Replicação de Milgram mantém obediência próxima à de 1961, até 150 volts
Em 1961, na Universidade Yale (EUA), 26 de 40 participantes de Milgram aplicaram o choque máximo sob ordens; a replicação de Jerry Burger, publicada em 2009, obteve taxas pouco menores, mas limitou o teste a 150 volts.
Pontos principais
- Milgram registrou que, em 1961, 26 dos 40 participantes aplicaram o choque máximo do gerador, de 450 volts, sob ordens do experimentador.
- Outros 14 interromperam o experimento em algum ponto, depois que a vítima protestou e parou de responder.
- Segundo Milgram, os choques eram simulados e a vítima era cúmplice; nenhum participante suspeitou do gerador, cuja escala ia de 'Choque leve' a 'Perigo: choque severo'.
- Milgram relatou que alunos de psicologia de Yale previram, em média, que só 1,2% chegariam ao choque máximo.
- Em 2009, Jerry Burger limitou o teste a 150 volts: 70% passaram desse ponto e tiveram de ser interrompidos, contra 82,5% no original; a diferença não é estatisticamente significativa.
- Milgram atribuiu o conflito dos participantes à oposição entre duas disposições profundamente arraigadas: não ferir outras pessoas e obedecer a autoridades legítimas.
Milgram conduziu o experimento na Universidade Yale, em New Haven, nos Estados Unidos, com homens recrutados por anúncio de jornal que acreditavam participar de um estudo sobre memória. Cada um deveria aumentar a intensidade do choque a cada erro de um aprendiz, sob o pretexto de medir o efeito da punição na aprendizagem.
Em janeiro de 2009, no American Psychologist, Jerry Burger, da Universidade de Santa Clara, nos Estados Unidos, relatou sua replicação. Ele fixou o teto em 150 volts, ponto em que, segundo Burger, quase todos os participantes do estudo original hesitavam. Burger afirma que os mesmos fatores situacionais que afetavam a obediência em 1961 continuam operando hoje, e que nenhum estudo com procedimento semelhante fora publicado em mais de três décadas.
Psicólogos que comentaram o artigo na mesma edição questionaram a comparação. Arthur G. Miller, da Universidade Miami, em Oxford (Ohio), escreveu que as diferenças entre os estudos impedem comparações conceitualmente precisas; Alan Elms, da Universidade da Califórnia em Davis, afirmou que os níveis absolutos de obediência não podem ser comparados entre o teto de 150 volts e os 450 volts do original. Milgram escreveu que vários dos argumentos que levantou não precisavam ficar só na especulação, pois podiam ser testados em novos experimentos.
Fontes primárias
Behavioral Study of Obedience
Experimento com 40 homens recrutados na Universidade Yale. Cada um recebia a ordem de aplicar choques cada vez mais fortes em uma 'vítima' (cúmplice do experimentador) por meio de um gerador com 30 chaves, de Choque Leve a Perigo: Choque Severo, num suposto teste de aprendizagem. 26 dos 40 obedeceram integralmente e aplicaram o choque máximo; 14 interromperam em algum momento, depois que a vítima protestou e se recusou a responder. O artigo descreve o procedimento como um estudo de obediência destrutiva em laboratório.
Replicating Milgram: Researcher Finds Most Will Administer Shocks to Others When Prodded by 'Authority Figure'
Jerry M. Burger (Santa Clara University) replicou um dos experimentos de Milgram e encontrou que as pessoas continuam dispostas a aplicar supostos choques elétricos dolorosos em outros quando instigadas por uma figura de autoridade. Entre os participantes, 70% precisaram ser interrompidos ao passarem de 150 volts, diferença não estatisticamente significativa em relação aos 82,5% de Milgram que continuaram após esse ponto; 79% dos que passaram de 150 volts em Milgram foram até o fim do gerador. As taxas de obediência ficaram pouco abaixo das de Milgram, 45 anos antes, e não houve diferença entre homens e mulheres. Segundo Burger, os mesmos fatores situacionais que influenciavam a obediência nos experimentos de Milgram continuam operando hoje.
