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Dirigentes do Fed projetam queda gradual da inflação nos EUA

Autoridades do Federal Reserve indicam que a inflação deve desacelerar nos próximos trimestres, apesar de manterem cautela sobre a política de juros.

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Foto: InfoMoney
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15/07 às 13:15 · atualizado 16/07 às 00:02

Pontos principais

  • John Williams, do Fed de Nova York, projeta inflação de 3,25% para 2026, com meta de 2% prevista apenas para 2028.
  • O presidente do Fed, Kevin Warsh, classificou indicadores como CPI e PPI como medidas imperfeitas para avaliar a inflação subjacente.
  • O relatório 'Livro Bege' do Fed aponta leve crescimento econômico e sinais de desaceleração nos preços em todos os distritos.
  • A demanda por inteligência artificial e a volatilidade no Oriente Médio seguem como fatores de pressão sobre os custos.
  • Kevin Hassett, conselheiro da Casa Branca, afirmou que a melhora na inflação é ampla e não depende apenas dos preços de energia.
  • Cerca de metade dos formuladores de políticas do Fed consideram possível ao menos um aumento nas taxas de juros até o final de 2026.
  • O inspetor-geral do Fed investiga a participação de Michelle Bowman em evento privado do Bank of America.

Autoridades do Federal Reserve e conselheiros da Casa Branca sinalizaram uma perspectiva de moderação inflacionária nos Estados Unidos, embora o cenário ainda apresente desafios estruturais. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que, apesar da inflação atual permanecer acima da meta de 2%, há sinais de que o pico foi superado e uma trajetória de queda deve se consolidar nos próximos trimestres. Paralelamente, o relatório 'Livro Bege' da instituição confirmou um leve aumento na atividade econômica e no emprego, com desaceleração de preços registrada em diversas regiões do país. Contudo, a divergência interna sobre a necessidade de novos ajustes nas taxas de juros persiste, com parte dos dirigentes mantendo cautela diante de riscos como a volatilidade do petróleo e a demanda crescente por inteligência artificial.

No âmbito político, o conselheiro da Casa Branca, Kevin Hassett, defendeu que a desinflação é um fenômeno abrangente, citando quedas em custos de medicamentos, aluguéis e seguros como reflexos das políticas do governo Trump. Enquanto isso, o presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou o compromisso da instituição com a estabilidade de preços durante audiência no Senado, onde também enfrentou questionamentos sobre a precisão dos indicadores econômicos atuais. A gestão do banco central segue sob escrutínio, com investigações em curso sobre a conduta de membros do conselho e a constante pressão do mercado por clareza sobre a política monetária de longo prazo.

Fonte primária

Federal Reserve Bank of New York (John C. Williams)

Stability of Thy Times — Remarks at the Partnership for New York City

Em discurso preparado para o Partnership for New York City (15/jul/2026), o presidente do Fed de Nova York, John Williams, diz que a inflação está "inquestionavelmente alta, em cerca de 4%", bem acima da meta de longo prazo de 2% do FOMC, refletindo três fatores: (1) tarifas mais altas sobre importados, (2) disrupções de cadeia de suprimentos e preços de energia/commodities mais altos por causa do conflito no Oriente Médio, e (3) demanda por bens e eletricidade ligada ao boom de investimento em tecnologia/IA (semicondutores, transformadores de energia). Ele vê sinais de que a inflação atingiu o pico e deve recuar nos próximos trimestres, citando: efeito direto das tarifas já majoritariamente precificado (novas tarifas devem só substituir as que expiram, sem impulso adicional relevante); aluguéis de mercado com aumentos modestos, mantendo a trajetória de queda do componente de moradia; preços de petróleo/futuros sinalizando volta a níveis pré-fechamento do Estreito de Ormuz; desequilíbrios de oferta-demanda da IA devem diminuir à medida que mais oferta entra online; mercado de trabalho sem pressão inflacionária adicional (Índice HPW de Tightness do NY Fed e dados de salário); e expectativas de inflação de médio/longo prazo ancoradas (Survey of Consumer Expectations do NY Fed). Sua projeção: inflação geral cai para cerca de 3-1/4% até o fim de 2026, segue em trajetória gradual rumo à meta de 2% em 2027, e chega à meta em 2028. Sobre política monetária: a postura atual está "bem posicionada", com o FOMC mantendo a faixa-alvo dos fed funds em 3-1/2% a 3-3/4% na reunião de meados de junho; crescimento do PIB real projetado em 2% a 2-1/4% neste ano e nos próximos dois; taxa de desemprego caindo gradualmente para 4% em 2028. Williams cita riscos substanciais: efeitos do surto de investimento em IA sobre crescimento/emprego/inflação são difíceis de prever, e disrupções globais de suprimento ligadas ao conflito no Oriente Médio seguem sendo risco tanto para crescimento quanto para inflação.

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