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Trump assina decreto para renomear Lago Ontário como Lago América

O presidente Donald Trump determinou, via ordem executiva, a mudança do nome do Lago Ontário para Lago América, intensificando a crise diplomática e comercial com o Canadá.

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Foto: Politico White House
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27/08 às 08:45, atualizado 18:32

Pontos principais

  • A ordem executiva instrui o Departamento do Interior a atualizar o Sistema de Informações sobre Nomes Geográficos em até 30 dias.
  • O decreto exige que agências federais removam referências ao nome antigo em mapas, contratos e documentos oficiais.
  • A Casa Branca justifica a medida alegando que os EUA são o maior protetor dos Grandes Lagos, com investimentos de US$ 4 bilhões na última década.
  • O governo americano opera 9 dos 11 navios quebra-gelo que atuam no sistema dos Grandes Lagos.
  • A decisão ocorre após o colapso das negociações comerciais entre Washington e Ottawa, que resultou em tarifas de 50% sobre produtos canadenses.
  • O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o Canadá não reconhecerá a mudança e manterá o nome tradicional do lago.
  • O nome Ontário possui origem indígena e mais de 400 anos de uso histórico na região.
  • A medida é vista por analistas como uma escalada simbólica na guerra comercial e diplomática entre os dois países.
  • Deputados democratas articulam um projeto de lei para tentar reverter a ordem executiva, embora enfrentem resistência no Congresso.
  • Esta é a segunda vez que o governo Trump altera nomes geográficos, após ter renomeado o Golfo do México para Golfo da América no ano anterior.

O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que determina a renomeação do Lago Ontário para "Lago América". O decreto instrui o secretário do Interior, Doug Burgum, a coordenar com o Board on Geographic Names a implementação da mudança em um prazo de 30 dias. A medida exige que todas as agências federais dos Estados Unidos atualizem seus registros, mapas e contratos, removendo qualquer referência à denominação anterior do corpo d'água que marca a fronteira entre o território americano e o Canadá. A Casa Branca fundamentou a decisão argumentando que os Estados Unidos atuam como o principal protetor dos Grandes Lagos, destacando um investimento de US$ 4 bilhões na preservação do ecossistema nos últimos dez anos e a operação da maioria dos navios quebra-gelo da região.

A iniciativa ocorre em um momento de acentuada deterioração nas relações entre Washington e Ottawa. O fracasso das negociações comerciais na última semana levou à imposição de tarifas retaliatórias, com os Estados Unidos elevando taxas sobre produtos canadenses para até 50%. Em resposta, o governo do Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, anunciou que não reconhecerá a nova nomenclatura. Carney criticou a medida, ressaltando que o nome Ontário possui raízes indígenas e uma trajetória histórica de mais de quatro séculos, classificando a ação de Trump como uma tentativa de alterar símbolos culturais estabelecidos.

No cenário político interno, a decisão gerou reações imediatas. O deputado Tim Kennedy, do Partido Democrata, declarou que está trabalhando na elaboração de um projeto de lei para contestar a validade da ordem executiva. Contudo, a oposição enfrenta desafios significativos para avançar com a legislação, dado o controle republicano no Congresso. Analistas políticos sugerem que a mudança de nome, embora tenha um impacto prático limitado em guias de estilo internacionais, serve como um instrumento de pressão diplomática e distração política em meio à crise econômica.

Este movimento não é inédito na gestão Trump. O governo já havia adotado uma postura semelhante no ano passado, ao renomear o Golfo do México para "Golfo da América". A repetição desse padrão reforça a estratégia do Executivo de utilizar a nomenclatura geográfica como parte de uma retórica nacionalista, mesmo diante de protestos de autoridades estrangeiras e da incerteza sobre a autoridade legal para alterar nomes de corpos d'água compartilhados internacionalmente.

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