Brasil precisa de alianças para evitar G2 entre EUA e China
Diplomata Nicholas Burns defende aproximação entre Brasil e EUA para fortalecer democracias e evitar hegemonia global de um bloco sino-americano.
Pontos principais
- Nicholas Burns, ex-embaixador dos EUA na China, classificou a relação diplomática atual entre Brasil e EUA como a mais difícil em décadas.
- O diplomata criticou a imposição de tarifas comerciais pelos EUA a parceiros como o Brasil, classificando a medida como ineficaz e prejudicial.
- Burns defende que o Brasil atue como uma 'superpotência intermediária' para evitar que a ordem mundial seja ditada exclusivamente por Washington e Beijing.
- A cooperação em minerais críticos e terras raras foi apontada como uma oportunidade estratégica para reduzir a dependência global da China.
- O ex-embaixador destacou que regimes autoritários como China, Rússia, Irã e Coreia do Norte estão agindo em conjunto, exigindo uma resposta coordenada das democracias.
O diplomata americano Nicholas Burns, professor em Harvard e ex-embaixador dos EUA na China, afirmou durante a J. Safra Investment Conference 2026 que o Brasil e os Estados Unidos enfrentam um momento crítico em suas relações diplomáticas. Segundo Burns, a fragmentação global e a ascensão de regimes autoritários exigem que as duas maiores democracias do hemisfério ocidental superem divergências e colaborem em temas como segurança regional, crise na Venezuela e desenvolvimento de cadeias de suprimentos independentes.
Burns criticou a política de tarifas adotada pelos EUA, argumentando que o protecionismo prejudica o livre comércio e afasta aliados estratégicos. Ele defende que o Brasil, ao lado de outras potências intermediárias como Japão e Índia, deve exercer maior influência internacional para impedir a formação de um sistema global bipolar, ou 'G2', onde apenas EUA e China definem as regras. O diplomata ressaltou ainda que, embora a negociação com Beijing seja normal, a proximidade excessiva com um regime autoritário pode trazer riscos de dependência econômica insustentável.
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