Trump cancela ataque ao Irã e Teerã nega negociações em curso
Trump diz que os perímetros de um acordo incluem reabrir o Estreito de Ormuz; o Irã afirma discutir apenas uma rota com Omã.
Pontos principais
- Em publicação no Truth Social na noite de 1º de agosto, Trump disse ter cancelado um ataque planejado depois que o Irã e outros países pediram tempo.
- Trump afirmou que "os perímetros de um acordo foram acertados", incluindo a "Abertura Imediata, Completa e Total do ESTREITO DE ORMUZ".
- No Air Force One, em 2 de agosto, Trump disse que os ataques cancelados seriam "o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial".
- O Irã disse em 3 de agosto que não mantém negociações com os EUA no momento.
- Teerã afirma discutir apenas com Omã uma rota segura temporária pelo estreito, assunto separado da abertura da via.
- A Fars News, ligada à Guarda Revolucionária, negou em 2 de agosto que o Irã tenha aceitado um plano intermediado pelo Catar.
- O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman telefonou a Trump no sábado para pressionar por desescalada.
- O conflito está no sexto mês desde seu início, em 28 de fevereiro.
As duas versões não se encontram. Trump afirmou que as negociações com o Irã começariam na tarde de segunda-feira e que os EUA estão "segurando" o que seria um "ataque massivo", que pode acontecer "a qualquer momento". O porta-voz iraniano Esmail Baghaei respondeu que as conversas em curso tratam apenas de um caminho único pelo estreito, com faixas de entrada e de saída, negociado com Omã — e que isso é assunto separado da abertura ou do fechamento da via.
O Institute for the Study of War relatou em 2 de agosto que mediadores cataris apresentaram ao Irã uma proposta em que os navios entrariam no Golfo por águas iranianas e sairiam por águas de Omã. Segundo o ISW, diplomatas iranianos responderam de forma positiva, mas a ala linha-dura da IRGC parece rejeitar qualquer arranjo que reduza o controle iraniano sobre a passagem. A Fars News exibiu imagens de embarcações que, segundo a agência, "aguardavam permissão" do Irã para cruzar, e uma fonte citada pela agência disse que a via seguirá fechada enquanto os EUA mantiverem "ações hostis".
Bin Salman alertou Trump para o risco de o Irã retaliar contra a infraestrutura energética do Golfo.
Fontes primárias
Post de Donald Trump no Truth Social — cancelamento do ataque ao Irã
Em post publicado em 1º de agosto de 2026, às 22h05 (horário do leste dos EUA), Trump afirma que os EUA estavam "travados e prontos" para atacar o Irã em nível de "terror militar" não visto desde a Segunda Guerra Mundial, mas que foram procurados pelo Irã e por outros países do Oriente Médio pedindo para segurar o ataque, alegando que os "perímetros de um acordo" já haviam sido definidos. Segundo Trump, esse acordo incluiria a "abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz" e o fim da "ameaça nuclear" iraniana. Com base nesse pedido, ele diz ter concordado em cancelar o ataque, "sujeito a conseguir fechar um ACORDO rapidamente", e afirma que Israel se junta a ele nesse compromisso.
Coletiva semanal do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei
Na coletiva semanal de segunda-feira (3 de agosto de 2026), o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirma que as conversas em curso entre Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz são "completamente bilaterais", entre os dois Estados costeiros, e que não há terceiro país envolvido nessas negociações. Ele diz que as questões relativas aos EUA e ao cumprimento de seus compromissos "serão analisadas mais tarde, conforme as circunstâncias" — negando, na prática, que haja negociação em curso com Washington. Baqaei acrescenta que um entendimento com o Omã é condição necessária, mas não suficiente, para a reabertura de Ormuz, e atribui a instabilidade do estreito à "guerra de agressão ilegal e não provocada" dos EUA e de Israel contra o Irã desde março do ano passado.
Cobertura da mídia
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