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Trump é processado por venda de acesso antecipado a posts no Truth Social

Organizações de mídia processaram o presidente Donald Trump para barrar a venda de acesso prioritário a suas publicações, citando riscos ao mercado financeiro.

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Foto: G1 - Economia
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12/08 às 13:02 · atualizado 18:34

Pontos principais

  • A Freedom of the Press Foundation e o The Intercept protocolaram a ação em um tribunal federal de Manhattan.
  • O serviço 'Truth API' da Trump Media cobra entre US$ 60 mil e US$ 100 mil mensais pelo acesso em tempo real.
  • Autores do processo alegam que a prática é inconstitucional e cria vantagens indevidas para investidores.
  • Publicações de Trump no Truth Social possuem histórico de impactar a volatilidade dos mercados financeiros.
  • Donald Trump é o acionista majoritário da Trump Media, com participação avaliada em US$ 1 bilhão.
  • A Trump Media defende que o serviço apenas reduz a latência de dados que já são publicamente disponíveis.
  • Grandes firmas de trading, como Citadel Securities, sinalizaram que não pretendem utilizar a ferramenta.

O presidente Donald Trump e a Trump Media & Technology Group foram alvos de uma ação judicial movida pela Freedom of the Press Foundation e pelo The Intercept. O processo contesta a comercialização do 'Truth API', um serviço de assinatura que promete acesso antecipado a postagens do mandatário na rede social Truth Social. Com mensalidades que variam entre US$ 60 mil e US$ 100 mil, a ferramenta é voltada para firmas de negociação de alta frequência que buscam obter vantagem competitiva ao antecipar movimentos de mercado gerados pelas declarações presidenciais. Os autores da ação classificam a iniciativa como uma prática corrupta e inconstitucional, argumentando que a exclusividade fere o acesso equitativo à informação pública e distorce a integridade dos mercados financeiros. A denúncia também aponta que o Escritório Executivo do Presidente estaria envolvido na estratégia, levantando preocupações sobre a ética na comunicação oficial do governo. A Trump Media, por sua vez, nega qualquer irregularidade, sustentando que o produto apenas otimiza a entrega de dados que já são públicos. A empresa, que reportou prejuízos de US$ 238 milhões no segundo trimestre, busca capitalizar sobre o interesse de Wall Street, embora grandes players do mercado tenham demonstrado ceticismo quanto à adesão ao serviço. O caso ganha relevância adicional pelo fato de Donald Trump ser o maior acionista da companhia, com sua participação mantida em um truste gerido por seu filho, Donald Trump Jr. A disputa legal coloca em xeque a fronteira entre os interesses comerciais da empresa de mídia do presidente e o dever de transparência da Casa Branca, atraindo críticas de parlamentares democratas e defensores do livre mercado que temem o aumento da volatilidade financeira baseada em privilégios informacionais.

Fonte primária

U.S. District Court for the Southern District of New York / The Intercept, Freedom of the Press Foundation (via Citizens for Responsibility and Ethics in Washington)

The Intercept Media, Inc. e Freedom of the Press Foundation v. Trump et al., No. 1:26-cv-06867 (S.D.N.Y.) — Petição inicial

Petição protocolada em 12/08/2026 no Distrito Sul de Nova York por The Intercept e Freedom of the Press Foundation contra Donald J. Trump (em sua capacidade oficial), a assessora Natalie J. Harp, o vice-chefe de gabinete Daniel Scavino, o Executive Office of the President e o White House Office. A ação descreve o esquema do Truth API, lançado em 01/08/2026 pela Trump Media & Technology Group (da qual Trump detém cerca de 41,43% via seu Donald J. Trump Revocable Trust, participação avaliada em mais de US$ 1 bilhão): assinantes pagam até US$ 100 mil/mês (ou US$ 60 mil/mês com compromisso de três anos) para obter acesso antecipado a posts 'market-moving' do presidente e de outros funcionários no Truth Social, enquanto a empresa passou a bloquear a coleta automatizada (scraping) de posts por quem não paga. Os autores alegam que o esquema viola a Primeira Emenda — que garante acesso igualitário aos pronunciamentos públicos do presidente, exigindo que qualquer restrição sirva a um interesse governamental relevante, inexistente aqui — e a Quinta Emenda, que veda cobrar valores não razoáveis por um benefício governamental e conceder acesso preferencial a informação oficial por motivos arbitrários. A petição argumenta que o presidente lucra pessoalmente ao vender informação governamental 'market-moving' à sua própria empresa, citando o precedente Banks v. Manchester (1888) de que autoridades públicas não podem ter interesse pecuniário sobre os frutos de seus atos oficiais. Os autores dizem sofrer dano direto: enfrentam acesso atrasado aos posts mais recentes de Trump e bloqueio ao arquivo histórico, prejudicando seu jornalismo (o Intercept cobre regularmente os posts de Trump; a FPF mantém o banco de dados 'Trump Anti-Press Social Media Tracker'). Pedem declaração de inconstitucionalidade e a suspensão liminar e definitiva do esquema.

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