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Óculos inteligentes da Meta enfrentam restrições por riscos à privacidade

O aumento no uso de óculos da Meta gera denúncias de assédio e violações de privacidade, levando órgãos brasileiros e internacionais a investigar o produto.

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Foto: G1 - Economia
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21/08 às 09:45 · atualizado 16:32

Pontos principais

  • O Idec e a Coding Rights acionaram o MPF e a ANPD para investigar os óculos Ray-Ban Meta no Brasil.
  • Denúncias apontam que o design do dispositivo facilita gravações clandestinas e violações à LGPD.
  • Relatos nos EUA indicam o uso do acessório para assédio contra trabalhadores e produção de vídeos sem consentimento.
  • Associações de cinema no Reino Unido avaliam proibir o uso dos óculos para evitar a pirataria de filmes.
  • A Meta defende que seus dispositivos possuem luzes de LED para indicar gravações e recursos de acessibilidade.
  • Críticos argumentam que o LED de notificação pode ser facilmente burlado ou ocultado pelos usuários.
  • O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) já proibiu o uso do equipamento por funcionários em serviço.

O crescimento acelerado nas vendas dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta, que saltaram de 2 milhões para mais de 7 milhões de unidades entre 2023 e 2025, colocou o dispositivo no centro de um intenso debate global sobre privacidade. No Brasil, entidades como o Idec e a Coding Rights protocolaram representações junto ao Ministério Público Federal (MPF), à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e à Senacon, questionando a conformidade do produto com a LGPD. As organizações destacam que a facilidade de realizar gravações discretas tem sido explorada para assédio e violações de direitos fundamentais, citando casos como o de um médico em Salvador que teria utilizado o aparelho durante atendimentos.

Internacionalmente, a preocupação se estende a diversos setores. Nos Estados Unidos, relatos de trabalhadores sendo filmados sem consentimento para a criação de conteúdo em redes sociais levaram instituições como o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) a banir o uso do acessório em ambiente de trabalho. Paralelamente, no Reino Unido, associações de cinema discutem restrições ao uso dos óculos em salas de exibição para mitigar riscos de pirataria. Embora a Meta sustente que o dispositivo foi desenvolvido com foco na privacidade, incluindo um indicador luminoso de captura, especialistas e reguladores alertam que tais mecanismos são insuficientes diante da facilidade com que podem ser burlados, exigindo uma discussão mais profunda sobre a regulação de tecnologias vestíveis com câmeras.

Fonte primária

Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) / Coding Rights

Idec e Coding Rights denunciam riscos dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta e pedem investigação no Brasil

Idec e Coding Rights formalizaram denúncia ofício à ANPD, à Senacon e ao MPF pedindo atuação coordenada para apurar violações à LGPD, ao CDC e aos direitos de mulheres, crianças e adolescentes decorrentes da venda dos óculos Ray-Ban Meta no Brasil (lançados em setembro de 2025). O ofício argumenta que a diferença central em relação a um celular não é a capacidade de gravar, mas a ausência do gesto socialmente legível de erguer o aparelho para filmar: o acionamento se dá por toque discreto na haste ou por microgestos captados por pulseira de eletromiografia, com integração direta a Instagram e Facebook. A luz de LED que indica gravação tem poucos milímetros, só é visível a quem olha diretamente para a armação em boa luz, e há tutoriais na internet para burlá-la via bloqueio do sensor ou modificação de hardware. Cita o mercado mundial de 9,6 milhões de unidades vendidas em 2025 (projeção de 13,4 milhões em 2026, segundo a IDC), com a Meta respondendo por ~76% das vendas globais, e um caso concreto em Salvador (BA) de um ginecologista denunciado por usar os óculos durante atendimento a uma paciente. As entidades apontam impacto desproporcional sobre mulheres e meninas e pedem que funções de reconhecimento facial só sejam liberadas após aprovação das autoridades brasileiras.

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