Um sociólogo da USP vivenciou por seis meses a realidade de entregadores de aplicativos, revelando um sistema de trabalho precário com risco de vida constante.
Um pesquisador passou seis meses trabalhando como entregador de aplicativos para investigar as condições laborais da categoria, expondo um cenário de precarização e riscos constantes. O sociólogo Douglas Alexandre Santos, da USP, atuou como cicloentregador no iFood para sua pesquisa de mestrado, revelando que o ambiente de trabalho é caracterizado como "terra de ninguém", onde os entregadores enfrentam perigos diários e são incentivados a cometer infrações de trânsito devido aos prazos de entrega apertados.
Santos observou que a cautela no trânsito resultava em perda de entregas e bloqueios temporários, evidenciando que o trabalhador arca com os custos e riscos. A pesquisa destaca que entregadores ciclistas são majoritariamente jovens, negros e de periferias, que veem o aplicativo como uma 'libertação' apesar dos perigos. Este estudo sublinha a disparidade entre a percepção das empresas de aplicativos, que afirmam investir em segurança, e a realidade vivenciada pelos trabalhadores, criticando a falta de regulamentação específica e a ausência de EPIs.
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