Kevin Warsh discursa em Jackson Hole e mantém foco no combate à inflação
No discurso que marcou seus 100 dias como presidente do Fed, em Jackson Hole, Kevin Warsh disse que "a responsabilidade por 65 meses de inflação elevada e persistente é do próprio banco central" e anunciou o fim do uso regular de forward guidance.
Pontos principais
- Warsh discursou no simpósio "Financial Innovation: Implications for Payments and Policy", em Jackson Hole, no dia que marcou seus 100 dias como presidente do Fed.
- Segundo Warsh, 54% dos itens da cesta do PCE tiveram alta acima de 3% no último ano, ante um pico pós-pandemia de 77% e uma média pré-pandemia de 32%; em 6 meses, a fatia foi de 49%.
- Ele fixou seis princípios para a condução da política monetária, entre eles tratar a meta de 2% de inflação pelo PCE como "firme e fixa" e perseguir emprego e preços simultaneamente, sem contradição entre os dois lados do mandato.
- A taxa de desemprego está em 4,1%, estável há cerca de dois anos, e os pedidos de seguro-desemprego, na média de 4 semanas, estão perto da mínima em décadas.
- Os lucros do S&P 500 cresceram mais de 20% no último ano, com margens elevadas, e o investimento em equipamentos e intangíveis subiu cerca de 9% em quatro trimestres, o maior ritmo desde 2021.
- As vendas anualizadas de tokens das duas maiores empresas de IA superaram US$ 100 bilhões, alta de mais de 500% em um ano; Warsh criou cinco grupos de trabalho para estudar os efeitos da tecnologia sobre produtividade e emprego, mas disse que as conclusões "não têm relação com as decisões da conjuntura atual".
- A taxa de juros do Fed permanece na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, e economistas do Goldman Sachs projetam que ficará inalterada até o fim de 2026.
- O mercado financeiro reagiu com estabilidade, com o S&P 500 em variações modestas e o VIX operando abaixo de sua média anual.
Kevin Warsh discursou nesta sexta-feira em Jackson Hole, no simpósio "Financial Innovation: Implications for Payments and Policy", marcando seus 100 dias como presidente do Federal Reserve. Ele anunciou o fim do uso regular do forward guidance, prática adotada pelo Fed desde a crise financeira de 2008, dizendo que ela "já ultrapassou sua validade" e que a prática gera um "problema de sala de espelhos", em que mercado e banco central passam a olhar um para o outro em vez de para as condições econômicas reais. Recusou se comprometer com uma função de reação explícita ou uma regra mecânica de juros, afirmando que o conhecimento do Fed sobre a economia "não vai tão longe" para isso, e disse estar comprometido "com uma disciplina, não com uma decisão".
Warsh disse que a inflação medida pelo PCE está em 3,7% em 12 meses e 4,1% em 6 meses, acima da meta de 2%, e que "a responsabilidade por 65 meses de inflação elevada e persistente é do próprio banco central". O Fed "precisa ter confiança de que a inflação subjacente está convergindo para o objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente", disse. Segundo ele, a economia segue resiliente, com desemprego baixo e lucros corporativos em alta, apesar de tensões em setores como habitação e agricultura. O mercado reagiu com estabilidade, com o S&P 500 em variações modestas e o VIX abaixo da média anual, enquanto o Goldman Sachs projeta juros inalterados até o fim de 2026.
