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Apostas de alta de juros pelo Fed sobem após discurso de Kevin Warsh

O mercado elevou as apostas de aumento nos juros americanos para setembro após o presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçar o combate à inflação.

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Foto: InvestNews
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28/08 às 11:45 · atualizado 14:03

Pontos principais

  • A probabilidade de alta de juros na reunião de 18 de setembro subiu para mais de 59% após o discurso de Warsh em Jackson Hole, segundo o CME Group.
  • Segundo Warsh, o índice de preços PCE está em 3,7% nos últimos 12 meses e 4,1% nos últimos seis, acima da meta de 2% do Fed.
  • O Fed calcula que 49% dos componentes do PCE subiram mais de 3% anualizado nos últimos seis meses, e 54% em 12 meses.
  • Warsh disse que o forward guidance "já ultrapassou sua validade" e cria um efeito "hall-of-mirrors", em que o mercado passa a depender dos sinais do Fed em vez dos fundamentos econômicos.
  • Ele descreveu as condições financeiras atuais como "mais acomodatícias do que restritivas", citando investimento corporativo puxado por IA e lucros das empresas do S&P 500 subindo mais de 20% no ano.
  • O desemprego nos EUA está em 4,1%, e o mercado de trabalho segue "bastante estável", segundo Warsh.
  • Rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo subiram após a fala, com os rendimentos reais superando as taxas nominais.
  • O dólar à vista superou R$ 5,20 no Brasil, pressionado pela perspectiva de juros mais altos nos EUA.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, disse em discurso no simpósio de Jackson Hole que a inflação americana segue acima da meta de 2% e que a convergência dos preços não é automática, dependendo da atuação do banco central. Ele evitou se comprometer com uma trajetória específica de juros, rejeitando o uso regular do forward guidance, prática que classificou como um risco de gerar falsa clareza e levar o mercado a depender dos sinais do Fed em vez dos fundamentos econômicos. A fala foi interpretada pelo mercado como um sinal de postura hawkish, elevando para mais de 59% as apostas de alta de 25 pontos-base na reunião de setembro, segundo dados do CME Group.

Apesar do tom sobre inflação, Warsh descreveu um cenário econômico relativamente positivo, com investimento corporativo em alta, lucros das empresas crescendo e o mercado de trabalho estável, e afirmou que seria difícil descrever as condições financeiras amplas como restritivas. A reação dos mercados financeiros foi imediata, com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo em alta e os rendimentos reais superando as taxas nominais. No Brasil, o cenário externo de juros mais altos nos EUA pressionou o câmbio, levando o dólar à vista a superar a marca de R$ 5,20, em um contexto onde o mercado também monitora a trajetória da taxa Selic frente a indicadores domésticos de inflação, como o recuo do IGP-M em agosto.

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