Especialistas apontam limite do Desenrola no combate ao endividamento
Programa renegociou R$ 44,1 bilhões, mas especialistas alertam que juros altos impedem a redução estrutural do endividamento das famílias.
Pontos principais
- Dados da CNC revelam que 80,9% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida.
- O programa Desenrola renegociou R$ 44,1 bilhões em três meses, com descontos médios de 82%.
- Especialistas afirmam que o programa foca no estoque de dívidas antigas, sem conter novas inadimplências.
- A alta taxa Selic e o crédito facilitado por fintechs são apontados como motores do superendividamento.
Embora o programa Desenrola tenha alcançado resultados expressivos ao renegociar R$ 44,1 bilhões em dívidas com descontos médios de 82%, especialistas avaliam que a iniciativa atua apenas no estoque de débitos antigos. O impacto positivo no orçamento das famílias é limitado pela persistência de fatores estruturais, como a elevada taxa Selic e a facilidade de acesso ao crédito via fintechs, que continuam pressionando o superendividamento no país. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,9% das famílias brasileiras seguem endividadas. Para analistas, a solução definitiva para o cenário de inadimplência depende de reformas estruturais na economia e de uma trajetória consistente de queda nos juros básicos. Sem essas mudanças, o risco de formação de novas dívidas permanece elevado, mesmo com a adesão ao programa governamental.
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