No LHC, evidência de decaimento raro em linha com o Modelo Padrão
A colaboração LHCb relata evidência de decaimento raro em linha com o Modelo Padrão, enquanto o Reino Unido retira financiamento do detector.
Pontos principais
- A colaboração LHCb relata a primeira evidência, em um único experimento, do decaimento raro B0 → μ+μ−.
- A significância é de 3,0 desvios-padrão só com os dados do Run 3 (2024 e 2025) e de 3,2 somando as coletas anteriores.
- Para o decaimento B0s → μ+μ−, a combinação dos dados dá 3,25 × 10⁻⁹, a medição mais precisa já feita.
- A colaboração conclui que todos os resultados estão em concordância com o Modelo Padrão.
- O estudo pode auxiliar na compreensão da matéria escura.
- A agência britânica UKRI cortou o financiamento para a modernização do detector LHCb.
- Pesquisadores alertam que a medida pode prejudicar a liderança científica e a formação de novos cientistas no Reino Unido.
Uma equipe liderada pela Universidade de Cambridge participa do trabalho da colaboração LHCb, realizado no Grande Colisor de Hádrons (LHC), na fronteira entre a Suíça e a França. A análise recai sobre o decaimento de partículas com quark beauty, que existem por apenas 1,5 trilionésimo de segundo antes de se transformar em outras. A equipe associa o resultado ao zeptoverso, escala situada um sextilionésimo de metro abaixo da escala atômica. Algumas teorias sugerem que, nessa escala, a matéria escura pode influenciar a forma como os quarks interagem e decaem.
Trata-se de um preprint publicado no arXiv em 30 de outubro, ainda sem revisão por pares.
Apesar do resultado, o projeto enfrenta incertezas devido à decisão da agência de Pesquisa e Inovação do Reino Unido (UKRI) de retirar o financiamento para a modernização do detector LHCb. Embora a agência mantenha aportes anuais ao CERN, a interrupção de investimentos específicos em infraestrutura gerou críticas. Pesquisadores alertam que o corte pode comprometer a participação britânica em futuras descobertas e limitar a formação de jovens cientistas na área.
