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Agente de IA usa falhas zero-day para invadir instituto holandês

O Instituto Holandês para Divulgação de Vulnerabilidades (DIVD), nos Países Baixos, foi invadido em 21 de setembro por um agente de IA que explorou duas falhas zero-day do helpdesk Zammad; o instituto diz que os invasores puderam ler e exfiltrar dados, mas não informou quais.

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05/11 às 13:40

Pontos principais

  • Em 21 de setembro de 2026, o DIVD foi invadido por um ataque agêntico conduzido por IA, que o próprio instituto diz nunca ter visto antes.
  • Os invasores encadearam duas falhas zero-day do Zammad: CVE-2026-102489, que leva à execução remota de código nas versões 6.3.0 a 6.5.4, e CVE-2026-102490, que dá ao usuário local zammad acesso root.
  • Segundo o DIVD, a cadeia de falhas chegou ao root em segundos, e os invasores passaram a outros serviços, lendo e exfiltrando dados sem que o instituto tenha informado quais.
  • O DIVD isolou a infraestrutura, assume a violação até prova em contrário e diz que ainda não pode descartar nada.
  • O DIVD comunicou o caso à autoridade holandesa de proteção de dados (Autoriteit Persoonsgegevens) e ao NCSC-NL, e discutiu opções com a polícia.
  • O DIVD recomenda atualizar o Zammad para a versão 7 ou tirar o sistema do ar, e publicou um script que checa indicadores de comprometimento nos logs.

O Instituto Holandês para Divulgação de Vulnerabilidades (DIVD) descreve um agente que decidia sozinho o passo seguinte após cada ação, em alta velocidade e com lógica descuidada. Para o instituto, a operação foi barulhenta e muito bagunçada: o agente chegou a contaminar o próprio ataque de man-in-the-middle com password spraying e deixou comentários tão detalhados que, segundo o DIVD, facilitaram a engenharia reversa.

O DIVD diz que a segmentação de rede e a resposta da equipe de TI limitaram o alcance da invasão, mas que parte do dano já estava feito e que sinais de comprometimento ainda estão sob análise. A investigação não tem conclusões sobre quem está por trás do ataque, por onde os invasores entraram, por quanto tempo ficaram ou até onde chegaram. Também não se sabe se a invasão foi um teste de capacidade ou parte de uma ação maior.

O DIVD encontrou as falhas durante a investigação, com a ajuda de pesquisadores da Merlon Security, e notificou a Zammad GmbH em 24 de setembro. Depois disso, passou a procurar instâncias expostas do software e a avisar os donos. Em 8 de outubro, a Zammad disse que a falha de escalonamento para root não pode ser explorada remotamente por si só, que ela depende de uma vulnerabilidade confirmada no packager.io e que a equipe ainda trabalha em uma solução.

Fontes primárias

DIVD CSIRT

DIVD-2026-00015 — Vulnerabilidades no Zammad encontradas durante a investigação do caso DIVD-2026-00014

Durante a investigação da invasão ao próprio DIVD (caso DIVD-2026-00014), o CSIRT identificou duas vulnerabilidades no Zammad. CVE-2026-102489: sequestro de sessão que leva a execução remota de código como usuário zammad, nas versões 6.3.0 a 6.5.4 (também presente nas 7.0.0 a 7.1.3, mas não explorável por condições do ambiente). CVE-2026-102490: escalonamento de privilégio do usuário local zammad para root, em todas as versões, inclusive na alpha mais recente. Linha do tempo: 21/09/2026, vulnerabilidade usada para invadir o DIVD; 24/09, reportada ao Zammad; 26/09, varredura de instâncias expostas e início da notificação aos donos. Recomendação: atualizar para o Zammad 7 ou tirar o sistema do ar. Status do patch: disponível. O DIVD disponibiliza um script de checagem de IoCs para os logs.

DIVD CSIRT

It was a matter of when, not if… (DIVD CSIRT)

O próprio DIVD anuncia que foi invadido: notou atividade suspeita, investigou e concluiu que foi hackeado. Diz que o modus operandi indica um ataque agêntico de IA, algo que o grupo nunca tinha visto, e que trata a situação como pior cenário, assumindo violação até prova em contrário. Afirma ter isolado a infraestrutura, aberto perícia com terceiro especializado, comunicado as partes diretamente envolvidas, reportado o caso à Autoriteit Persoonsgegevens e ao NCSC-NL e discutido opções com a polícia. Não cita falhas específicas, que só aparecem no caso DIVD-2026-00015.

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