel e Bradsaúde, e está vendido em varejistas e incorporadoras.

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