Warsh sinaliza alta de juros e mercado eleva apostas para setembro
Após discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole, mercado aumenta para 59,7% a probabilidade de alta de juros nos EUA em setembro devido à inflação persistente.
Pontos principais
- O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o progresso da inflação rumo à meta de 2% tem sido modesto.
- Dados apontam o PCE em 3,7% no acumulado de 12 meses e 4,1% em 6 meses.
- A probabilidade de elevação dos juros na reunião de 18 de setembro subiu de 35,4% para 59,7%.
- Warsh criticou o uso de 'forward guidance', defendendo uma comunicação mais discreta e objetiva.
- Rendimentos dos Treasuries de dois anos subiram para 4,30% após a sinalização do dirigente.
- O presidente do Fed reforçou que, sem convergência clara da inflação, a instituição terá mais trabalho a fazer.
- O dólar à vista superou R$ 5,20, pressionado pela perspectiva de juros mais altos nos EUA.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, utilizou o simpósio de Jackson Hole para reafirmar o compromisso da instituição com a meta de inflação de 2%. Em seu discurso, Warsh destacou que os indicadores atuais, como o PCE em 3,7% no acumulado de 12 meses, demonstram que o progresso no controle de preços tem sido modesto nos últimos dois anos. O dirigente enfatizou que, caso a inflação subjacente não apresente uma convergência clara e veloz, o banco central deverá adotar medidas adicionais, sinalizando que novas altas de juros permanecem sobre a mesa. Além da política monetária, Warsh criticou a eficácia do 'forward guidance', argumentando que a prática perdeu utilidade e defendeu uma postura de comunicação mais discreta e técnica. A reação do mercado financeiro foi imediata, com a ferramenta FedWatch do CME Group elevando a probabilidade de um aumento de 25 pontos-base na reunião de 18 de setembro para 59,7%. O movimento refletiu-se diretamente nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, com o Treasury de dois anos atingindo 4,30%. A postura hawkish de Warsh também gerou repercussões no mercado brasileiro, onde o dólar à vista superou a marca de R$ 5,20. Analistas observam que o aumento dos rendimentos reais sinaliza uma crescente confiança do mercado na credibilidade do Fed sob a nova gestão para conter a inflação. Enquanto o banco central mantém o foco na convergência de preços, investidores seguem monitorando a resiliência da economia americana, que, segundo Warsh, tem sido impulsionada por avanços em inteligência artificial. A mudança de tom do Fed marca uma nova fase na condução da política monetária, priorizando dados concretos em detrimento de sinalizações futuras de longo prazo.
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