Chuvas comprometem trigo paulista; safra catarinense cai 36%
Segundo a Conab, as chuvas de setembro comprometem o trigo paulista, e a Epagri/Cepa vê a queda da safra catarinense vir sobretudo da área plantada.
Pontos principais
- Segundo Ruy Zanardi, presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, a safra paulista não deve chegar a 20% das 350 mil toneladas previstas.
- A Conab registra colheita de 55% da área paulista e diz que, para muitos produtores, parte do trigo já colhido não atingiu o tipo para comercialização.
- A Câmara Setorial estima que apenas 10% a 15% do volume colhido em São Paulo chegue ao Tipo 1.
- A Conab projeta 5.734,9 mil toneladas de trigo na safra 2026/27, queda de 27,2%, com área 21,1% menor.
- A Epagri/Cepa estima 243.423 toneladas em Santa Catarina, queda de 36%: a área plantada recuou 34,6% e a produtividade, 2,8%.
- A Conab diz que, com a maturação, as chuvas passam a ameaçar o peso hectolítrico e a qualidade dos grãos catarinenses.
- Em Chapecó e Xanxerê, que respondem por 38% da produção catarinense, a Epagri/Cepa registra acamamento de plantas em muitas lavouras, causado por chuva com ventos fortes.
No Brasil, a Conab descreve o trigo paulista como “extremamente comprometido pelas chuvas”. Em setembro, o levantamento registra volumes acima de 150 mm no centro-sul de São Paulo e diz que o excesso pode ter afetado a qualidade do grão em maturação e colheita. O trigo que ainda está no campo aguarda melhores condições climáticas para a colheita. O Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) defende fortalecer a relação entre produtores e a indústria moageira para preservar o mercado paulista.
Em Santa Catarina, a queda vem mais da área que da produtividade. Nas áreas já colhidas, a produtividade variou de 2.220 a 3.300 kg/ha. No quadro nacional, a Epagri/Cepa atribui a retração da área a previsões de clima adverso e ao desestímulo inicial dos produtores. Em Curitibanos, Concórdia e Joaçaba, as lavouras estão no limite de tolerância ao excesso hídrico, mas o controle fitossanitário evitou danos maiores, e a expectativa segue boa, segundo a Epagri/Cepa.
Fontes primárias
Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos — Safra 2026/27, 1º levantamento
Trigo nacional estimado em 5.734,9 mil t na safra 2026/27, queda de 27,2%, com área de 1.928,8 mil ha (−21,1%). Sobre São Paulo, a Conab diz que a colheita alcançou 55% da área e que o cereal está "extremamente comprometido pelas chuvas"; parte do que já foi colhido ficou abaixo do padrão e, para muitos produtores, não atingiu o tipo para comercialização. O relatório registra chuvas acima de 150 mm no centro-sul paulista em setembro, com possível impacto na qualidade do trigo em maturação e colheita.
Boletim Agropecuário nº 161 (out/2026) — Trigo
Safra catarinense de trigo 2026/27 estimada em 243.423 t, queda de 36,5% sobre as 383.075 t de 2025/26. Área de 68.342 ha (−34,6%) e produtividade média de 3.562 kg/ha (−2,8%). Até a última semana de setembro, 14% da área havia sido colhida, com produtividade de 2.220 a 3.300 kg/ha nas áreas colhidas. A Epagri relata que o excesso de chuvas, associado a ventos fortes, causou acamamento em lavouras do Oeste e de Chapecó e Xanxerê, e que a alta umidade favoreceu doenças fúngicas nas regiões de Curitibanos, Concórdia e Joaçaba.
