Falta de dados oficiais dificulta mapeamento de acidentes de entregadores
A ausência de registros precisos e a opacidade das plataformas impedem o monitoramento dos acidentes de trabalho no setor de entregas por aplicativo.
Pontos principais
- O setor de trabalho por aplicativos no Brasil cresceu 25,4% entre 2024 e 2026, alcançando 1,7 milhão de trabalhadores.
- Sistemas de saúde e de trânsito não possuem categorias específicas para identificar acidentes envolvendo entregadores de plataformas.
- O Ministério Público do Trabalho critica a recusa das empresas em compartilhar dados sobre jornadas e sinistros, sob alegação de sigilo de algoritmo.
- Entregadores relatam dificuldades para obter suporte e proteção previdenciária após sofrerem acidentes durante o exercício da função.
O crescimento acelerado do setor de entregas por aplicativo no Brasil, que atingiu 1,7 milhão de trabalhadores entre 2024 e 2026, expõe uma lacuna crítica na proteção social: a invisibilidade dos acidentes de trabalho. A ausência de registros oficiais nos sistemas de saúde e de trânsito impede que o Estado mensure a real dimensão dos riscos enfrentados por esses profissionais. O Ministério Público do Trabalho aponta que a opacidade das plataformas, que restringem o acesso a dados sob a justificativa de sigilo de algoritmo, inviabiliza a fiscalização e a criação de políticas públicas eficazes.
Embora empresas como iFood, 99Food e Keeta afirmem oferecer seguros e priorizar a segurança dos entregadores, o MPT questiona a falta de comprovação dessas medidas e a ausência de garantias previdenciárias de longo prazo. A dificuldade de acesso a suporte após acidentes, relatada por trabalhadores, reforça o debate sobre a responsabilidade das plataformas na regulação das condições laborais.
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