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Memorando entre EUA e Irã expira sem prorrogação

Trump ameaçou bombardear Omã e o Brent subiu a US$89,40, com o JPMorgan projetando média de US$114 se Ormuz ficar fechado três meses.

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17/08 às 09:00

Pontos principais

  • O Memorando de Entendimento assinado em 17 de junho por Donald Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian expirou na segunda-feira, 17 de agosto, sem que nenhum lado se mostrasse disposto a prorrogar.
  • A AP informou que, no dia do prazo, os dois lados estavam mais distantes do que em junho, sem sinal de compromisso sobre o Estreito de Ormuz nem indicação de que as negociações nucleares detalhadas tenham começado.
  • Em entrevista à Fox News, Trump ameaçou Omã: "Se Omã se colocar no caminho, vamos bombardeá-los até o chão."
  • Trump disse que o Irã está "morrendo" e deveria "levantar a bandeira branca", e que um canal reservado com a Guarda Revolucionária permanece aberto.
  • O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que Teerã e Mascate chegaram a um entendimento sobre o mapa de uma rota de trânsito em Ormuz.
  • O petróleo Brent subiu até 1% na segunda-feira, a US$89,40 o barril, e o WTI subiu 44 centavos, a US$82,83; ambos avançaram mais de 5% na semana anterior.
  • Dados da Kpler mostraram cinco embarcações de commodities cruzando Ormuz no sábado e nenhuma no domingo, contra 31 no fim de semana anterior.
  • O JPMorgan estima que cada mês adicional de interrupção em Ormuz acrescenta US$7 a US$8 por barril ao Brent; o Goldman Sachs alertou que o Brent pode chegar a US$120.

As conversas se concentraram na reabertura do Estreito de Ormuz e no fim de um bloqueio norte-americano ao Irã. Os dois lados vinham se acusando mutuamente de violações havia semanas, e o prazo passou sem que a agenda nuclear — o objeto declarado do memorando — chegasse ao detalhe.

O canal que registrou avanço foi outro. Baghaei afirmou que o entendimento entre Teerã e Mascate sobre a rota de trânsito estava sendo finalizado como um pacote, com declaração conjunta — no mesmo dia em que Trump ameaçou bombardear Omã caso o país se colocasse no caminho.

O efeito no mercado físico já aparece nos dados de navegação: cinco embarcações cruzando o estreito no sábado e nenhuma no domingo, contra 31 no fim de semana anterior. Trump pediu aos americanos que aceitem preços de gasolina um pouco mais altos enquanto durar o conflito.

Fonte primária

The White House / Governo do Irã (via The American Presidency Project)

Islamabad Memorandum of Understanding between the United States of America and the Islamic Republic of Iran

Memorando de 14 pontos assinado em 17 de junho de 2026 por Trump e Pezeshkian, com testemunho do premiê paquistanês Shehbaz Sharif. Prevê: cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano; compromisso de respeito mútuo à soberania; prazo de 60 dias, prorrogável por consenso, para um acordo final; remoção do bloqueio naval americano em 30 dias e retirada de forças após o acordo final; passagem segura e gratuita de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz por 60 dias, com desminagem em 30 dias; plano de reconstrução de ao menos US$ 300 bilhões para o Irã; suspensão escalonada de sanções da ONU, AIEA e unilaterais dos EUA; reafirmação iraniana do compromisso de não proliferação nuclear, com destinação do material enriquecido sob supervisão da AIEA; manutenção do status quo do programa nuclear iraniano enquanto durar o memorando; emissão imediata de licenças do Tesouro dos EUA para exportação de petróleo e derivados iranianos; liberação de fundos iranianos congelados; criação de mecanismo executivo de monitoramento do cumprimento; e previsão de que o acordo final seja endossado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. O memorando expirou em 17 de agosto de 2026 sem prorrogação por nenhuma das partes, com as posições sobre o controle do Estreito de Ormuz mais distantes do que em junho e sem avanço nas negociações nucleares detalhadas.

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