OpenAI desarticula operação russa de influência com alvos na América Latina
A OpenAI baniu contas originadas na Rússia que conduziam, na América Latina, uma operação para desgastar a imagem da Ucrânia e influenciar a política local por meio de um suposto centro de pesquisas.
Pontos principais
- Contas do ChatGPT originadas na Rússia; como a OpenAI não permite acesso ao serviço a partir do país, os operadores usaram VPNs.
- No Peru, segundo os operadores, um e-mail falso de uma diretoria regional de educação de Lima levou escolas a realizar eventos sobre a Ucrânia citando Stepan Bandera, em maio de 2026; reportagens peruanas e polonesas com essa alegação foram encontradas em fontes abertas.
- No Equador, segundo os operadores, um e-mail falso levou escolas a uma cerimônia de lealdade a Daniel Noboa e Erik Prince; o ministro da Educação do Equador desmentiu a história.
- Na Bolívia, em maio, um áudio falso atribuído a um funcionário da estatal EPSAS anunciava corte de água em La Paz e estado de emergência; a própria EPSAS negou a informação.
- Na Argentina, os operadores diziam ter espalhado em 2024 a história de colares Cartier para os cães de Javier Milei e ter pago atores locais para pichações anti-Milei em Buenos Aires; ambas foram atribuídas publicamente à Politology com base em documentos vazados.
- A OpenAI não conseguiu confirmar em fontes abertas a alegação de que um influenciador brasileiro foi traficado para a Ucrânia e morto em Kiev, nem um áudio falso atribuído ao Banco Central da Bolívia sobre limite de saques.
- Os operadores diziam que o chanceler argentino citara a operação em comitê da ONU sobre as Malvinas; a OpenAI nota que os dois argumentos citados já são posição oficial da Argentina há anos.
- Segundo a OpenAI, o Social Research Center publicou mais de 60 artigos no próprio site, a maioria original, e em 17 de agosto sua conta no LinkedIn tinha 961 seguidores e dois funcionários listados, embora alegasse de 200 a 500.
- A OpenAI classifica a operação na categoria 5 da escala IO Breakout, que vai de 1 a 6, a primeira desse nível desde que começou a publicar casos como este.
- A OpenAI diz ter compartilhado o caso com autoridades relevantes.
A OpenAI desarticulou uma operação de influência com origem na Rússia, que chamou de Dark Clark e que atuava na América Latina para desgastar a imagem da Ucrânia e influenciar a política local, sobretudo na Argentina e na Bolívia. Segundo a empresa, o ChatGPT foi usado principalmente para redigir relatórios internos sobre as atividades e, na maioria dos casos, não para criar o conteúdo das campanhas. Segundo a OpenAI, os operadores controlavam o Social Research Center, apresentado como plataforma de pesquisa, por meio de uma persona falsa chamada Mia Clark. As evidências indicam que os funcionários latino-americanos do centro não sabiam que trabalhavam para um grupo russo.
Pesquisadores de fontes abertas atribuíram algumas das falsificações à Politology, também chamada La Compania, que a OpenAI descreve como sucessora do Grupo Wagner. A empresa ressalva que as alegações de impacto dos próprios operadores não podem ser tomadas ao pé da letra, já que eles se atribuíam ações alheias, e não identifica o superior a quem reportavam.
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