Drones ucranianos levam refino russo ao menor nível em mais de duas décadas
Segundo a Kpler, a queda do refino russo, causada por ataques de drones ucranianos, reduz a oferta de derivados para exportação e aperta o mercado de diesel na Bacia do Atlântico.
Pontos principais
- Até meados de julho, cerca de 4,3 milhões de barris por dia de capacidade de refino russa estavam parados ou atingidos, o equivalente a 58% do total.
- O processamento nas refinarias russas caiu para cerca de 3,8 milhões de barris por dia em julho até então, o menor nível em mais de duas décadas.
- Desde agosto de 2025, ao menos 25 refinarias russas foram atingidas por drones, com danos a unidades de destilação e de processamento secundário.
- As exportações de derivados russos caíram para 1,2 milhão de barris por dia em julho, ante 1,6 milhão em junho e 2,3 milhões em julho de 2025.
- A produção de diesel e querosene de aviação caiu cerca de 350 mil barris por dia entre março e julho, e as exportações de diesel de ultrabaixo teor de enxofre (ULSD) ficaram suspensas temporariamente até o fim de julho.
- A Kpler projeta corridas de 4,3 milhões de barris por dia em agosto e 4,6 milhões em setembro, e não prevê recuperação relevante antes do quarto trimestre.
- Os riscos seguem em baixa, a menos que os ataques à infraestrutura energética diminuam de forma relevante como parte de um cessar-fogo ou trégua mais amplo.
Os reparos são lentos. Segundo a Kpler, as instalações atingidas precisam de inspeções e verificações de integridade antes de voltar a operar, e refinarias são atingidas de novo antes de concluir os reparos, o que estende as paradas. Ataques recentes a Moscou, Volgogrado, Omsk, Syzran e Saratov reforçam essa leitura, já que os reparos de unidades de processamento devem levar meses, e não semanas.
A Rússia, que já foi um dos maiores exportadores de combustíveis de transporte do mundo, pode passar a importar alguns produtos, segundo a Kpler. Com mais petróleo sendo desviado para exportação sem ser processado, as vendas externas de cru chegaram a 4,4 milhões de barris por dia em junho e ficaram perto de 4,0 milhões em julho até então. Já a produção de gasolina caiu cerca de 175 mil barris por dia entre março e julho, e a Rússia manteve restrições às exportações, flexibilizou padrões de qualidade e passou a buscar volumes em Belarus e no mercado marítimo.
A Kpler não publica volume de exportação de diesel separado do total de derivados, e os dados disponíveis vão até julho.
Fonte primária
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