RD Saúde prevê leve alta da penetração do GLP-1 no Brasil em 2027
No Brasil, a RD Saúde espera leve alta da penetração do GLP-1 em 2027, após quase um ano estável em torno de 12% das vendas.
Pontos principais
- A participação do GLP-1 se estabilizou em torno de 12% das vendas no terceiro trimestre de 2026, patamar mantido há quase um ano.
- Os fatores citados para a alta são mais disponibilidade de produto, mais concorrência na semaglutida e as versões orais, que devem chegar no fim do primeiro semestre de 2027, principalmente da semaglutida.
- A queda do preço médio da semaglutida foi 100% compensada pelo aumento de volume, e os novos entrantes já oferecem margem bruta à rede acima de 20%, perto de 25%, segundo o CEO.
- A RD Saúde não espera que sua participação no GLP-1 convirja para 20% ou 25%, e quer manter ao menos 30% ao longo do tempo.
- A companhia reafirmou o guidance de 330 a 350 aberturas brutas em 2026 e aponta para fechar o ano mais perto de 350; a rede tem 3.770 farmácias.
- Para 2027, a logística é uma das principais destinações de recursos, ao lado da conversão de algumas farmácias e de tecnologia com uso de IA.
- O lucro líquido ajustado foi de R$ 439,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 9,2%; excluindo os efeitos da 4Bio, o crescimento foi de 20,1%.
- A companhia não dá guidance formal de margem; o CEO fala em expansão gradual ano contra ano em 2027, "pouco a pouco", para compensar os ventos contrários do GLP-1.
Segundo o CEO Renato Raduan, o abastecimento da indústria para as novas marcas de semaglutida segue limitado, e a rede não teve disponibilidade irrestrita em todas as lojas no terceiro trimestre. Ele espera mais produto no quarto trimestre, com a chegada de novos concorrentes ao mercado brasileiro. Nos Estados Unidos, afirma ele, a versão oral ampliou o mercado e atraiu consumidores que evitavam injeções.
O orçamento de 2027 está em fechamento, com iniciativas para compensar os ventos contrários do GLP-1 e buscar, aos poucos, mais margem. Os investimentos do próximo ano devem ser detalhados no Investor Day, no começo de dezembro. Sobre a ruptura de estoque, a companhia diz que ela está no menor patamar já registrado e que mantê-lo exige investimento contínuo em logística.
Fontes primárias
Teleconferência de resultados do 3T26 — RD Saúde
Raduan diz que a penetração do GLP-1 segue em torno de 12% das vendas, patamar que se mantém há quase um ano, e que a companhia acha que 'o ano que vem deve aumentar um pouco esta penetração' (30:44–31:18), por mais disponibilidade de produto, mais competição na semaglutida, estoque restrito e a chegada de medicamentos orais que espera no fim do primeiro semestre de 2027, principalmente da semaglutida. Sobre preço, diz que a queda do preço médio da semaglutida foi 100% compensada por aumento de volume (29:05) e que os novos entrantes já negociam margem bruta acima de 20%, perto de 25% (56:00). Afirma que não espera convergir para 20% ou 25% de participação em GLP-1 e que quer manter ao menos 30% ao longo do tempo (1:10:40). Sobre margem, diz que não dá guidance formal, mas um 'pseudo guidance': buscar expansão de margem em 2027, 'pouco a pouco', ano contra ano, compensando os redwinds do GLP-1 (1:11:13).
Resultados 3T26 — RD Saúde
Lucro líquido ajustado de R$ 439 milhões no 3T26, alta de 9,2% na comparação anual (margem de 3,3%); excluindo impactos da 4Bio, crescimento de 20,1%. EBITDA ajustado de R$ 1,0 bilhão (+14,7%, margem de 7,8%). Receita bruta de R$ 13,2 bilhões (+16,0%). 3.770 farmácias, com 92 aberturas no trimestre; guidance de 330 a 350 aberturas brutas em 2026 reafirmado. Participação nacional de mercado de 19,1% (+1,1 p.p.); segundo a companhia, o ganho embute a estabilização sequencial dos medicamentos GLP-1 em torno de 12% das vendas, e excluindo os itens GLP-1 o ganho segue robusto, pouco abaixo de +1 p.p. Dívida líquida/EBITDA de 0,8x.
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