Atlas da Mobilidade Social aponta rigidez na ascensão econômica no Brasil
Estudo revela que origem familiar, raça e gênero são os principais determinantes para a mobilidade social, com baixa chance de ascensão para os mais pobres.
Pontos principais
- Apenas 8,8% das crianças nascidas em lares de baixa renda alcançam o topo da pirâmide social na vida adulta.
- Jovens dos 25% mais pobres têm apenas 1,58% de chance de concluir o ensino superior, ante 37,77% entre os 25% mais ricos.
- Mulheres nascidas na pobreza têm quase o dobro da probabilidade de permanecerem nessa faixa de renda em comparação aos homens.
- Jovens não brancos enfrentam barreiras estruturais maiores para a ascensão econômica do que jovens brancos de origem equivalente.
- Filhos de famílias ricas possuem sete vezes mais chances de permanecer no topo da pirâmide do que pobres de ascenderem socialmente.
- O estudo indica que seriam necessárias até nove gerações para que famílias pobres atingissem a renda mediana no Brasil.
- Regiões Norte e Nordeste apresentam as menores taxas de mobilidade social do país, contrastando com Sul e Sudeste.
O Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab, aponta que o Brasil mantém níveis elevados de rigidez socioeconômica. A pesquisa, que utilizou dados de sete milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, demonstra que a renda dos pais permanece como o principal fator determinante para o futuro financeiro dos filhos. O levantamento destaca que a educação é o motor central da mobilidade, mas o acesso a oportunidades de qualidade é desigual, refletindo problemas estruturais profundos.
As disparidades de gênero e raça agravam o cenário, com mulheres e pessoas não brancas enfrentando obstáculos significativamente maiores para a ascensão econômica. Enquanto apenas 4,51% das mulheres nascidas em famílias pobres chegam ao grupo dos 25% mais ricos, o índice entre os homens é de 11,66%. Especialistas do IMDS sugerem que a baixa mobilidade geracional é reflexo de falhas na produtividade e na gestão de recursos públicos, posicionando o Brasil entre os países com maior dificuldade de ascensão social no mundo, onde a origem familiar dita, em grande medida, o destino do indivíduo.
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