Krugman alerta para trajetória fiscal insustentável da França
O economista Paul Krugman diz que a França está em uma trajetória fiscal insustentável, com juros em alta e risco de crise na zona do euro.
Pontos principais
- Krugman diz que a França roda déficits e acumula dívida alta sem guerra, recessão ou pandemia que os justifiquem.
- A idade oficial de aposentadoria era de 62 anos em 2023, contra 67 na Dinamarca e nos EUA.
- Krugman cita a expectativa de vida de cerca de 87 anos aos 65, dois a mais que nos EUA, para dizer que a aposentadoria precoce é insustentável.
- Macron planejava elevar a idade para 64 anos, mas a alta está congelada até depois da eleição presidencial de 2027, e a idade fica em 62 anos e 9 meses.
- Os juros dos títulos franceses subiram mais que os de outros países do euro e estão acima dos italianos, mas um pouco abaixo dos americanos.
- Pelo CDS, a probabilidade implícita de calote da França em cinco anos é de 1,2%, que Krugman considera baixa demais.
- Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, lidera as pesquisas para 2027 e promete voltar a idade de aposentadoria para 62 anos, o que Krugman chama de extremamente caro.
- Krugman liga o peso da previdência a cortes em outras áreas, sobretudo na educação, e vê nos protestos estudantis uma consequência previsível.
- Para ele, a França pode ter passado de grande demais para falir a grande demais para ser salva, por ser a segunda economia da zona do euro.
O economista Paul Krugman afirma, em post no Substack de 8 de outubro, que a França está em uma trajetória fiscal insustentável. Para ele, o problema é estrutural: déficits em tempo de paz e uma previdência que cresce mais que a receita, em razão do envelhecimento da população. A aposentadoria precoce é, na sua leitura, o ponto em que a França se distingue de outras economias avançadas, e a disputa política em torno dela agrava o quadro.
Krugman descreve o roteiro de uma eventual crise pelo que ocorreu na Grécia, em Portugal, na Espanha e na Itália entre 2009 e 2012: fuga de investidores, juros em espiral e risco de calote, agravado porque a França não pode imprimir euros. Ele duvida que o BCE socorreria a França com a mesma disposição que sustentou a promessa de Draghi de fazer 'whatever it takes', já que o país se afasta da disciplina fiscal enquanto o sul da Europa passou por cortes, e a Alemanha se oporia a um resgate. Krugman não arrisca um desfecho: diz que um cenário mais otimista depende de o centro político se recuperar, de Le Pen governar com mais moderação do que se teme ou de o BCE estar presente se preciso.
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