Imperial estima 50 mil mortes por calor em cidades europeias no verão de 2026
Pesquisadores do Imperial College London e da LSHTM estimam cerca de 50 mil mortes em excesso ligadas ao calor em cidades de 30 países europeus no verão de 2026, e dizem que cerca de dois terços delas se devem ao aquecimento causado pela atividade humana.
Pontos principais
- Os pesquisadores estimam 50.391 mortes em excesso relacionadas ao calor em 854 cidades de 30 países, entre junho e agosto de 2026 (intervalo de 95%: 46.026 a 53.878).
- Desse total, 32.619 mortes (65%; intervalo de 26.078 a 38.237) são atribuídas ao aquecimento causado pela atividade humana, pela comparação com um cenário sem esse aquecimento.
- Pelo mesmo método, o total supera as estimativas para 2022 (29.480) e 2003 (28.462).
- A faixa de 85 anos ou mais concentra 22.502 mortes, a maior das cinco faixas etárias analisadas.
- Ajustadas por idade, as taxas por milhão de habitantes são mais altas em Malta (716), Itália (561), Hungria (537) e Croácia (461); a Itália tem o maior total, com 13.303 mortes.
- Quase um terço do total, 14.539 mortes, ocorreu entre 17 de junho e 1º de julho, na onda de calor de fim de junho sobre a Europa ocidental.
Um estudo do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) traz estimativas de mortes em excesso, não contagens de óbitos registrados. Os pesquisadores combinaram temperaturas diárias com relações entre calor e mortalidade específicas de cada cidade e faixa etária, e compararam o resultado com um cenário sem o aquecimento causado pela atividade humana. A análise cobre apenas populações urbanas, quase 40% dos habitantes desses países; o total europeu seria maior, mas não é estimado.
Os pesquisadores avisam que a parcela atribuída ao aquecimento depende do modelo de atribuição, um deslocamento das temperaturas médias mensais que tende a ser conservador. Em Malta, a incerteza sobre esse aquecimento é tão grande que a parcela atribuída não pode ser afirmada com segurança.
Na onda de calor de junho, a parcela atribuída é menor porque as temperaturas seriam perigosas até num clima sem aquecimento humano. Os pesquisadores afirmam, porém, que o modelo pode subestimar essa mortalidade, já que a população estava menos aclimatada e a umidade foi muito alta, com noites incomumente quentes. As relações calor-mortalidade usadas vêm de dados de 2000 a 2019 e não captam mudanças de vulnerabilidade depois disso.
