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Anthropic identifica uso indevido do Claude por países em atividades maliciosas

Relatório da Anthropic cobre dezembro de 2025 a agosto de 2026 e detalha como Rússia, China, Irã e uma célula no Iêmen usaram o Claude para espionagem, vigilância, propaganda eleitoral e desenvolvimento de armas, atividades que a empresa diz ter banido e reportado a autoridades.

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Foto: G1 Mundo
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10/09 às 14:45, atualizado 20:15

Pontos principais

  • O relatório é o quarto da série de inteligência de ameaças da Anthropic, após os de março, agosto e novembro de 2025, e cobre casos disruptos entre dezembro de 2025 e agosto de 2026.
  • Um operador de espionagem russo (GTG-20006, ligado ao grupo Midnight Blizzard) usou o Claude para automatizar phishing, sequestro de wi-fi de hotéis e tomada de contas de WhatsApp contra mais de 20 alvos na Ucrânia e na Europa.
  • Da mesma operação russa, uma autoridade governamental no norte da África teve mais de 300 mil registros de identidade nacional e 500 mil registros de empresas roubados.
  • Um ex-editor-chefe da Sputnik Moldova usou o Claude para transformar notícias romenas e moldavas em artigos em russo com acusações falsas contra a presidente Maia Sandu, publicados antes da eleição parlamentar de 28 de setembro de 2025.
  • A Anthropic baniu contas de quatro operações de mídia estatal russa que usaram o Claude, incluindo Sputnik Moldova, RIA Novosti, Sputnik en Español e a redação em inglês da RT.
  • Na China, operações estatais usaram o Claude para tentar recrutar uigures na Síria e montar dossiês sobre líderes católicos, budistas tibetanos e do Falun Gong na diáspora; no Irã, um provedor comercial perfilou usuários iranianos e do Golfo em redes sociais.
  • No Irã, três operações estatais (ligadas à ICCO, ao Escritório de Propaganda Islâmica e ao Observatório Bina) usaram o Claude para produzir material de doutrina e bancos de dados de opositores.
  • No Iêmen, uma célula no norte do país usou o Claude Code para escrever software de guiagem de um foguete testado em campo (sem sucesso) e simular um míssil balístico multiestágio com alcance declarado acima de 2.000 km.
  • Em pesquisas biológicas sensíveis, a Anthropic bloqueou a maioria das tentativas, mas registra que um serviço que driblava bloqueios regionais para atender virologistas voltou a operar dias depois de banido, redirecionando pedidos recusados a modelos de outras empresas.
  • A empresa diz ter banido as contas envolvidas em cada caso, reforçado suas salvaguardas com base no aprendido e compartilhado indicadores com autoridades e parceiros do setor.

O relatório de inteligência de ameaças da Anthropic, o quarto da série iniciada em março de 2025, cobre dezembro de 2025 a agosto de 2026. O caso russo mais extenso (GTG-20006, associado ao grupo Midnight Blizzard) usou o Claude para automatizar phishing, sequestro de wi-fi de hotéis e tomada de contas de WhatsApp contra mais de 20 alvos na Ucrânia e na Europa; de uma autoridade governamental no norte da África, o grupo roubou mais de 300 mil registros de identidade nacional e 500 mil de empresas.

Sobre a eleição moldava, o relatório identifica um ex-editor-chefe da Sputnik Moldova que usou o Claude para transformar notícias romenas em artigos em russo com acusações falsas contra a presidente Maia Sandu, publicados antes do pleito de 28 de setembro de 2025. A Anthropic baniu contas de quatro operações estatais russas semelhantes, entre elas a Sputnik en Español e a redação em inglês da RT. Na China, outras operações tentaram recrutar uigures na Síria pelo Claude e montar dossiês sobre líderes religiosos da diáspora; no Irã, um provedor comercial perfilou usuários iranianos e do Golfo em redes sociais.

No Iêmen, uma célula no norte do país usou o Claude Code para escrever software de guiagem de um foguete testado em campo, sem sucesso, e simular um míssil balístico com alcance declarado acima de 2.000 km. Em pesquisas biológicas, a Anthropic bloqueou a maioria das tentativas, mas registra que um serviço voltou a operar dias depois de banido, redirecionando pedidos recusados a modelos de outras empresas.

Fonte primária

Anthropic

Detecting and countering misuse of AI: September 2026

Anthropic detalha casos de uso indevido do Claude entre dezembro/2025 e agosto/2026, agrupados em sete áreas: operações cibernéticas, vigilância, operações de influência, armas convencionais, uso indevido biológico, golpes/fraude e destilação ilícita. Destaques: GTG-2006, ligado a espionagem russa (Midnight Blizzard) contra governos ucraniano/europeus, missões diplomáticas e fabricantes de drones, com roubo de 300 mil+ registros de identidade nacional e 500 mil+ registros de empresas; GTG-1007, uma 'fábrica de exploits' chinesa em Changsha (Hunan) que usou o Claude para pesquisa autônoma de vulnerabilidades, identificando mais de uma dúzia de zero-days em um único mês e visando cerca de 50 organizações; GTG-5014 (ShinyHunters), cibercriminosos francófonos que escanearam 1,8 milhão de APKs Android e exfiltraram terabytes de dados incluindo milhões de registros de cartão; casos de destilação ilícita, incluindo uma campanha atribuída à Alibaba com mais de 151 milhões de trocas observadas (maio–julho/2026) para destilar cadeias de raciocínio dos modelos Opus 4.6/4.7, e a Moonshot AI, que teria encaminhado sigilosamente pedidos de clientes ao Claude em vez de seus próprios modelos Kimi, roteando quase 300 mil solicitações em dez dias via 5.380 contas fraudulentas. O relatório também descreve operações de influência estatais (rádio pró-Rússia coordenada com Wagner/Russia House; ex-editor da Sputnik usando o Claude para fabricar alegações sobre o presidente da Moldávia antes da eleição de setembro/2025) e casos de tentativa de suporte a armas biológicas e convencionais bloqueados pela empresa. Conclusão central da Anthropic: a IA reduziu a barreira de habilidade e custo operacional que antes separava grupos patrocinados por Estados de operadores individuais, nivelando a sofisticação de ataques entre atores estatais, criminosos financeiros e hacktivistas.

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