Estratégias digitais de André Janones inspiram esquerda internacional
O responsável pela comunicação da França Insubmissa diz que o partido já opera um canal de WhatsApp no modelo de André Janones, e simpatizantes montaram canais semelhantes na Argentina e na Espanha.
Pontos principais
- Antoine Léaument, responsável pela comunicação da França Insubmissa, diz que o partido já tem canal de WhatsApp próprio, com cerca de 40 mil membros quando ele escreveu, em 27 de outubro.
- Léaument diz que o canal “Exército do Lula” passou de 50 mil para 10 milhões de membros entre os dois turnos, sem indicar fonte, e que servia para contornar a invisibilização das publicações de Lula no Instagram e no Facebook.
- Em blog publicado em 27 de outubro, Léaument extrai seis “lições do janonismo” para a campanha de Jean-Luc Mélenchon: canal de WhatsApp, resposta à extrema direita só com capturas de tela, muitos emissores em vez de um, vídeos positivos, disputa dos símbolos nacionais e gamificação da militância.
- Léaument recomenda bloquear contas da extrema direita quando o militante não resistir a responder, e reconhece que a hipótese de que responder a ela é um jogo perdedor ainda não foi demonstrada.
- Três canais de apoio, na Argentina, na França e na Espanha, já somam mais de 270 mil seguidores.
As estratégias de mobilização digital de André Janones na campanha de Lula viraram referência para a esquerda em outros países. Na França, o responsável pela comunicação da França Insubmissa, Antoine Léaument, diz que o partido já usa um canal de WhatsApp próprio. Na Argentina e na Espanha, simpatizantes criaram canais que se declaram inspirados no Exército do Lula. Na Colômbia, o ex-presidente Gustavo Petro elogiou a articulação de Janones, que se ofereceu para colaborar.
Léaument mistura análise com instruções para a militância e trata parte das lições como experimento. O cientista político Leandro Consentino, do Insper, avalia que a estratégia amplia o alcance direto das campanhas, mas pode tornar a disputa “muito mais personalista” e deixar o debate sobre políticas públicas em segundo plano.
