Polícia de Uttar Pradesh, na Índia, é acusada de execuções extrajudiciais
Investigação aponta que centenas de suspeitos, majoritariamente muçulmanos, foram baleados pela polícia indiana em supostas ações de combate ao crime.
Pontos principais
- Cerca de 650 suspeitos de contrabando de vacas foram baleados pela polícia desde 2020.
- A prática, apelidada de 'Operação Lame', foca majoritariamente na população muçulmana.
- Dados oficiais indicam que 316 pessoas morreram em confrontos policiais entre 2017 e 2026.
- O governo estadual justifica as ações como uma política de tolerância zero contra o crime.
- O Tribunal Superior de Allahabad classificou as ações como violações do Estado de Direito.
Uma investigação revelou que a polícia do estado de Uttar Pradesh, na Índia, tem adotado uma prática sistemática de balear suspeitos nas pernas, ação conhecida localmente como 'Operação Lame'. Desde 2020, quase 650 pessoas acusadas de contrabando de vacas foram alvejadas, sendo a maioria composta por muçulmanos. O cenário reflete tensões religiosas ligadas às leis de proteção bovina, fundamentadas em crenças hindus, que têm sido utilizadas para justificar abordagens policiais violentas e intimidação.
Enquanto o governo estadual defende a estratégia como uma medida necessária de segurança pública para coibir a criminalidade, críticos e órgãos de direitos humanos denunciam a prática como punição extrajudicial. O Tribunal Superior de Allahabad manifestou preocupação, afirmando que tais ações são impermissíveis sob o Estado de Direito. Registros oficiais apontam que, entre março de 2017 e outubro de 2026, 316 suspeitos morreram em decorrência desses confrontos, levantando questionamentos sobre a legalidade e a imparcialidade das forças de segurança locais.
