Estudos apontam falhas no atendimento de saúde a gestantes indígenas
Racismo institucional e falta de preparo das equipes médicas dificultam o acesso e a qualidade do pré-natal para mulheres indígenas no Brasil.
Pontos principais
- Mais de 60% dos profissionais de saúde em Dourados não reconhecem as etnias indígenas locais.
- Cerca de 19,4% das mães indígenas que deram à luz em aldeias entre 2015 e 2023 não realizaram consultas de pré-natal.
- A ausência de registro étnico em prontuários impede a oferta de um atendimento culturalmente diferenciado.
- Relatos indicam a persistência de práticas intervencionistas e preconceitos raciais durante o parto.
O sistema de saúde brasileiro enfrenta desafios críticos no atendimento a gestantes indígenas, marcado por racismo institucional e desconhecimento técnico. Pesquisas realizadas na região de Dourados revelam que a maioria dos profissionais da linha materno-infantil não consegue identificar as etnias atendidas, o que compromete a qualidade do acompanhamento. Além disso, a ausência de registro sistemático da origem étnica nos prontuários inviabiliza a implementação de protocolos de atendimento diferenciados e respeitosos.
Dados nacionais do Sinasc reforçam a desigualdade, indicando que quase 20% das mulheres indígenas que pariram em aldeias entre 2015 e 2023 não tiveram acesso ao pré-natal. O cenário é agravado por interpretações equivocadas sobre a dor das parturientes e a aplicação de práticas intervencionistas desnecessárias. Especialistas alertam que a falta de capacitação profissional e a negligência com as especificidades culturais perpetuam a exclusão dessas pacientes no SUS.
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