Renan Santos defende armas nucleares e regime de exceção em favelas
Em sabatina na TV Globo, o candidato à presidência Renan Santos (Missão) defendeu iniciar um processo de pesquisa nuclear, embora tenha reconhecido que o Brasil não tem condições técnicas para desenvolver armas atômicas na próxima década, e disse que descumprirá decisões do STF que considerar ilegais.
Pontos principais
- Santos defendeu que o Brasil inicie um "processo de recuperação de soberania" de pesquisa nuclear, mas reconheceu que o país não tem condições técnicas para desenvolver armas atômicas nem para começar essa pesquisa nos próximos dez anos.
- A Constituição permite energia nuclear apenas para fins pacíficos, trecho que o deputado aliado Kim Kataguiri já tentou alterar por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição.
- O candidato propôs R$ 6 bilhões para construir dez presídios federais, cada um com 30 mil a 40 mil vagas, e defendeu mudar o código de processo penal e a lei de execução penal para aumentar penas de crimes violentos cometidos com arma.
- Prometeu "declarar guerra" ao crime organizado e reconquistar em um ano todos os territórios do país dominados por facções.
- Sobre o modelo de El Salvador, negou conhecer casos de tortura e desaparecimentos sob Nayib Bukele, chamando as denúncias de "clichê" da mídia internacional, mas defendeu a linha "prendeu, matou".
- Disse que descumprirá decisões do STF que considerar "ilegais", citando como exemplo não obedecer uma ordem monocrática que interrompesse uma operação policial em curso numa favela.
- O plano de governo inclui a substituição da CLT por negociações diretas e a desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo.
- O candidato propôs a fusão de municípios e a substituição do programa Bolsa Família por frentes de trabalho.
- A entrevista integra uma série da emissora com os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto.
- Checagem de fatos confirmou a declaração de Santos de que o Brasil possui a segunda maior reserva global de terras raras.
O candidato à presidência pelo partido Missão, Renan Santos, participou nesta quarta-feira (26) da sabatina da TV Globo com presidenciáveis, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Ao defender o início de pesquisas nucleares, afirmou que "a realidade é muito clara: as nações mais poderosas dispõem de armas nucleares e elas se fazem respeitadas por isso". Na pauta de segurança pública, questionado sobre como evitar arbitrariedades em seu plano, disse que seguirá "o devido processo legal", citando como exemplo o caso da influenciadora Deolane, presa após uma investigação apontar ligação dela com o PCC.
Sobre o Supremo, afirmou que uma decisão "ilegal não se cumpre" e citou a decisão de Alexandre de Moraes que quebrou o sigilo de uma fonte jornalística como exemplo do que considera abuso. Reforçou, porém, que não pretende "sair desrespeitando todas as medidas do STF".
Além das propostas na área de defesa e segurança, o plano de Santos abrange reformas estruturais na economia e na administração pública. O candidato defende a substituição da CLT por negociações diretas entre patrões e empregados, a fusão de municípios e a desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo. Durante a sabatina, que faz parte da série de entrevistas com os candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais, Santos também teve dados verificados por agências de checagem, que confirmaram sua afirmação sobre o Brasil deter a segunda maior reserva mundial de terras raras.
Comentários
Carregando comentários...
