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Atlas da Mobilidade Social aponta rigidez na ascensão econômica no Brasil

Estudo revela que origem familiar, raça e gênero são os principais determinantes para a mobilidade social, com baixa chance de ascensão para os mais pobres.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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31/07 às 02:01 · atualizado 09:34

Pontos principais

  • Apenas 8,8% das crianças nascidas em lares de baixa renda alcançam o topo da pirâmide social na vida adulta.
  • Jovens dos 25% mais pobres têm apenas 1,58% de chance de concluir o ensino superior, ante 37,77% entre os 25% mais ricos.
  • Mulheres nascidas na pobreza têm quase o dobro da probabilidade de permanecerem nessa faixa de renda em comparação aos homens.
  • Jovens não brancos enfrentam barreiras estruturais maiores para a ascensão econômica do que jovens brancos de origem equivalente.
  • Filhos de famílias ricas possuem sete vezes mais chances de permanecer no topo da pirâmide do que pobres de ascenderem socialmente.
  • O estudo indica que seriam necessárias até nove gerações para que famílias pobres atingissem a renda mediana no Brasil.
  • Regiões Norte e Nordeste apresentam as menores taxas de mobilidade social do país, contrastando com Sul e Sudeste.

O Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab, aponta que o Brasil mantém níveis elevados de rigidez socioeconômica. A pesquisa, que utilizou dados de sete milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, demonstra que a renda dos pais permanece como o principal fator determinante para o futuro financeiro dos filhos. O levantamento destaca que a educação é o motor central da mobilidade, mas o acesso a oportunidades de qualidade é desigual, refletindo problemas estruturais profundos.

As disparidades de gênero e raça agravam o cenário, com mulheres e pessoas não brancas enfrentando obstáculos significativamente maiores para a ascensão econômica. Enquanto apenas 4,51% das mulheres nascidas em famílias pobres chegam ao grupo dos 25% mais ricos, o índice entre os homens é de 11,66%. Especialistas do IMDS sugerem que a baixa mobilidade geracional é reflexo de falhas na produtividade e na gestão de recursos públicos, posicionando o Brasil entre os países com maior dificuldade de ascensão social no mundo, onde a origem familiar dita, em grande medida, o destino do indivíduo.

Fonte primária

Imds (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social) / Prospera Lab

Atlas da Mobilidade Social Brasil

O Atlas, plataforma pública lançada pelo Imds em parceria com o Prospera Lab e baseada na metodologia do artigo acadêmico "Intergenerational Mobility in the Land of Inequality" (Britto et al., 2025), cruza Imposto de Renda, RAIS e CadÚnico/Bolsa Família (2006-2019) e PNAD/Censo do IBGE para rastrear cerca de 7 milhões de brasileiros nascidos entre 1983 e 1990, da infância à vida adulta (25-29 anos), com renda informal estimada via modelo de Random Forest. Os indicadores por gênero, raça, escolaridade e renda dos pais mostram que, entre jovens nascidos nos 25% mais pobres, 36,3% dos brancos permanecem nesse estrato quando adultos, contra 51,6% dos não brancos. Por gênero, 32,9% dos homens filhos de pais pobres permanecem pobres, contra 65,1% das mulheres (69% entre mulheres não brancas, 52,9% entre brancas). No total, 48% dos filhos de pais pobres permanecem pobres, apenas 8,32% ascendem aos 25% mais ricos e 1,28% chegam aos 10% de maior renda; comparando coortes, a ascensão aos 25% mais ricos foi de 7,9% (1983-1987) para 8,8% (1988-1990). Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste têm as maiores taxas de mobilidade; Norte e Nordeste as menores (ex.: Assis Brasil-AC com 84,4% de permanência na pobreza vs. Ponte Serrada-SC com 2,13%). Educação aparece como a dimensão mais associada à mobilidade social. Paulo Tafner, presidente do Imds, afirma que "a mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem" e que políticas educacionais precisam vir acompanhadas de estratégias econômicas que ampliem oportunidades ao longo da vida.

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