Falta de controle fitossanitário pode reduzir produtividade da soja em 55%
Em cenário extremo, sem controle de pragas, doenças e plantas daninhas, a produção brasileira de soja perderia 121,3 milhões de toneladas, segundo estudo da UFV com a CropLife Brasil.
Pontos principais
- Com controle ótimo, que evita 80% dos danos, a produtividade chegaria a 72 sacas por hectare; sem controle, a 32.
- No cenário sem controle, a perda média seria de 121,3 milhões de toneladas, avaliadas em R$ 223,5 bilhões.
- Com controle parcial, que evita 40% dos danos, a perda cairia para 72,8 milhões de toneladas.
- Para repor a perda sem controle, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, área equivalente à de Goiás.
- Na situação mais crítica analisada, a oferta cairia cerca de 65% nos principais estados e o preço da soja subiria até 49%.
- Na mesma situação, o IPCA subiria cerca de 0,26 ponto percentual, pelo repasse a óleo, leite e ovos.
Um estudo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), feito em cooperação com a CropLife Brasil, associação que reúne empresas de biotecnologia e defensivos agrícolas, estima que a falta de controle de pragas, doenças e plantas daninhas pode reduzir a produtividade das lavouras brasileiras de soja em até 55%. A simulação compara três cenários, sem controle, com controle parcial e com controle ótimo, com 10 mil simulações por estado; as perdas mais graves vêm do cenário sem qualquer controle.
Segundo o pesquisador-chefe, Emerson Del Ponte, da UFV, o estudo “não é uma previsão, é uma demonstração do cenário extremo”. Pelo modelo, uma alta de 10% na soja se repassa em 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. O uso de defensivos químicos, um dos métodos avaliados, segue controverso pelos riscos à saúde e ao meio ambiente.
