Daily Journal
Daily Journal

Andrew Bailey diz que choques repetidos dificultam sustentar apoio fiscal

Em Istambul, na Turquia, o governador do Banco da Inglaterra diz que o sistema financeiro resistiu aos choques recentes, mas que choques frequentes e dívida mais alta dificultam o apoio fiscal dos governos.

Daily Journal
||
08/10 às 10:33 · atualizado 11:34

Pontos principais

  • Bancos seguem bem capitalizados e não há sinais de estresse de financiamento, segundo Bailey.
  • Os mercados de títulos soberanos resistiram a aumentos significativos nos rendimentos, com ajustes em sua maioria ordenados.
  • O conflito no Oriente Médio e a expansão do financiamento ligado à inteligência artificial criam novas exposições, segundo ele.
  • Posições alavancadas podem ser desfeitas rapidamente e gerar vendas forçadas que se espalham por vários países.
  • Ele defende regras fiscais claras, capazes de conter prêmios de risco quando choques ocorrem.
  • Entre as medidas que merecem consideração estão compensação central mais ampla, margens mínimas de garantia (haircuts) adequadas e gestão de risco mais forte.
  • Bailey é cético quanto a promessas incondicionais sobre juros futuros e pede que bancos centrais expliquem como reagiriam a cenários diferentes.
  • Ele não cita números de dívida nem trata da situação fiscal de nenhum país específico.

Em discurso no Fórum Econômico de Istambul, na Turquia, o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, diz que o sistema financeiro resistiu aos choques recentes, mas que essa resiliência não pode ser dada como certa. Os dois problemas de fundo, segundo ele, são o crescimento potencial mais fraco e os choques de oferta cada vez mais frequentes.

Para os governos, Bailey afirma que crescimento mais fraco e choques de oferta pressionam as contas públicas e aumentam a demanda por apoio, enquanto juros mais altos e menor crescimento elevam a relação dívida/PIB. Usar o balanço para amortecer recessões e recompor espaço fiscal depois fica muito mais difícil quando os choques se sucedem e levam a dívida a um patamar mais alto.

Bailey evita dizer que choques repetidos serão a nova regra, mas afirma que é preciso se preparar para um mundo em que choques grandes deixem de ser exceção. Para ele, a saída passa por crescimento sustentável e mercados capazes de absorver choques. Não há solução rápida.

Comentários

Carregando comentários...