IBGE aponta que apenas 29% das pessoas com deficiência estão ocupadas
Dados do Censo 2022 revelam que brasileiros com deficiência enfrentam salários menores, maior analfabetismo e menor inserção no mercado de trabalho.
Pontos principais
- O nível de ocupação de pessoas com deficiência no Brasil é de 29%, ante 55,8% entre pessoas sem deficiência.
- O rendimento médio mensal de trabalhadores com deficiência é de R$ 2.053, cerca de 71% da média de quem não possui deficiência.
- A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência é de 12,2%, doze vezes maior que a de jovens sem deficiência.
- O Brasil possuía 14,4 milhões de pessoas com deficiência em 2022, o que equivale a 7,3% da população.
- A ocupação é menor conforme a intensidade da deficiência, atingindo apenas 21,2% entre aqueles com deficiência profunda.
- Apenas 59,8% das pessoas com deficiência residem em domicílios com saneamento básico adequado.
- A participação de servidores com deficiência no serviço público federal subiu para 3,1% em 2025.
A segunda edição do informativo "Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil", divulgada pelo IBGE com base no Censo Demográfico 2022, revela um cenário de disparidades profundas no acesso ao trabalho e na qualidade de vida. O levantamento aponta que apenas 29% das pessoas com deficiência estavam ocupadas no período, um índice significativamente inferior aos 55,8% registrados entre a população sem deficiência. A dificuldade de inserção no mercado é ainda mais acentuada conforme o grau da limitação, sendo que indivíduos com deficiência profunda apresentam uma taxa de ocupação de apenas 21,2%.
Além da barreira de entrada, o estudo destaca uma desigualdade salarial persistente. O rendimento médio mensal dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053, o que representa cerca de 71% do valor recebido por trabalhadores sem deficiência, que ganham em média R$ 2.890. Essa diferença é agravada pela concentração desses profissionais em setores de menor remuneração, como a agropecuária e os serviços domésticos, além de maiores dificuldades de deslocamento e acesso a serviços básicos, como saneamento e internet.
O campo educacional também apresenta desafios críticos, com a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência atingindo 12,2%, um índice doze vezes superior ao observado entre jovens sem deficiência. Embora o número de estudantes com deficiência no ensino superior tenha crescido, impulsionado pela modalidade de ensino a distância, a infraestrutura escolar ainda é insuficiente, com apenas 78,5% das escolas de educação básica possuindo recursos de acessibilidade. O cenário reflete barreiras estruturais que limitam a plena participação social e econômica desse grupo, apesar de avanços pontuais, como o aumento da representação de servidores com deficiência no serviço público federal.
Fonte primária
Cobertura da mídia
Pessoas com deficiência vivem em piores condições de moradia, diz IBGE
Agência Brasil - EBC • 18 set, 12:33
Analfabetismo entre jovens e adultos com deficiência é 12 vezes maior
Agência Brasil - EBC • 18 set, 12:03
Renda de PCDs equivale a 70% do rendimento de pessoas sem deficiência
Agência Brasil - EBC • 18 set, 12:15
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
