Indústria brasileira de suco de laranja enfrenta crise com consumo em queda de longo prazo
Estoques de processadoras em alta e consumo em queda de longo prazo derrubam o preço da laranja industrial, que chegou a cerca de R$ 27 a caixa em outubro de 2026.
Pontos principais
- O consumo global de suco de laranja encolheu 46,5% entre as safras de 2010 e 2025.
- Em países selecionados, o consumo doméstico de suco caiu 29% entre 2020/21 e 2025/26 (projeção), de 1,65 milhão para 1,17 milhão de toneladas, segundo o USDA.
- Na União Europeia, a queda foi de 48% no mesmo período, de 585 mil para 304 mil toneladas.
- Para 2025/26, o USDA projeta alta de 4% no consumo mundial de suco, para 1,2 milhão de toneladas, puxada pelos Estados Unidos.
- Os estoques finais mundiais de suco ficam estáveis em 250 mil toneladas em 2025/26, também segundo o USDA.
- Estoques de processadoras brasileiras subiram 75% em dezembro de 2025, totalizando 616 mil toneladas.
- O preço da caixa de laranja industrial caiu para cerca de R$ 27 em outubro de 2026.
- O greening afeta metade dos pomares no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais.
- Chuvas recentes impactaram a qualidade da safra 2026/27, reduzindo o Brix e o tamanho das frutas.
A indústria brasileira de suco de laranja atravessa uma crise estrutural, pressionada por uma mudança nos hábitos de consumo global que reduziu a demanda em 46,5% nos últimos quinze anos. Em países selecionados, o consumo doméstico de suco caiu 29% entre 2020/21 e 2025/26, segundo o USDA, com a União Europeia recuando 48% no período. O cenário é agravado pelo greening, doença sem cura que compromete cerca de metade das árvores no principal cinturão citrícola do país. Os estoques das processadoras brasileiras dispararam 75% em um ano, e o preço da fruta recuou de patamares recordes em 2024 para a casa dos R$ 27 por caixa em outubro de 2026.
Para 2025/26, o USDA projeta alta de 4% no consumo mundial de suco, para 1,2 milhão de toneladas, puxada pelos Estados Unidos, sobre uma base de 2024/25 já baixa. Os estoques finais mundiais ficam estáveis em 250 mil toneladas, e o Brasil, que responde por 76% da produção global, deve produzir 1,03 milhão de toneladas de suco em 2025/26, também segundo o USDA.
Além dos desafios de mercado, a qualidade da safra 2026/27 foi prejudicada por chuvas irregulares em outubro, que afetaram o tamanho e o teor de açúcar das laranjas. Embora a umidade possa favorecer o desenvolvimento da próxima temporada, o setor enfrenta um ritmo lento de negociações devido à incerteza sobre a qualidade do produto e ao cenário econômico.
