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Estudo da CNI alerta para risco de escassez de biocombustíveis até 2035

A CNI estima um déficit de 15,2 milhões de CBIOs em 2035 e alerta que o Brasil pode ter falta de biocombustíveis e alta de preços se a oferta não acompanhar as metas de descarbonização.

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Foto: Globo Rural
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29/10 às 07:15, atualizado 09:03

Pontos principais

  • Segundo a EPE, citada pela CNI, o consumo de etanol combustível sobe de 34,4 bilhões de litros em 2025 para 46,2 bilhões em 2035.
  • No biodiesel, o cenário-base chega a 18 bilhões de litros em 2035; a produção com as usinas atuais a 85% de uso, de 13,4 bilhões, só atenderia até 2027, e as expansões anunciadas elevam o potencial para 18,6 bilhões.
  • Com a taxa média de uso das usinas de etanol historicamente em torno de 35%, a produção efetiva seria de 36,2 bilhões de litros por ano, abaixo da demanda de 39,7 bilhões estimada para 2026.
  • O déficit entre a meta indicativa do RenovaBio e a emissão potencial de CBIOs vai de 4,7 milhões em 2027 a 15,2 milhões em 2035, quando a meta fica cerca de 26% acima da oferta esperada.
  • Para eliminar esse déficit só com etanol hidratado, seriam necessários 15,2 bilhões de litros adicionais, e a necessidade total chegaria a 61,3 bilhões de litros em 2035.
  • No diesel verde, a mistura de até 3% cria demanda de cerca de 2,5 bilhões de litros em 2035, sem oferta comercial estruturada; no SAF, a demanda pode ficar entre 3,2 e 9,1 bilhões de litros em 2037, com o ProBioQAV e o CORSIA, conforme a intensidade de carbono.
  • A CNI propõe um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis, com MME, ANP, EPE, Petrobras e MAPA, e uma política de comércio exterior que facilite importações quando a oferta doméstica for insuficiente.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil pode chegar a 2035 com demanda por biocombustíveis acima da oferta que o setor consegue entregar. No biodiesel, a mistura obrigatória da Lei do Combustível do Futuro (20% entre 2030 e 2035) é previsível e os projetos anunciados podem acompanhá-la, mas misturas acima de 20% exigirão investimentos adicionais. No etanol, a produção efetiva depende da safra de cana e da disputa com o açúcar, e a CNI estima que, mesmo com as expansões anunciadas, a capacidade só atenda a demanda até 2027.

O elo entre oferta e preço é o Crédito de Descarbonização (CBIO), que as distribuidoras são obrigadas a comprar. Quando as metas superaram a emissão, em 2022 e 2023, o preço médio do certificado subiu de cerca de R$ 36 em 2021 para R$ 101 em 2022 e R$ 113 em 2023. A CNI associa a falta de oferta a pressão sobre os preços finais dos combustíveis e vê o maior risco no diesel verde e no combustível sustentável de aviação (SAF), cujas cadeias ainda estão em estágio inicial e dependem de hidrogênio de baixo carbono.

A entidade pede que as metas de CBIO considerem a oferta esperada, e não só os objetivos de descarbonização. As metas são fixadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e as propostas da CNI dependem de decisão do governo.

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