Líder de seita no Quênia é condenado pela morte de 191 pessoas
Um tribunal de Mombaça, no Quênia, condenou Paul Mackenzie e 28 corréus por 191 homicídios, 190 deles de crianças, cometidos em um sistema de jejum imposto pela seita em Shakahola.
Pontos principais
- A Alta Corte de Mombaça condenou Paul Mackenzie e 28 corréus por 191 homicídios, 190 deles de crianças.
- As mortes ocorreram entre janeiro de 2021 e setembro de 2023 na região de Shakahola, no condado de Kilifi.
- Segundo a juíza Diana Kavedza, as mortes resultaram de um sistema organizado de ensinamentos religiosos e hierarquia, que dirigia e impunha o jejum, começando pelas crianças.
- A juíza concluiu que a igreja Ministérios Internacionais da Boa Nova, fundada por Mackenzie em 2010, funcionava como uma seita.
- Segundo as provas ouvidas pela corte, Mackenzie pregava o fim iminente do mundo, desencorajava a medicina moderna e a educação formal e incentivava o jejum como forma de entrar no céu.
- Crianças eram contidas, privadas de comida e punidas por tentar comer ou fugir.
- A perícia médica apresentada pela acusação atribuiu 76 mortes à inanição e 112 a causas não apuradas; as três restantes a traumatismo craniano, compressão manual do pescoço e asfixia com sinais de inanição.
- A acusação apresentou 123 testemunhas, entre elas crianças vítimas e adultos cúmplices, e exumou corpos de sepulturas em várias residências e de covas coletivas, uma delas com 12 corpos e outra com 63.
A Diretoria de Acusação Pública do Quênia, pelo diretor Renson Ingonga, anunciou as condenações proferidas pela juíza Diana Kavedza. Entre os condenados estão, além de Mackenzie, o pastor-adjunto Smart Deri Mwakalama, Stephen Sanga Muye e outros 26. Os réus Kelvin Saudi Asena e Edison Safari Mnyambo morreram durante o julgamento, e a promotoria retirou as acusações de homicídio contra eles.
Segundo a juíza, os seguidores foram primeiro levados ao assentamento e, depois, instruídos a jejuar. A ordem era transmitida por anciãos das aldeias e reforçada em reuniões regulares, enquanto guardas controlavam a movimentação e impediam fugas. A corte também considerou provas de que os ritos funerários eram realizados em horários incomuns para evitar a detecção, e de que o assentamento era dividido em 12 aldeias para facilitar a imposição do jejum.
